Atualizando...

Soja sente Chicago e câmbio e mercado brasileiro reage

Redação
12/01/2026 às 18:47
Soja sente Chicago e câmbio e mercado brasileiro reage

Altas lá fora dão fôlego aos preços internos, mas a safra cheia limita a margem.

O mercado internacional voltou a puxar a conversa da soja, e isso já aparece no físico brasileiro. Chicago reagiu, o farelo deu sustentação e, mesmo com a colheita ganhando ritmo em Mato Grosso, o produtor sente no bolso que qualquer movimento lá fora mexe direto na conta aqui dentro. O desafio imediato é decidir quando vender em um cenário de margens apertadas e pressão de oferta pela safra 2025/26.

O que está acontecendo com os preços da soja

No mercado interno, o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná marcou R$ 128,99 por saca de 60 kg em 09/01/2026, com alta diária de 0,77%. Poucos dias antes, em 07/01/2026, o mesmo indicador estava em R$ 134,64 por saca, com leve variação negativa no dia. Essa oscilação curta mostra um mercado nervoso, reagindo a cada sinal externo.

Em Mato Grosso, os dados do IMEA para soja disponível em 12/01/2026 mostram um quadro misto entre praças. Enquanto Alto Araguaia registrou R$ 113,00 por saca, Rondonópolis ficou em R$ 114,00, ambos com recuo no dia. Já regiões como Canarana e Lucas do Rio Verde tiveram pequenas altas, com preços próximos de R$ 103,90 e R$ 105,00, respectivamente.

Na prática, isso reflete um mercado físico travado, com comprador seletivo e produtor cauteloso, segurando volume à espera de oportunidades melhores.

Chicago e o efeito direto na soja brasileira

Na Bolsa de Chicago, o contrato março/2026 fechou em US$ 1.062,75 por bushel em 09/01/2026, com leve alta. Em 07/01/2026, o mercado já havia mostrado força, com ganhos entre 10 e 10,75 pontos, sustentados principalmente pelo farelo de soja, que chegou a US$ 305,40 por tonelada curta.

O ponto é que, quando Chicago sobe, mesmo que não seja um rali forte, isso melhora a referência para exportação brasileira. Prêmios firmes e dólar valorizado ajudam a formar preços mais interessantes nos portos, o que acaba respingando no interior, ainda que de forma desigual.

Para quem acompanha o mercado, fica claro que a bolsa segue sendo o principal termômetro de curto prazo. O produtor que ignora Chicago acaba vendendo mal ou fora de timing.

Paridade de exportação e o papel do câmbio

Os números de paridade de exportação do IMEA para março/2026 em Mato Grosso mostram preços entre R$ 100,31 e R$ 102,21 por saca, dependendo da região, todos com leve alta diária. Esses valores ajudam a entender até onde o mercado interno consegue ir sem perder competitividade lá fora.

Mesmo sem dados oficiais recentes detalhando o câmbio, o reflexo é claro. Dólar mais alto melhora a paridade, sustenta os preços nos portos e mantém a soja brasileira atrativa para exportação. Na prática, o produtor sente isso quando a indústria e o exportador aparecem com mais apetite para originar, especialmente em momentos de alta em Chicago.

Safra 2025/26 e pressão de oferta

A colheita da safra 2025/26 já começou de forma adiantada em partes de Mato Grosso, segundo o IMEA. Apesar disso, a comercialização segue tímida em relação a anos anteriores. Muitos produtores ainda estão focados em tirar a safra da lavoura antes de avançar nas vendas.

O problema é que o mercado já enxerga uma safra cheia. Essa expectativa coloca pressão futura sobre os preços, principalmente mais à frente, quando o volume entrar pesado no mercado. O produtor precisa ter isso claro para não ficar refém de um único momento de venda.

Clima, demanda e ruídos externos

No campo climático, o Sul do Brasil segue em alerta por conta de chuvas intensas no Rio Grande do Sul, enquanto, nos Estados Unidos, a condição da soja teve piora de dois pontos nos levantamentos do USDA. Esses fatores adicionam volatilidade, mas não mudam, por enquanto, o quadro geral de oferta confortável.

Do lado da demanda, a expectativa de compras envolvendo China e Estados Unidos antes de novos relatórios oficiais mantém o mercado atento. Qualquer sinal mais agressivo de demanda pode gerar repiques, ainda que pontuais.

Custos, margens e o que pesa na decisão

O alerta aqui é direto. Mesmo com altas pontuais, a rentabilidade da soja segue baixa. Custos de produção elevados comprimem a margem, e não dá para contar apenas com uma arrancada de preço para resolver a conta.

Na prática, o produtor precisa olhar:

  • seu custo real por saca;
  • a diferença entre preço local e paridade de exportação;
  • o momento da safra e a pressão de oferta na região;
  • o comportamento de Chicago e do farelo.

Estratégias práticas para quem produz soja

O que muda a conversa é estratégia. Em vez de tentar acertar o topo, faz mais sentido trabalhar com vendas escalonadas, aproveitando altas de Chicago para negociar volumes nos portos ou travar parte da produção.

Alguns caminhos práticos:

  • usar altas da bolsa para fixar preço quando o mercado oferece oportunidade;
  • avaliar travas parciais para proteger margem;
  • acompanhar o basis regional, que pode melhorar mesmo sem grande alta no futuro;
  • não concentrar toda a venda no pico da colheita.

Para quem busca referência confiável de preços e mercado, vale acompanhar os dados do Cepea, que seguem sendo um dos principais balizadores do mercado físico brasileiro.

Para acompanhar análises completas de soja, acesse sempre nossa página exclusiva em Agronews – soja em tempo real.

O recado final é simples. Chicago manda, o câmbio ajuda, mas a safra cheia cobra disciplina. Quem faz conta e decide com calma tende a atravessar esse mercado com menos aperto.

Agronews é informação para quem produz.

soja

Compartilhe esta notícia: