A disputa comercial entre EUA e China beneficiou as exportações de soja de Mato Grosso, impulsionando a expansão da cultura e a economia agrícola do estado.
A China brigou, o bolso do mato-grossense engordou: como a guerra comercial turbinou a soja
Se a gente fosse desenhar um gráfico da soja em Mato Grosso nos últimos anos, ia parecer a curva de um boi engordando no cocho. E não foi só o clima bom que fez isso, não. Teve uma ajudinha, digamos, “externa”. Uma briga feia entre os Estados Unidos e a China que abriu uma porta que a gente não esperava.
Pra entender a história, esquece um pouco a poeira da lavoura e pensa em geopolítica. Parece coisa de gente de terno e gravata, mas afeta diretamente o preço da saca. Os Estados Unidos e a China começaram uma guerra de tarifas, sabe? Cada um taxando a mercadoria do outro. E adivinha quem sentiu o baque na soja?
Os americanos, claro. A China, que é um dos maiores compradores de soja do mundo, começou a procurar outras fontes. E aí, meu amigo, o Brasil entrou em cena. Mais precisamente, o Mato Grosso. Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja-MT, não tem dúvida: “Se não fosse essa disputa entre Estados Unidos e China, o Brasil teria dificilmente avançado tanto em tão pouco tempo.” É a verdade, nua e crua.

Em 2019, a gente já plantava soja em 9,6 milhões de hectares aqui no estado. Hoje, essa área pulou para quase 13 milhões de hectares. Pra você ter uma ideia, essa expansão toda aconteceu, em boa parte, em terras que antes eram usadas pra criar gado. O pecuarista viu a conta da soja mais interessante e resolveu mudar o jogo. E quem pode julgá-lo?
Mas não foi só a briga dos outros que fez a diferença. A gente também fez a nossa parte. A melhoria da logística, principalmente com a ligação para o Porto de Miritituba, foi fundamental. Antes, escoar a soja era um sufoco, um custo danado. Agora, ficou mais fácil, mais rápido e mais barato. Aí, a nossa soja chega na China com mais competitividade.
A Conab, que é o “braço direito” do governo pra acompanhar a produção, confirma o crescimento. O Mapa, então, acompanha de perto cada embarque, cada contrato. E o Cepea, lá em Piracicaba, não deixa ninguém esquecer que o preço da soja tem tudo a ver com o que acontece lá fora. A B3, a bolsa de valores, registra cada oscilação, cada aposta dos investidores.
E o IBGE, que conta tudo, mostra que a área plantada de soja em Mato Grosso não para de crescer. São números que não mentem. E que mostram que a gente aproveitou a oportunidade que surgiu. Não foi sorte, foi competência e, claro, um pouco de “ajeitadinho” no cenário internacional.




