Com o disponível em R$ 105,37 por saca e a paridade média em R$ 109,88, o mercado mato-grossense começa junho com diferença positiva para exportação, mas a logística segue como o principal filtro de margem.
A soja em Mato Grosso entrou em junho sem grande alarde no físico. Mas a leitura merece atenção porteira para dentro. A média estadual do disponível ficou em R$ 105,37 por saca no levantamento do IMEA de 1º de junho, avanço discreto de 0,09 por cento. Enquanto isso, a paridade de exportação, calculada em 29 de maio, aparecia em R$ 109,88 por saca.
Pois é. No papel, existe espaço entre o preço de balcão e a referência de embarque. A diferença média passa de R$ 4,50 por saca. Só que nem toda janela vira dinheiro limpo quando o frete aperta.
A conta não é simples. Com soja julho em Chicago abaixo de US$ 11,90 por bushel, prêmios de exportação mais fracos, dólar perto de R$ 4,92 e Brent em US$ 93, a formação de preço fica menos generosa. Em uma safra 25/26 estimada perto de 51,56 milhões de toneladas em Mato Grosso, tirar leite de pedra na comercialização virou parte do jogo.
Preço físico fica estável enquanto a paridade ainda supera o disponível
Os dados oficiais do IMEA mostram estabilidade no disponível, mas também revelam diferenças entre as praças. No sul do estado, Alto Araguaia, Alto Garças e Rondonópolis aparecem com os maiores prêmios na comparação com a paridade. Já Campo Verde foge da média e mostra paridade abaixo do físico, sinal de que a conta local exige mais cautela.
Praça
Disponível em R$/sc
Paridade em R$/sc
Diferença em R$/sc
Rondonópolis
R$ 111,00
R$ 119,77
R$ 8,77
Alto Garças
R$ 110,70
R$ 121,58
R$ 10,88
Alto Araguaia
R$ 110,40
R$ 122,27
R$ 11,87
Primavera do Leste
R$ 110,10
R$ 113,94
R$ 3,84
Canarana
R$ 105,70
R$ 110,07
R$ 4,37
Lucas do Rio Verde
R$ 104,85
R$ 110,06
R$ 5,21
Sorriso
R$ 104,60
R$ 109,22
R$ 4,62
Sinop
R$ 104,30
R$ 108,10
R$ 3,80
Nova Mutum
R$ 105,20
R$ 106,91
R$ 1,71
Sapezal
R$ 105,10
R$ 106,07
R$ 0,97
Campo Verde
R$ 109,15
R$ 105,24
R$ -3,91
A diferença salta aos olhos.
Onde a paridade supera com folga o disponível, a exportação sustenta o discurso de preço. Onde a diferença é curta, a negociação perde gordura. Para quem tem armazenagem e caixa, segurar o lote pode fazer sentido. A decisão precisa considerar custo financeiro, fluxo e distância até o corredor logístico.
Frete alto e Chicago fraca reduzem o espaço de margem
O frete continua sendo o pedaço mais duro da conta. A rota Campo Novo do Parecis a Santos aparece em R$ 500,76 por tonelada. Paranaguá fica em R$ 480,26 por tonelada. Porto Velho, R$ 290,72. Rondonópolis, R$ 180,89. Esse custo pesa direto na transformação da paridade em preço efetivo.
E não para por aí. A fraqueza em Chicago, a perda de mais de 20 pontos nos prêmios de exportação e a cautela após a suspensão de embarques para a China por uma grande comercializadora retiram sustentação do mercado. O dólar perto de R$ 4,92 ajuda na conversão. Mas não resolve quando prêmio, frete e referência internacional andam contra.
Junho começa com uma mensagem de equilíbrio frágil. A paridade ainda oferece fotografia melhor que o disponível em boa parte de Mato Grosso. O ganho potencial precisa sobreviver ao caminhão, ao prêmio e ao humor de Chicago. Para o produtor, a melhor venda é menos aposta em alta forte e mais escolha disciplinada de praça, prazo e custo.