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Soja em MT tem preço estável, mas frete limita ganho com exportação

Redação
02/06/2026 às 10:42
Soja em MT tem preço estável, mas frete limita ganho com exportação

Com o disponível em R$ 105,37 por saca e a paridade média em R$ 109,88, o mercado mato-grossense começa junho com diferença positiva para exportação, mas a logística segue como o principal filtro de margem.

A soja em Mato Grosso entrou em junho sem grande alarde no físico. Mas a leitura merece atenção porteira para dentro. A média estadual do disponível ficou em R$ 105,37 por saca no levantamento do IMEA de 1º de junho, avanço discreto de 0,09 por cento. Enquanto isso, a paridade de exportação, calculada em 29 de maio, aparecia em R$ 109,88 por saca.

Pois é. No papel, existe espaço entre o preço de balcão e a referência de embarque. A diferença média passa de R$ 4,50 por saca. Só que nem toda janela vira dinheiro limpo quando o frete aperta.

A conta não é simples. Com soja julho em Chicago abaixo de US$ 11,90 por bushel, prêmios de exportação mais fracos, dólar perto de R$ 4,92 e Brent em US$ 93, a formação de preço fica menos generosa. Em uma safra 25/26 estimada perto de 51,56 milhões de toneladas em Mato Grosso, tirar leite de pedra na comercialização virou parte do jogo.

Lavoura de soja madura em Mato Grosso durante safra 2025/26

Preço físico fica estável enquanto a paridade ainda supera o disponível

Os dados oficiais do IMEA mostram estabilidade no disponível, mas também revelam diferenças entre as praças. No sul do estado, Alto Araguaia, Alto Garças e Rondonópolis aparecem com os maiores prêmios na comparação com a paridade. Já Campo Verde foge da média e mostra paridade abaixo do físico, sinal de que a conta local exige mais cautela.

PraçaDisponível em R$/scParidade em R$/scDiferença em R$/sc
RondonópolisR$ 111,00R$ 119,77R$ 8,77
Alto GarçasR$ 110,70R$ 121,58R$ 10,88
Alto AraguaiaR$ 110,40R$ 122,27R$ 11,87
Primavera do LesteR$ 110,10R$ 113,94R$ 3,84
CanaranaR$ 105,70R$ 110,07R$ 4,37
Lucas do Rio VerdeR$ 104,85R$ 110,06R$ 5,21
SorrisoR$ 104,60R$ 109,22R$ 4,62
SinopR$ 104,30R$ 108,10R$ 3,80
Nova MutumR$ 105,20R$ 106,91R$ 1,71
SapezalR$ 105,10R$ 106,07R$ 0,97
Campo VerdeR$ 109,15R$ 105,24R$ -3,91

A diferença salta aos olhos.

Onde a paridade supera com folga o disponível, a exportação sustenta o discurso de preço. Onde a diferença é curta, a negociação perde gordura. Para quem tem armazenagem e caixa, segurar o lote pode fazer sentido. A decisão precisa considerar custo financeiro, fluxo e distância até o corredor logístico.

Frete alto e Chicago fraca reduzem o espaço de margem

O frete continua sendo o pedaço mais duro da conta. A rota Campo Novo do Parecis a Santos aparece em R$ 500,76 por tonelada. Paranaguá fica em R$ 480,26 por tonelada. Porto Velho, R$ 290,72. Rondonópolis, R$ 180,89. Esse custo pesa direto na transformação da paridade em preço efetivo.

E não para por aí. A fraqueza em Chicago, a perda de mais de 20 pontos nos prêmios de exportação e a cautela após a suspensão de embarques para a China por uma grande comercializadora retiram sustentação do mercado. O dólar perto de R$ 4,92 ajuda na conversão. Mas não resolve quando prêmio, frete e referência internacional andam contra.

Junho começa com uma mensagem de equilíbrio frágil. A paridade ainda oferece fotografia melhor que o disponível em boa parte de Mato Grosso. O ganho potencial precisa sobreviver ao caminhão, ao prêmio e ao humor de Chicago. Para o produtor, a melhor venda é menos aposta em alta forte e mais escolha disciplinada de praça, prazo e custo.

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