Na coluna, também veja o recorde de exportação de carne, mesmo sem a China; e preços da soja no interior ainda em alta

Por Giovanni Lorenzon – AGRONEWS®

A Petrobras represa os preços dos combustíveis? Represa. Se reajustasse como manda a lei de mercado, os preços seriam mais elevados.

O ICMS tem peso significativo nos preços dos combustíveis? Sim, tem. Mas é meia verdade querer taxar os impostos estaduais como os grandes vilões da explosão de preços.

Querer vender para a população que a Petrobras é responsável direta por apenas R$ 2 dos preços finais da bomba – só R$ 2! –, é pedir para passar recibo de ignorância geral do brasileiro.

É muito mais.

O presidente da estatal, general Joaquim Silva e Luna, voltou a insistir nisso na última semana, em meio à polêmica quanto aos preços dos combustíveis, que chegou ao Congresso, cujos presidentes das duas casas estão pedindo uma nova política de preços.

Ora, o que o general presidente não fala – aliás, ninguém no governo – é que a Petrobras não tem mais capacidade de refino. A culpa não é deste governo, mas este também nada fez par melhorar as operações.

Então, a Petrobras recorre à importação de gasolina e diesel, sim. E como são produtos processados, chegam mais caros.

Dados da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) são insuspeitos: em agosto, a estatal foi responsável por 83% de todo combustível importado pronto para uso.

Os dados mensais são sempre altos.

Então, general, a Petrobras gasta com o petróleo e gasta com os derivados.

E ainda gasta com o câmbio, ante um dólar “risco Brasil” nas alturas – outra coisa que o general não falou.

Outro ponto é que o mercado é livre. Se a estatal não está repassando na integralidade, e nem mexe sazonalmente nos preços – na semana passada, o diesel foi reajustado depois de 50 dias, e a gasolina ficou de fora -, a cadeia posterior trabalha como quer, das distribuidoras aos postos.

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