O clima irregular está tirando o sono do produtor de soja, confira!
A janela de plantio da safra de soja 2025/26 avança, mas o ritmo nos campos brasileiros está mais lento que o esperado. O motivo não é novidade para quem vive o dia a dia da lavoura, mas a intensidade tem preocupado: a distribuição desigual das chuvas em todo o país. Enquanto uma parte dos produtores lida com o excesso de água, outra anseia por uma umidade que não chega.
Este cenário, provocado por um clima irregular, cria uma atmosfera de incerteza que paira sobre uma das safras mais importantes para a economia nacional. A situação exige atenção, planejamento e, acima de tudo, resiliência por parte de quem produz.
Atraso na semeadura acende alerta no campo
Os números oficiais confirmam a percepção que vem do campo. De acordo com um levantamento recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o final de novembro, cerca de 78% da área destinada à soja havia sido semeada. O número pode parecer alto, mas quando comparado aos 83,3% registrados no mesmo período da safra anterior, o atraso fica evidente. Essa diferença de mais de cinco pontos percentuais representa milhões de hectares que ainda aguardam as condições ideais para o plantio, gerando uma corrida contra o tempo.
Esse atraso não é apenas uma questão de calendário. Ele impacta diretamente a fisiologia da planta e a organização da fazenda. Uma semeadura tardia pode empurrar o ciclo da soja para um período com menor incidência de luz solar e maior risco de pragas ou estiagem na fase de enchimento de grãos. Além disso, para muitos produtores, o atraso na soja compromete a janela ideal para o plantio da segunda safra, principalmente o milho safrinha, criando um efeito dominó que afeta a rentabilidade do ano agrícola como um todo.
Sul do país enfrenta o desafio do excesso de chuvas
Na região Sul, o problema tem sido a água que não para de cair. O excesso de umidade tem mantido o solo encharcado por semanas, impedindo o trabalho das máquinas e trazendo uma série de desafios práticos para o agricultor. A situação é delicada e exige paciência, pois entrar na lavoura em condições inadequadas pode causar mais prejuízos do que benefícios. O clima irregular nesta região se manifesta como um obstáculo físico e biológico.
Na prática, o produtor sulista lida com uma lista de dificuldades diárias:
- Impossibilidade de operar semeadoras e tratores, que atolam no solo encharcado;
- Risco de compactação do solo, que prejudica o desenvolvimento das raízes e a produtividade em safras futuras;
- Ambiente propício para a proliferação de doenças fúngicas, que podem atacar as sementes e plântulas;
- Dificuldade na germinação uniforme, pois sementes em solo com pouco oxigênio podem apodrecer antes mesmo de emergir.
Centro-Oeste e Matopiba sentem a falta de umidade
Enquanto o Sul se afoga, o Centro-Oeste e a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) olham para o céu em busca de nuvens carregadas. Nessas áreas, a distribuição das chuvas tem sido falha e insuficiente, deixando o solo com umidade abaixo do necessário para garantir uma boa germinação. Esse cenário de clima irregular coloca o produtor diante de um dilema: arriscar o plantio no pó, contando com uma chuva futura, ou esperar mais e perder a janela ideal de semeadura.
Plantar em solo seco é uma aposta de alto risco. Se a chuva não vier no tempo certo, as sementes podem perder seu vigor ou germinar de forma desuniforme, resultando em um estande de plantas falho e com baixo potencial produtivo. A espera, por outro lado, pode levar a uma safra tardia e mais vulnerável às intempéries do verão. Essa gangorra de decisões, causada pela instabilidade do tempo, aumenta os custos e o estresse da operação agrícola.




