A estiagem no sul do país tem causado perdas na produção de grãos. Especialistas afirmam que tecnologias no campo já possibilitam a resistência das culturas ao estresse hídrico.

O início do ano tem sido de incertezas para o produtor rural. Algumas regiões do Brasil estão sofrendo com a escassez de chuva e as altas temperaturas, além disso, a cadeia produtiva enfrenta problemas com a alta dos fertilizantes químicos. Inclusive, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou um novo levantamento nesta quinta-feira (10) que aponta uma redução na safra de soja deste ano.

Segundo os dados, com 16,8% das lavouras já colhidas no Brasil, a soja deverá registrar uma produção de 125,47 milhões de toneladas, uma queda de cerca de 9% quando comparada com a safra passada. O plantio da oleaginosa ocorreu dentro da janela ideal na maioria das regiões produtoras, o que gerou expectativas positivas. Porém, a partir de novembro, o cenário mudou devido às condições climáticas adversas ocorridas.

Segundo o mestre em agronomia da Tratto Agro, Saulo Brockes, toda a Região Sul do país e parte do Mato Grosso do Sul sofreram restrição hídrica severa em novembro e dezembro. “Levantamentos feitos nas regiões estimam mais perda de 40% na cultura da soja. Muitos produtores deixaram de colher, pois os custos não compensariam a operação e aquelas que colheram estão com a produtividade menor que a média nacional que é de 60 sacas por hectare”.

O mestre em agronomia pontua que a produção de milho na safra também foi afetada com a situação climática. “Esses problemas ambientais impactam diretamente o produtor rural, e pode até gerar uma escassez dessas commodities. A consequência é a alta do preço da casa e, seguindo o efeito cadeia, poderemos observar um incremento nos preço dos alimentos para o consumidor final”, analisa Saulo.

Outras regiões que já estão em processo de colheita, como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Tocantins, tendem a se beneficiar com a quebra do sul, pois o preço está aquecido. “Lembrando que o problema não é regional, mas sim nacional, reduzindo as exportações e o poder de câmbio por outros insumos”, destaca o especialista.