O mercado do arroz vive um momento de atenção com a baixa nos preços, veja mais informações a seguir
O início de novembro trouxe um cenário de cautela para os produtores de arroz no Rio Grande do Sul. Conforme apurado pelo Cepea, os preços do grão em casca registraram uma nova queda, refletindo um mercado com baixa liquidez e agentes apreensivos. Esse movimento não é um fato isolado, mas sim o resultado de uma combinação de fatores que vão desde o avanço da semeadura no campo até as dinâmicas do comércio exterior.
Entender essas variáveis é crucial para que o rizicultor possa tomar as melhores decisões, planejando seus próximos passos em meio a um ambiente de incertezas. A grande questão que paira no ar é: essa tendência de baixa veio para ficar ou existem fatores que podem reverter o jogo nos próximos meses?
Por que o preço do arroz está caindo?
A explicação para a queda nos preços do arroz em casca passa, fundamentalmente, pela lei da oferta e da demanda. Quando o mercado percebe que haverá uma grande disponibilidade do produto no futuro, a tendência natural é que os preços recuem. É exatamente o que está acontecendo. Segundo o Indicador CEPEA/IRGA-RS, a saca de 50 kg recuou 1,1% na primeira dezena de novembro, operando na casa dos R$ 55. Este valor reflete a percepção de um mercado bem abastecido.
Um dos principais motivos para essa expectativa é o bom andamento da semeadura da safra 2025/26 no Rio Grande do Sul, estado que responde por mais de 70% da produção nacional de arroz. Dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) mostram que, até o início de outubro, 78% da área prevista já havia sido cultivada.
Um plantio realizado dentro da janela ideal e sem grandes percalços climáticos sinaliza uma colheita potencialmente cheia, o que pressiona as cotações para baixo. A baixa liquidez, indica que os compradores não estão com pressa, aguardando melhores oportunidades e a definição de outros fatores de mercado.
O papel da Conab como regulador do mercado
Em momentos de pressão sobre os preços, os olhos dos produtores se voltam para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A cautela dos agentes de mercado, está diretamente ligada à expectativa de um anúncio de compra de arroz pelo órgão. A Conab atua como um importante mecanismo de sustentação de preços para o produtor rural por meio de instrumentos como a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) e os leilões de compra governamental.
Quando os preços de mercado caem abaixo do mínimo estabelecido pelo governo, a Conab pode intervir, adquirindo o produto para seus estoques públicos. Essa ação retira o excesso de oferta do mercado, ajudando a equilibrar a balança e a dar um suporte mínimo à remuneração do agricultor. Portanto, a decisão da Conab de comprar ou não o cereal nas próximas semanas será um divisor de águas, podendo estancar a queda ou, caso não ocorra, permitir que os preços continuem a recuar. Por isso, o mercado opera em compasso de espera.
Exportações em alta como válvula de escape
Enquanto o cenário doméstico apresenta desafios, o front externo trouxe um alívio. Com os preços internos menos atrativos, vender o arroz brasileiro para outros países tornou-se um negócio vantajoso, impulsionado também por uma taxa de câmbio favorável. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmam essa tendência de forma expressiva. Em outubro, o Brasil exportou 212,64 mil toneladas do grão, o maior volume mensal desde agosto de 2023.




