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Brasil inicia colheita de Soja com olhar atento à China, veja a seguir

Dany Balieiro
12/01/2026 às 10:23
Brasil inicia colheita de Soja com olhar atento à China, veja a seguir

O agronegócio brasileiro vive um momento de transição simbólica e estratégica. Enquanto as colheitadeiras começam a cortar as primeiras áreas de soja da safra 2025/26 no norte de Mato Grosso e no oeste do Paraná, o setor respira um misto de otimismo produtivo e cautela comercial. O cenário desenhado no início deste ano confirma o protagonismo do Brasil como o maior produtor e exportador global da oleaginosa, mas traz desafios logísticos e de mercado que exigem atenção dos produtores.

Campo em Festa: Clima e Produtividade

As máquinas em campo são o resultado de um ciclo que, até agora, foi amplamente beneficiado por condições climáticas favoráveis. Diferente de anos anteriores marcados por irregularidades de chuvas em virtude de fenômenos como o El Niño, a safra 2025/26 contou com uma distribuição hídrica que permitiu um desenvolvimento vigoroso das lavouras.

Analistas de campo apontam que a sanidade das plantas é elevada, o que sustenta a expectativa de uma safra recorde. No Mato Grosso, coração da produção nacional, o início antecipado da colheita em algumas regiões é um indicador de que o ciclo foi bem gerido, permitindo, inclusive, uma janela mais segura para o plantio da segunda safra de milho ou algodão.

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Exportações em Ritmo Acelerado e a “Fome” Chinesa

Se no campo o ritmo é de colheita, no Porto o ritmo é de embarque. Dados recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam números impressionantes: em dezembro de 2025, o Brasil exportou 3,38 milhões de toneladas de soja, um salto de quase 60% em comparação ao mesmo mês de 2024.

O grande motor desse crescimento continua sendo a China. O apetite do gigante asiático pela soja brasileira parece inabalável, tendo importado 2,6 milhões de toneladas apenas no último mês de 2025 — um aumento impressionante de 83,8% em relação ao ano anterior. Esse fluxo consolidou o ano de 2025 como histórico, atingindo a marca recorde de 108,18 milhões de toneladas exportadas, superando as estimativas mais otimistas da Conab.

Preços Sob Pressão

Apesar dos recordes de produtividade e exportação, o clima dentro das propriedades não é apenas de celebração. Existe uma queda de braço silenciosa no mercado interno. A liquidez — ou seja, a facilidade de girar o produto e transformá-lo em dinheiro — está baixa neste início de 2026.

Os produtores brasileiros, cientes do valor de sua safra e enfrentando custos de produção ainda elevados, estão retraídos. Muitos evitam vender no mercado “spot” (entrega imediata), esperando por janelas de preços mais atrativas. No entanto, a própria pressão da oferta — com a entrada da nova safra recorde — tem pesado sobre as cotações, gerando um cenário de preços pressionados.

Perspectivas para 2026

O ano que começa será definido pela capacidade do produtor em gerir o risco. Com a colheita avançando para o centro-sul do país nas próximas semanas, o volume de soja disponível no mercado aumentará drasticamente. A estratégia de comercialização será tão importante quanto o manejo técnico realizado no campo.

A sustentabilidade das exportações brasileiras para a China e a movimentação do dólar serão os termômetros para os preços. Por ora, o Brasil reafirma sua posição de celeiro do mundo, iniciando uma safra que promete não apenas encher os armazéns, mas também consolidar novos patamares de eficiência para a agricultura nacional.

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