O agronegócio brasileiro vive um momento de transição simbólica e estratégica. Enquanto as colheitadeiras começam a cortar as primeiras áreas de soja da safra 2025/26 no norte de Mato Grosso e no oeste do Paraná, o setor respira um misto de otimismo produtivo e cautela comercial. O cenário desenhado no início deste ano confirma o protagonismo do Brasil como o maior produtor e exportador global da oleaginosa, mas traz desafios logísticos e de mercado que exigem atenção dos produtores.
Campo em Festa: Clima e Produtividade
As máquinas em campo são o resultado de um ciclo que, até agora, foi amplamente beneficiado por condições climáticas favoráveis. Diferente de anos anteriores marcados por irregularidades de chuvas em virtude de fenômenos como o El Niño, a safra 2025/26 contou com uma distribuição hídrica que permitiu um desenvolvimento vigoroso das lavouras.
Analistas de campo apontam que a sanidade das plantas é elevada, o que sustenta a expectativa de uma safra recorde. No Mato Grosso, coração da produção nacional, o início antecipado da colheita em algumas regiões é um indicador de que o ciclo foi bem gerido, permitindo, inclusive, uma janela mais segura para o plantio da segunda safra de milho ou algodão.

Exportações em Ritmo Acelerado e a “Fome” Chinesa
Se no campo o ritmo é de colheita, no Porto o ritmo é de embarque. Dados recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam números impressionantes: em dezembro de 2025, o Brasil exportou 3,38 milhões de toneladas de soja, um salto de quase 60% em comparação ao mesmo mês de 2024.
O grande motor desse crescimento continua sendo a China. O apetite do gigante asiático pela soja brasileira parece inabalável, tendo importado 2,6 milhões de toneladas apenas no último mês de 2025 — um aumento impressionante de 83,8% em relação ao ano anterior. Esse fluxo consolidou o ano de 2025 como histórico, atingindo a marca recorde de 108,18 milhões de toneladas exportadas, superando as estimativas mais otimistas da Conab.
Preços Sob Pressão
Apesar dos recordes de produtividade e exportação, o clima dentro das propriedades não é apenas de celebração. Existe uma queda de braço silenciosa no mercado interno. A liquidez — ou seja, a facilidade de girar o produto e transformá-lo em dinheiro — está baixa neste início de 2026.




