Projeto conduzido pela Embrapa testa produtos homeopáticos e fitoterápicos, entre outros. Objetivo é reduzir riscos de resistência de bactérias e parasitas, além dos resíduos nos subprodutos.

Preocupados com o uso inadequado ou indiscriminado de medicamentos veterinários na produção animal, que pode aumentar os riscos associados à resistência aos antibióticos e antiparasitários e as chances de surgimento e propagação de bactérias e parasitas resistentes, pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste têm estudado o uso de homeopatia, fitoterapia, adição de mineral e manejo biológico no controle de três doenças do gado leiteiro, como diarreia de bezerros, carrapato e mastite. Esses tratamentos alternativos, aliados a boas práticas de manejo, têm apresentado resultados promissores, sendo que algumas pesquisas já foram concluídas, como homeopatia e utilização de zeólita, um tipo de mineral, para controle da diarreia em bezerros.

“Normalmente, as doenças dos bovinos são tratadas com antibióticos. Mas a maioria das bactérias ou parasitas já está bastante resistente aos medicamentos. A tendência é a droga veterinária não funcionar ou funcionar parcialmente”, explica, em nota, a pesquisadora Ana Carolina Chagas, da Embrapa. Segundo ela, quando isso ocorre, muitos produtores aumentam a dose do medicamento, diminuem o intervalo de aplicação ou não respeitam o período de carência do abate ou de venda do leite. “Há risco de intoxicação animal e resíduos de drogas veterinárias nos alimentos”, diz.

Homeopatia para diarreia

Em experimento inicado em 2015, foi aplicada, preventivamente, homeopatia, aliada a zeólita, no tratamento de bezerros da raça Holandeza ou Holandês com Jersey. Cerca de 25% dos animais tratados por meio da homeopatia preventiva não apresentaram nenhum caso de diarreia no período investigado. Nos outros dois grupos, todos os animais tiveram uma ocorrência, pelo menos, de diarreia no transcorrer da pesquisa.

Além da saúde e bem-estar, o resultado reflete diretamente no bolso, com economia em torno de R$ 10 por indivíduo só com uso de medicamentos, de acordo com os pesquisadores da Embrapa. “Além disso, não se pode ignorar a otimização do tempo com mão de obra e contratação de profissionais. E o mais importante foi a prevenção. “Conseguimos prevenir e reduzir o uso de antibióticos”, afirma Teresa Alves.

O grupo que recebeu o mineral zeólita não apresentou redução nos casos de diarreia. No entanto, a análise de amostras do intestino delgado, por meio de Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV), demonstrou melhor preservação do epitélio intestinal, diminuindo a frequência de diarreia.

Manejo adequado

Outra medida importante e que contribui muito para redução da diarreia em bezerros é o manejo adequado, como garantir que o animal receba o colostro nas primeiras seis horas de vida.

A higiene também pode evitar a doença. Deve-se higienizar comedouro, bebedouro e todos os equipamentos usados para fornecimento de leite. Em caso de mamadeira, deve-se utilizar um bico para cada bezerro ou lavar antes de dar a outro filhote, para evitar a transmissão dos microrganismos.

Outra ação de extrema importância é separar os animais para evitar contato entre eles para não ocorrer contaminação cruzada. Os animais que apresentam sintomas da doença devem ser isolados para não transmitir aos outros. É importante o acompanhamento de um médico veterinário em casos de contaminação do rebanho.

É recomendado controlar a contaminação do local onde os filhotes ficam, pois a umidade e a sujeira aumentam a proliferação dos agentes transmissores. “Deve-se estar atento aos fatores que aumentam o risco de ocorrência da diarreia, tais como estação de nascimento, peso pós-parto e necessidade de tratamento para outras doenças antes de duas primeiras semanas de vida dos bezerros”, ressalta Ana Carolina.