Para atender uma demanda dos produtores que utilizam o sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP), a Embrapa desenvolveu o azevém de ciclo precoce BRS Integração
O material produz 5% mais com 20 dias a menos de ciclo em comparação à BRS Ponteio, variedade lançada em 2007 também pela Embrapa e que hoje ocupa 60% da produção nacional de sementes de azevém. A precocidade possibilita a ressemeadura natural ou colheita das sementes antes do estabelecimento de culturas de verão, como a soja, permitindo, como o próprio nome da variedade indica, a Integração Lavoura-Pecuária. A BRS Integração acaba de ser lançada durante a 40ª edição da Expointer, em Esteio (RS).
A variedade apresenta alta produtividade – cerca de oito toneladas por hectare – e bom vigor inicial. O estabelecimento da pastagem é rápido, girando em torno de 50 dias se bem manejada, segundo afirma a pesquisadora da Embrapa Gado de Leite (MG) lotada na Embrapa Clima Temperado (RS), Andréa Mittelmann, uma das responsáveis pela novidade. “O mais interessante em termos de produtividade é que ela ganha do BRS Ponteio e das outras cultivares plantadas no Brasil atualmente”, explica. Os pesquisadores também verificaram índices de proteína em torno de 18% nos materiais avaliados.
Além disso, a BRS Integração tem boa adaptação às regiões de clima temperado e a algumas regiões de altitude, no sudeste do País, por ter sido desenvolvida a partir de populações com origem na Serra Gaúcha. O que, portanto, resulta em maior sanidade da variedade a campo. “As importadas são menos tolerantes às doenças que temos aqui”, justifica Andréa.
Outra característica é a tolerância ao acamamento, aspecto importante para produção de silagem pré-secada e sementes. “Se a planta cair, não é possível colher as sementes com a máquina, por exemplo. Para o usuário final, talvez isso não tenha tanta importância, porque nem todo mundo vai colher. Mas, para nossos parceiros que realizam o passo intermediário, que é a produção de sementes, isso é bem importante”, ressalta.
A BRS Integração apresenta folhas grandes e mais largas do que a maioria das cultivares. Já o colmo mais grosso dá suporte para um porte mais ereto, facilitando o corte mecânico e, consequentemente, o trabalho dos produtores que produzem forragem conservada, como silagem pré-secada ou feno. “É um material excelente tanto para pastejo quanto para silagem conservada”, completa Mittelmann.
Alta capacidade de rebrote e ressemeadura natural
No fim do ciclo produtivo, as sementes do azevém podem ser colhidas para plantio na próxima safra, ou caem no solo e entram em dormência, voltando a produzir no próximo ano, quando as condições climáticas retornam ao ponto ideal para desenvolvimento da planta. É a chamada ressemeadura natural. Mas, em áreas de cultivo integrado, o estabelecimento de culturas de verão nem sempre ocorre após o fim do ciclo do azevém, impedindo a ressemeadura e fazendo com que o produtor tenha que comprar sementes no próximo ano caso queira implantar a pastagem novamente.
O ciclo precoce da BRS Integração, no entanto, permite que as sementes caiam no solo antes do preparo das áreas para as culturas anuais da estação quente. De acordo com Mittelmann, a nova cultivar deve ser plantada em abril para ser utilizada a partir de junho, caso o produtor respeite as épocas corretas. Por isso, até setembro, a variedade tem condições de produzir bastante e ser bem aproveitada pelo sistema produtivo. “A produção de sementes vai ocorrer a partir de outubro. Mas, como as plantas do BRS Integração têm grande capacidade de rebrotar após o pastejo, a pastagem pode durar tanto quanto a da variedade BRS Ponteio. Vai depender bastante do manejo, envolvendo pastejos e adubações”, afirma a pesquisadora.



