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Guerra no Irã e soja em baixa criam “liquidação” de terras em Mato Grosso

Vicente Delgado
04/03/2026 às 16:19
Guerra no Irã e soja em baixa criam “liquidação” de terras em Mato Grosso

Fazenda em MT avaliada em mais de R$ 200 milhões está sendo vendida pela metade do preço. Especialista do setor imobiliário revela janela de ouro para comprar terra barata em regiões altamente produtivas.

Enquanto o mercado trava, nosso portfólio abre. Temos fazendas de alta produtividade em MT com valor de entrada até 50% abaixo do teto produtivo.“, comenta Bruno Couto.

A terra sempre teve esse magnetismo, né? Não é só o chão que a gente pisa, é o símbolo de onde vem o sustento e onde o patrimônio se solidifica de verdade. Mas tem horas na história que o jogo vira. Se você puxar pela memória, vai lembrar de ciclos onde investir no campo deixou de ser apenas segurança para virar uma alavanca bruta de riqueza. Pois é, meu amigo, estamos exatamente em um desses momentos agora em 2026.

Guerra no Irã e soja em baixa criam "liquidação" de terras em Mato Grosso

Quem conhece o trecho sabe que o Mato Grosso é a joia da coroa, mas até a joia tem seus dias de preço ajustado. Entre o cansaço de quem quer sair e a visão de quem quer entrar, abriu-se uma brecha para comprar terra com desconto que a gente não via há décadas.

O capital inteligente está saindo do banco e indo para o barro

Não dá para olhar só para planilha fria de corretora. Tem que ouvir quem entende de “porteira para dentro“. O corretor especialista em imóveis rurais, Bruno Couto, é direto no recado e não faz rodeio: para ele, “2026 é o ano que vai separar quem prospera de quem vai ficar só olhando o vizinho crescer.

Bruno Couto Agrobrokers
Bruno Couto especilista em imóveis rurais – Fazenda em MT avaliada em mais de R$ 200 milhões, sendo vendida pela metade do preço

A lógica é clara: com a Selic sinalizando queda, aquele dinheiro que estava rendendo juros sentado na sombra começa a minguar. “O dinheiro aplicado começa a render menos. E quando o juro cai, o que acontece? O capital se movimenta, né? E para onde ele vai? Para o ativo real, para a terra“, afirma Bruno. Ele destaca que o mercado imobiliário rural está “cansado“, e é justamente nessa exaustão que mora a oportunidade de ouro.

O drama da sucessão e a fazenda “sem dono”

E não é somente guerra ou preço baixo das cotações, um dos motivos que explicam essa liquidação silenciosa de áreas nobres é o fator humano. Tem muito produtor que já deu o que tinha que dar, está maduro e esbarra na falta de sucessor. Os filhos foram para a cidade, a mão de obra está difícil e o desânimo bateu na porta.

Tem muitos sem sucessor, fazendas mudando de mão por falta também de funcionário desanimado. E quando o mercado fica cansado, surge a melhor janela de compra. É no fundo do ciclo que se constrói o patrimônio“, reforça Bruno.

Área boa, produtiva e com preço no chão não aparece quando o mercado está em euforia. Aparece agora, quando o vendedor precisa “reorganizar o caixa” e o comprador tem o fôlego que falta ao vizinho.

Duas safras, logística e o “pulo do gato” nas áreas degradadas

Se o Brasil é o celeiro do mundo, o Mato Grosso é o motor. O empresário e produtor Jorge Pires de Miranda ressalta que o estado permite o que poucos lugares no mundo conseguem: até três safras no mesmo ciclo, entre soja, milho/algodão e capim. Mas ele aponta que o “pulo do gato” hoje está nas áreas de pecuária que ficaram para trás.

Jorge Pires de Miranda

Muitas dessas terras estão degradadas e o custo para recuperar o pasto virou um absurdo. Se a área tem aptidão para agricultura e uma logística minimamente razoável, ela vira o alvo principal. “As propriedades circunvizinhas de onde se tem a agricultura também são áreas que as pessoas não querem perder oportunidade. Se tá à venda, eles fazem um sacrifício e tenta comprar em cima da produtividade que eles têm“, explica Jorge.

De acordo com dados recentes do CEPEA, a margem apertada da soja em 2026 tem forçado essa reorganização. É o momento em que o vizinho estruturado “engole” a área ao lado para ganhar escala.

Guerra lá fora e a asfixia de quem não tem caixa

O cenário global não está para amadores. Com o conflito entre EUA e Irã escalando agora em 2026, o preço do petróleo e dos insumos virou uma incógnita perigosa. Jorge Pires de Miranda alerta para a falta de liquidez que o setor atravessa: “A questão da liquidez, por causa da questão do preço da soja, que tá muito baixo e o custo muito alto… e agora com a tendência até de subir mais ainda, porque essa questão da guerra, onde nós podemos ter uma dificuldade grande na parte de insumos do Irã, da Rússia e de outros países“.

Guerra no Irã e soja em baixa criam "liquidação" de terras em Mato Grosso

Esse aperto financeiro está fazendo com que grandes grupos econômicos, que têm a agricultura como um negócio secundário, decidam “abrir mão” de suas fazendas para salvar suas indústrias ou comércios. É a chance de comprar de quem precisa vender rápido.

O agro não para, mas essa oportunidade sim

A janela está aberta, mas, como tudo no agro, tem época certa. O recado final de Bruno Couto ecoa como um ultimato para quem tem capital disponível: “2026 não é ano de esperar. O agro nunca parou e não vai parar agora. A pergunta é: você vai aproveitar essa janela ou vai olhar para trás depois e dizer: ‘Era hora?’

Oportunidade em Mato Grosso é igual chuva na seca: quando vem, você tem que estar com a represa pronta. O momento de posicionar o patrimônio em solo fértil é agora, enquanto o mercado ainda está “cansado” e os preços refletem a angústia de quem não se planejou.

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