O vai e vem da energia em Esmeraldas causa insegurança para o produtor de queijos e afeta o consumidor final.

Os 5 mil litros de leite que iam ser usados para fazer queijos na Fazenda Santa Helena, localizada na área rural de Esmeraldas, Região Metropolitana de Belo Horizonte, ficaram impróprios para o consumo e foram jogados fora.

Devido à falta de luz, desde as 5h dessa quarta-feira (2/12), a produtora de laticínios, Carla Seixas Lara, viu a produção do dia ir para o ralo e afirma que nos últimos dois meses tem observado uma fase de baixa tensão de energia. Após acionar a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a resposta dada à produtora foi de que não tinha previsão de volta do fornecimento de energia.

De acordo com Carla Lara, a indústria de laticínios fica a 5km do Centro de Esmeraldas e, ao ser construída, foi constatada a necessidade do fornecimento no sistema trifásico para suportar a demanda de energia dos equipamentos. Mesmo atendendo todas as prescrições da Cemig, a queda de energia tem sido constante, causando insegurança no negócio e muitos prejuízos.

Opinião

“Na minha região, só eu estou com o problema diário, sou a única do setor da região, mas meu problema afeta outras pessoas, como fornecedores de leite e clientes que deixo de atender, afetando assim a cadeia de produção do queijo que vai dos insumos até o consumidor final.”

Com o estoque de leites represado, devido à queda de energia na Fazenda Santa Helena, o produtor rural Miguel dos Santos é um dos fornecedores de Carla e afirma que depois de tantas quedas de energia, comprou um gerador para conseguir armazenar o leite. Porém, a capacidade de armazenamento é para um dia. “Quando o laticínio fica sem energia, nós também somos afetados. Hoje estão armazenados 980 litros, esperando a luz voltar para eu fazer a entrega.”

A queda de energia, segundo os moradores, não tem sido só em áreas rurais que utilizam o fornecimento trifásico, que fornecem em média potência de até 75KW (75000W), mas também tem afetado unidades consumidoras que demandam baixa tensão em média, no máximo 8KW (8000W), conhecido como monofásico.

É o caso do produtor rural Arnaldo José Lara. No dia 13 de outuebro, Arnaldo conta que a região ficou das 8h às 22h sem energia e foram feitas diversas solicitações à Cemig, mas quando a luz retornou, o estrago já tinha sido feito. “Forneço leite para um laticínio de Pará de Minas e fizemos a entrega do produto, mas ele já estava fora dos padrões exigidos pela empresa e perdi mais de 2 mil litros, um prejuízo.”

Carla Lara afirma que, para acabar com os prejuízos, ela terá que comprar um gerador de energia. “Somos pequenos produtores de laticínios e um gerador é um investimento caro, mas não vejo outra solução. Penso que nós, pequenos produtores rurais do segmento de laticínios, deveríamos ser mais bem atendidos. A falta de energia tem sido o grande gargalo na nossa região.”