Aprendi que, no Brasil as coisas acontecem com um pouco de atraso em relação ao mercado dos EUA, mas elas acontecem. Então, acompanhei com atenção o que se passava por lá.
Em 1970 haviam 650 mil produtores de leite nos EUA, a maioria pequenos, menos de 100 vacas. Nos anos 2000 este número já havia despencado para 130 mil e a média de vacas ordenhadas subido para 150.
Em 2017 o número de produtores total era de apenas 40 mil e quase quase todos eles com mais de 1000 vacas. Nascia um novo modelo de produzir leite, os produtores industriais ou comerciais.
Os pequenos foram vitimas de um Modelo de Negócio Ultrapassado, dos empréstimos bancários e da pressão de baixa nos preços pelos grandes atacadistas.
Novo Paradigma: Wallmart e Krogers entram no processamento de lácteos
Estes dois gigantes do varejo americano não satisfeitos em tornarem o preço do leite mais baixo que a há dez anos atrás, caindo de 3,80 dólares o galão (3,6 lts) para $3,23 este ano, decidiram instalar modernas e gigantes fábricas de processamento de lácteos em pontos diversos dos EUA. A consequência disto foi que os produtores próximos as fábricas firmaram contratos com o Wallmart e Krogers, nos termos deles e os mais distantes, receberam cartas das cooperativas, comunicando que não mais comprariam o leite deles.
Isto deixou os produtores e as próprias cooperativas sem receitas e os produtores ou encerraram as atividades ou estão vendendo as últimas vacas para os frigoríficos e se derem sorte, para algum produtor de leite para pagarem as contas.
Os produtores que recebiam $1,32 por galão gastando $1,92 e a quatro anos estavam no negativo no leite, invocaram a falência coletiva da categoria e foram aconselhados a venderem tudo o mais rápido possível.
Os Produtores Que Resistem
Produtores corajosos, com capacidade de investir, ou coragem de assumir financiamentos, estão partindo para adaptação a nova realidade. Instalando unidades de engarrafamento e o pior, querendo fazer aquilo que nunca se fez na produção do leite. Vendê-lo para restaurantes, pequenos varejistas ou até para o consumidor final como acontece na Alemanha e Inglaterra.
Pessoalmente acho uma estratégia suicida. Leite é perecível ou você vende ou perde a produção. Americano não bebe este leite UHT que, não é exatamente leite, o preferido dos brasileiros. O leite americano vem em galões de plástico e dura no máximo uns 6 dias, um processo chamado HTST, intermediário entre o “leite de saquinho” e o UHT. Acho que é para incentivar o consumidor a consumir. Aqui o brasileiro deixa o UHT dias e dias (não pode) na geladeira e os laticínios adoram pois, podem produzir e estocar na baixa e vender quando os preços forem às alturas. Lucro certo às custas do produtor.
No Canadá Acontece o Oposto que nos EUA
Os produtores Canadenses vivem numa boa, com o sistema de cotas definido pelo governo , barreiras a importação e um órgão regulador da atividade que tem a participação inclusive de produtores cabendo a ele a decisão dos preços, das cotas de produção e mesmo taxação das importações.



