No mercado paulista, os preços do boi gordo pronto para o abate vêm apresentando uma alta significativamente mais intensa do que os valores praticados para as fêmeas. Esse movimento de valorização acelerada resultou no maior distanciamento de preços entre as duas categorias para um mês de outubro desde o ano de 2022, consolidando uma vantagem expressiva e rentável para a cotação do macho segundo dados do Cepea.
A causa fundamental dessa disparada reside no gargalo da oferta. Desde o início deste ano, a disponibilidade de machos terminação pronta tem se mostrado extremamente restrita nas principais regiões produtoras. O arrocho no fornecimento de machos contrasta diretamente com o cenário observado para as matrizes e novilhas, uma vez que a oferta relativa de fêmeas permanece em patamares mais elevados. Por apresentarem maior volume de disponibilidade nos currais, as fêmeas têm desempenhado um papel central no abastecimento do mercado interno, contendo a alta de suas cotações em comparação ao ritmo acelerado do boi gordo.
Esse descompasso entre a procura das indústrias frigoríficas e a disponibilidade de animais nos pastos e confinamentos tem afetado de forma direta a programação operacional do setor produtivo. As escalas de abate seguem encurtadas em diversas praças pecuárias do país, obrigando os compradores a trabalharem com margens operacionais apertadas. Na parcial registrada neste mês, a média de dias cobertos pelas escalas de abate recuou de forma generalizada quando comparada aos números apurados em setembro, com quedas relevantes observadas nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Pará.




