• Soja (MT)R$ 134,05+0.34%
  • Milho (MT)R$ 43,17-0.96%
  • Algodão (MT)R$ 126,82+0.65%
  • Boi Gordo (MT)R$ 354,00+0.35%
  • Leite (MT)R$ 2,39-0.30%

Pressão de oferta nos EUA derruba Chicago, plantio em MT rompe 75% e dólar estabiliza

A quinta-feira (29) amanhece com o mercado internacional de grãos aprofundando o movimento baixista na Bolsa de Chicago (CBOT). Diante do avanço contínuo e sem intercorrências da colheita nos Estados Unidos, a enxurrada de oferta física imediata combinada com a ausência de novos catalisadores de demanda externa faz a soja ampliar suas perdas nas telas futuras. O milho opera de lado na CBOT com viés moderadamente negativo, enquanto na B3 os contratos oscilam e o físico em Mato Grosso já começa a acusar o peso da pressão estacional.

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Pressão de oferta nos EUA derruba Chicago, plantio em MT rompe 75% e dolar estabiliza

No campo brasileiro, o destaque absoluto continua sendo o ritmo impecável dos trabalhos de plantio da safra 2026/27. Em Mato Grosso, a semeadura superou a marca histórica de 75% da área total prevista, registrando um avanço recorde para o calendário agrícola. No mercado financeiro, após as fortes oscilações da semana pós-eleitoral, o câmbio busca um patamar de acomodação técnica, com o dólar operando estável a R$ 5,345, mantendo favorável a formação da paridade de exportação. Na energia, o petróleo Brent segue firme na faixa de US$ 110, ancorado pelo impasse militar entre Washington e Teerã.

Abaixo, detalho os fundamentos que direcionam os negócios nesta manhã direto da nossa redação em Cuiabá.

Complexo Soja: Falta de demanda e oferta volumosa aceleram perdas na CBOT

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da oleaginosa operam com ampliação de baixas nesta quinta-feira, devolvendo as modestas tentativas de suporte vistas na véspera.

Os operadores internacionais apontam que o mercado enfrenta um quadro clássico de saturação de oferta:

  • Colheita Fluida nos EUA: As condições meteorológicas no Meio-Oeste americano continuam amplamente favoráveis, permitindo aos agricultores locais manter o ritmo acelerado das máquinas na reta final do trabalho de campo.
  • Ausência de Gatilhos: Com grande volume de grão novo entrando no circuito comercial e nenhuma nova rodada de compras expressivas por parte dos importadores chineses, as mesas operacionais desarmam posições compradas, ampliando a pressão negativa sobre as cotações internacionais.

Milho e Trigo: Oscilações na B3 e pressão sobre o balcão em Mato Grosso

O milho segue negociado de lado na CBOT, exibindo leve viés negativo sob a influência da colheita norte-americana.

No mercado financeiro brasileiro, a dinâmica de preços na B3 reflete a divergência entre os prazos:

  • B3 Dividida: No encerramento da última sessão, o contrato novembro/26 subiu 0,68%, fechando a R$ 66,80 por saca, sustentado pela demanda interna pontual. Em contrapartida, o contrato maio/27 recuou 0,84%, cotado a R$ 74,62, expressando o peso da oferta esperada para a safra cheia.
  • Físico Perdendo Fôlego: No balcão físico de Mato Grosso, o milho disponível começou a perder força nas praças do interior, confirmando que a pressão sazonal e a cautela da indústria consumidora começam a atingir diretamente o balcão. Para o trigo, o pregão matinal não traz novidades relevantes de fundamento.

América do Sul: Mato Grosso ultrapassa 75% da área em plantio recorde

No território brasileiro, o desenvolvimento agronômico da safra 2026/27 segue impressionando pela eficiência operacional.

O grande destaque estadual consolida-se em solo mato-grossense:

  • Recorde Histórico: A semeadura em Mato Grosso ultrapassou os 75% da área estimada, marcando um ritmo historicamente sem precedentes para este período do ano.
  • Quadro Hídrico: Salvo ocorrências bastante pontuais de escassez de precipitações em microbacias específicas, o padrão climático tem colaborado ativamente para a emergência e o estabelecimento dos estandes de plantas.

Com a implantação das lavouras adiantada e a moeda norte-americana estabelecida em patamares elevados, o produtor mato-grossense ganha tranquilidade operacional para planejar sua estratégia de comercialização e gerenciar o fluxo de caixa sem precipitação.

Mercado Financeiro: Dólar consolida estabilidade e opera a R$ 5,345

No cenário cambial doméstico, a moeda norte-americana parece ter encontrado uma zona de consolidação de curto prazo após a forte reprecificação de risco provocada pela reeleição presidencial.

Depois de abrir o dia anterior em forte queda e se recuperar até fechar em R$ 5,34, o dólar opera estável nesta manhã, cotado a R$ 5,345 por volta das 9h (horário de MT). As mesas financeiras agora operam em compasso de espera por novidades concretas na formação da equipe econômica e nos sinais da política fiscal, além de acompanhar os reflexos da decisão de juros do Fed nos Estados Unidos. Para o agronegócio, o patamar acima de R$ 5,30 segue atuando como um sustentáculo crucial para a rentabilidade da saca em moeda nacional.

Cenário Geopolítico e Energia: Brent ancorado em US$ 110 à espera de definição entre EUA e Irã

No mercado internacional de energia, os preços dos combustíveis permanecem enraizados em níveis elevados. O barril de petróleo tipo Brent trabalha consolidado na casa dos US$ 110,00, com os operadores globais monitorando os desdobramentos diplomáticos e militares entre Estados Unidos e Irã.

A ausência de uma resolução concreta para os atritos no Oriente Médio impede o alívio dos prêmios de risco na energia, preservando a pressão inflacionária global sobre o óleo diesel, as rotas de frete marítimo internacional e as tabelas de transporte rodoviário para o escoamento agrícola.

Resumo Executivo para o seu radar hoje:

  • Queda da Soja na CBOT: Pressão de oferta gerada pela colheita nos EUA sem novos anúncios de demanda externa faz a soja ampliar perdas em Chicago; milho opera de lado com leve viés de baixa.
  • Plantio Recorde em MT: Semeadura supera 75% da área prevista em Mato Grosso, o ritmo mais rápido já observado para o período, com clima globalmente favorável.
  • Milho B3 e Balcão: Vencimento nov/26 fecha a R$ 66,80 (+0,68%) e maio/27 recua para R$ 74,62 (-0,84%); preço físico disponível em MT começa a perder força.
  • Câmbio Estabilizado a R$ 5,345: Dólar busca um novo patamar de suporte técnico após a volatilidade pós-eleitoral, garantindo paridade atrativa para a exportação de grãos.
  • Brent nos US$ 110,00: Petróleo segue sustentado pelo impasse geopolítico entre EUA e Irã, mantendo custos de frete e insumos no radar de riscos do agronegócio.

A quinta-feira consolida um cenário de grande conforto agronômico e disciplina comercial em Mato Grosso. Com mais de 75% da soja no chão em velocidade recorde, o produtor deve aproveitar a estabilidade do dólar a R$ 5,345 para liquidar parcelas táticas da safra futura e fixar insumos pendentes, blindando-se da fraqueza contínua de Chicago e da acomodação do mercado físico interno. Tenham todos um excelente dia de trabalho e negócios seguros!

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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