Chicago tenta recuperação técnica, Dólar corrige a R$ 5,35 e soja do Brasil ganha vantagem
A quarta-feira (28) abre com o mercado de grãos buscando consolidar um movimento de recuperação na Bolsa de Chicago (CBOT), após a sequência de perdas acumulada nas sessões anteriores. Nas primeiras horas da manhã, tanto a soja quanto o milho operam em campo positivo, impulsionados por ajustes técnicos e recomposição de posições pelas mesas compradoras. Contudo, a ausência de gatilhos novos de demanda internacional e o avanço sem entraves da colheita norte-americana limitam o ímpeto dos investidores.
No cenário macroeconômico doméstico, o mercado financeiro passa por uma realização de lucros: após a forte disparada do início da semana, o dólar registrou recuo de 0,96%, fechando cotado a R$ 5,35. Esse patamar cambial segue sustentando uma paridade de exportação altamente atrativa para o produtor brasileiro, tornando a oleaginosa nacional mais barata e competitiva frente ao grão dos EUA para os compradores chineses. No front internacional, a expectativa concentra-se na decisão sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed), enquanto o barril de petróleo Brent retoma a trajetória de alta, cotado a US$ 111,32.
Abaixo, detalho os fundamentos que comandam a abertura dos negócios nesta quarta-feira direto da nossa redação em Cuiabá.
Complexo Soja: Chicago tenta estancar perdas com suporte limitado pela demanda chinesa
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da oleaginosa operam no terreno positivo nesta manhã. Por volta das 7h30 (horário de MT), as telas registravam valorização entre 3 e 6,75 pontos de alta, buscando recuperar parte do terreno cedido nas últimas jornadas.
Apesar do viés positivo no início do pregão, as mesas operacionais demonstram cautela e aguardam a consolidação de novas estatísticas para assumir posições com maior convicção. Os fundamentos de oferta seguem pressionando o mercado:
Oferta dos EUA: Os trabalhos de campo no cinturão agrícola norte-americano prosseguem em ritmo fluido e sem sobressaltos climáticos relevantes na reta final.
Metas de Exportação: As compras reportadas pela China permanecem distantes do volume estimado dentro dos acordos bilaterais entre Washington e Pequim, impedindo a formação de um rali consistente na bolsa.
Paralelamente, a dinâmica cambial global entra na conta: a elevação recente do dólar frente ao real aumentou o desconto da soja brasileira nos portos em relação ao produto dos Estados Unidos, induzindo os importadores chineses a reduzir o ritmo de contratações no mercado norte-americano.
Milho e Trigo: Cereal opera com ganhos moderados na CBOT
O milho acompanha a toada da soja e apresenta ganhos modestos na abertura de Chicago, oscilando entre 0,5 e 3 pontos de alta.
A movimentação representa uma tentativa de estabilização técnica, mas carece de um catalisador robusto de demanda de curto prazo para engatar um avanço duradouro. O mercado permanece vigilante quanto ao ritmo final das colheitadeiras nos Estados Unidos. Para o trigo, a manhã transcorre sem novidades expressivas no balanço de fundamentos, com os operadores acompanhando a volatilidade cambial e a escalada dos preços no setor energético.
América do Sul: Plantio avança sem sobressaltos e Brasil mantém competitividade
No Brasil, a semeadura da safra 2026/27 evolui de maneira contínua e uniforme, amparada por condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões agrícolas.
No mercado físico interno, a manutenção da taxa de câmbio na faixa de R$ 5,35 preserva uma paridade de exportação vantajosa. A desvalorização acumulada da moeda brasileira confere à produção nacional uma competitividade adicional perante a soja norte-americana, capturando o fluxo de interesse dos importadores em um momento em que a China desacelera as compras nos portos dos EUA.
Mercado Financeiro: Realização de lucros leva o dólar a R$ 5,35 e atenções se voltam ao Fed
No ambiente financeiro nacional, os operadores promoveram um movimento de ajuste e realização de lucros após a forte reprecificação observada na segunda-feira. A moeda norte-americana encerrou a sessão anterior com queda de 0,96%, fechando cotada a R$ 5,35.
No cenário econômico externo, todas as atenções estão concentradas na reunião de política monetária do Federal Reserve. As projeções consensuais do mercado financeiro apontam para a manutenção das taxas básicas de juros dos EUA no intervalo de 3,75% a 4,00% ao ano. A definição ganha relevância adicional por ocorrer a poucos dias das eleições legislativas de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, balizando o apetite global por risco e os fluxos de capital internacional.
Cenário Geopolítico e Energia: Brent sobe a US$ 111,32 e mantém pressão de custos
No mercado internacional de energia, o petróleo retomou o movimento de valorização nesta quarta-feira. O barril do tipo Brent avança nas negociações matinais e trabalha cotado a US$ 111,32 por volta das 7h30 (horário de MT).
A persistência de impasses militares sem perspectiva de resolução diplomática no Oriente Médio e no leste europeu mantém o prêmio de risco geopolítico ativo. Essa sustentação do petróleo em patamares elevados reforça a pressão inflacionária global, influenciando os custos operacionais com diesel, logística rodoviária e insumos agrícolas.
Recuperação em Chicago: Soja sobe de 3 a 6,75 pontos e milho avança de 0,5 a 3 pontos na CBOT, tentando recompor perdas anteriores.
Oferta e Demanda: Colheita nos EUA e semeadura no Brasil fluem sem interrupções; compras chinesas aquém do projetado contêm ralis externos.
Vantagem Competitiva: Dólar elevado favorece a soja brasileira frente à americana nos portos, levando importadores chineses a cadenciar compras nos EUA.
Câmbio a R$ 5,35: Dólar recua 0,96% com realização de lucros; mercado financeiro aguarda manutenção dos juros pelo Fed (3,75%–4,00%) antes das midterms americanas.
Petróleo em Alta: Brent alcança US$ 111,32 sob influência de tensões geopolíticas prolongadas na Europa e no Oriente Médio.
A recomendação para esta quarta-feira é de monitoramento atento da paridade de exportação: mesmo com o recuo técnico do dólar para R$ 5,35, a receita em moeda nacional ainda oferece margem competitiva importante frente aos preços de Chicago. Mantenha a disciplina de comercialização para travar custos e compromissos operacionais, garantindo liquidez enquanto o plantio da safra segue seu curso em Mato Grosso. Ótimos negócios a todos!
Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes
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Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência
Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.