Sete touros PO são fulminados por alta tensão; prejuízo estimado em R$ 160 mil
O rompimento de um cabo da rede elétrica causou a morte instantânea de sete touros reprodutores na tarde da última quarta-feira (14), em uma propriedade rural arrendada às margens da rodovia MS-338, no trecho entre Ribas do Rio Pardo e Camapuã, Mato Grosso do Sul. O gado pertencia ao empresário e pecuarista Geraldo Herance, proprietário do Geraldo Supermercado em Água Clara.
O prejuízo direto com a perda dos reprodutores é estimado em pelo menos R$ 112 mil, podendo chegar a até R$ 160 mil quando somados os custos agregados e o valor global estimado para o lote.
Descarga elétrica no piquete
O acidente ocorreu na Fazenda Nanes quando um dos cabos condutores se desprendeu da rede e caiu energizado no pasto. No momento da queda, os animais ocupavam o piquete. Oito reprodutores conseguiram se afastar a tempo da área de choque elétrico, mas outros sete foram fulminados instantaneamente.
Os animais haviam sido adquiridos em leilão há cerca de dois a três meses para melhoramento genético. O pecuarista lamenta a perda e revela que as parcelas da compra ainda estavam em aberto. “Eu comprei esses touros faz 90 dias. É um prejuízo muito grande. Cada um custou cerca de R$ 16 mil e eu ainda estou pagando por eles.“, explica Geraldo Herance, pecuarista e empresário.
Assita o vídeo em que ele relata essa fatalidade. Aperte o play!
O produtor destacou que a infraestrutura elétrica da área havia recebido manutenção da distribuidora pouco tempo antes do acidente. Segundo Herance, equipes terceirizadas a serviço da concessionária estiveram no imóvel rural cerca de 15 dias antes executando intervenções na fiação.
O caso foi registrado pela administração da fazenda. A assessoria jurídica do produtor foi acionada para formalizar a cobrança administrativa e ingressar com ação de indenização por perdas e danos contra a empresa responsável pela rede.
A Energisa informa que tomou conhecimento do caso ocorrido na zona rural de Ribas do Rio Pardo e que enviou equipes técnicas para verificar o local e apurar as circunstâncias e causas do rompimento da rede.
A empresa acrescentou que as solicitações de ressarcimento de danos elétricos seguem o rito regulatório previsto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), no qual é aberto protocolo de análise técnica e avaliação das condições operacionais registradas no sistema no momento da ocorrência.
Enquadramento jurídico no agronegócio
No campo jurídico, a jurisprudência brasileira aplica a responsabilidade civil objetiva às concessionárias de energia elétrica em casos de fios rompidos em propriedades rurais (artigo 37, § 6º da Constituição Federal).
Isso significa que o pecuarista não tem a obrigação de provar culpa ou falha humana direta dos técnicos; basta comprovar:
O nexo de causalidade entre a queda do cabo condutor energizado e a morte dos animais;
O registro do Boletim de Ocorrência policial;
O laudo necroscópico emitido por médico-veterinário atestando óbito por descarga elétrica;
Notas fiscais de compra, Guias de Trânsito Animal (GTA) e comprovantes de leilão/registros genealógicos para fixação do valor de liquidação do dano material.
Vamos continuar acompanhando os desdobramentos desse caso.
*Com informações de Fatos Regionais
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Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência
Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.