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O encerramento do ciclo citrícola e as perspectivas para o setor

Dany Balieiro
27/02/2026 às 10:11
O encerramento do ciclo citrícola e as perspectivas para o setor

O cenário nos pomares do cinturão citrícola — que abrange as regiões de São Paulo e o Triângulo Mineiro — é de final de jornada

A safra de laranja 2025/26 entra em sua reta final definitiva, consolidando um período marcado por desafios produtivos e uma logística acelerada. Com o calendário avançando sobre o mês de fevereiro, o ritmo de colheita e processamento desacelera drasticamente, sinalizando que o ciclo atual está prestes a se tornar história.

O movimento no campo e nas indústrias

No campo, o cenário é de varredura. As atividades de colheita estão restritas às variedades tardias, mas o volume disponível para retirada é consideravelmente reduzido em comparação aos picos da temporada. Esse esgotamento da oferta reflete-se diretamente no pátio das indústrias de suco. A maioria das plantas processadoras já iniciou o desligamento gradual de suas linhas ou operam com capacidade mínima desde o início do mês.

Atualmente, o processamento está concentrado no cumprimento dos últimos contratos de terceiros e na moagem dos volumes próprios que restam nas propriedades das grandes empresas.

De acordo com o acompanhamento do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura), o panorama é de conclusão iminente:

  • Final de janeiro: O levantamento indicava que restavam apenas 13% do volume total estimado da safra;
  • Final de fevereiro: Estimativas do setor sugerem que esse índice caiu para menos de 5%, evidenciando que a maior parte da fruta já foi transformada em suco ou destinada ao mercado de mesa.

O intervalo operacional e a entressafra

A transição entre os ciclos é um momento de manutenção e planejamento. Com o encerramento da moagem da safra 2025/26 nos próximos dias, as indústrias entram em um período de hiato operacional. Este intervalo é crucial para a revisão de maquinários e ajustes logísticos, preparando a infraestrutura para o próximo grande desafio.

A expectativa é que as engrenagens voltem a girar com força total entre abril e maio. Este retorno marcará o início da temporada 2026/27, impulsionado inicialmente pela entrada das chamadas frutas temporãs — que floresceram fora do período principal — e, logo em seguida, pela colheita das variedades precoces.

Desafios e expectativas para 2026/27

O encerramento precoce de uma safra geralmente traz à tona discussões sobre o equilíbrio entre oferta e demanda global. Com os estoques de suco de laranja em níveis historicamente baixos, o mercado observa atentamente as condições climáticas e fitossanitárias que moldarão a próxima colheita. O foco dos citricultores agora se volta para o manejo rigoroso, especialmente no combate ao greening, e para o monitoramento das chuvas, que serão determinantes para o pegamento dos frutos e a qualidade da safra.

Em suma, o setor se despede de um ciclo de trabalho intenso para mergulhar em um breve período de expectativa, aguardando que o outono traga o vigor necessário para o início de uma nova e promissora etapa na citricultura brasileira. Clique aqui e acompanhe o Agronews.

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