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O detalhe esquecido sobre a alimentação natural dos peixes em tanques

Redação
12/01/2026 às 08:31
O detalhe esquecido sobre a alimentação natural dos peixes em tanques

Por trás da ração e da água limpa tem um ciclo silencioso que quase ninguém explica direito, e muda tudo na fazenda.

Deixa eu te fazer uma pergunta logo de cara, daquelas que coça a cabeça. Quando você pensa em peixe criado em tanque agrícola, o que vem primeiro na mente, ração ou natureza? Pois é, quase todo mundo responde ração. Mas lá no fundo do tanque, num silêncio danado, acontece uma conversa antiga entre peixe, bactéria, planta e água. E ó, não é conversa de boteco, é coisa séria de lavoura, ou melhor, de piscicultura.

Lá na roça, a gente aprende cedo que nada se perde. O que sobra de um vira sustento de outro. Na aquaponia, esse ditado vira regra. A alimentação natural dos peixes em tanques agrícolas não é só o que entra pela boca do peixe, é também o que sai. Já pensou nisso do jeito certo?

Quando o resto vira riqueza

Vamos falar claro, sem frescura. Cocô de peixe vira fertilizante premium. Parece piada, mas é ciência pura. As fezes e a urina dos peixes liberam amônia na água, que é tóxica se ficar acumulada. Aí entram em cena bactérias com nome difícil, tipo Nitrosomonas e Nitrobacter. Elas transformam essa amônia em nitratos, que as plantas bebem como se fosse um caldo verde dos bons.

Isso imita o que acontece em rios selvagens, sem químico, sem mistério. Segundo dados usados pela Embrapa, no dia a dia do produtor, 10 kg de peixes consomem cerca de 150 g de ração por dia, e esse ciclo todo consegue nutrir aproximadamente 6 m² de alface. Agora me diz, quem diria que um tanque de peixe podia virar uma horta tão eficiente assim?

Será que a gente anda subestimando o poder do que é considerado sobra?

A água que não vai embora

Outro detalhe que a cidade quase nunca entende é a economia de água. Em sistema de aquaponia, a água não some pelo ralo. Ela roda, circula, volta limpa pelas plantas. Chega a usar até 90% menos água do que a agricultura tradicional, trabalhando em ciclo fechado.

Em tempos de seca apertando, isso não é luxo, é sobrevivência. Tem produtor reutilizando a mesma água por meses, reduzindo custo e dor de cabeça. E olha a ironia, enquanto muita gente acha que peixe em tanque gasta água demais, na prática o sistema usa apenas um sexto da água e ainda entrega até oito vezes mais comida por hectare. Quem você acha que manda mais nessa história, o clima ou a inteligência do sistema?

Tilápia, a operária silenciosa

Se tem um peixe que virou símbolo disso tudo é a tilápia. Tilápias funcionam como verdadeiras fábricas de verduras. Elas comem ração, crescem saudáveis e os resíduos alimentam hortaliças como alface e tomate. Tudo isso sem hormônios e sem antibióticos, o que muita gente nem imagina.

O consumidor ganha peixe e vegetal limpos, saindo praticamente do mesmo metro quadrado da fazenda. E o produtor ganha dupla renda. Agora me fala, por que ainda tem quem ache que sustentabilidade é coisa distante da realidade do campo?

Plantar sem terra, já pensou?

Aqui vem outra curiosidade que vira o nariz de muito agricultor tradicional. O sistema não usa solo. As plantas crescem com as raízes na água, filtrando naturalmente o que vem dos peixes. Sem terra, somem várias pragas e doenças comuns, e junto com elas vão embora os pesticidas.

É por isso que muita gente chama de produção zero agrotóxico. O produtor monta o sistema em estufas simples e consegue colher o ano inteiro, sem aquela luta constante contra o mato e o barro. Na teoria é bonito, mas tenta fazer com poeira no rosto e custo no talo, né? Pois é, e mesmo assim tem dado certo.

Oxigênio, o fio invisível que segura tudo

Agora presta atenção nesse detalhe, porque ele passa batido. A aeração é chave para peixes, plantas e bactérias. Em clima tropical brasileiro, manter oxigênio dissolvido acima de 5 mg/L é o que mantém o ciclo vivo.

O curioso é que as raízes das plantas também respiram, quase como peixe. Sem oxigênio, tudo desanda. Por isso, no campo, o produtor instala bombas simples, muitas vezes baratas, mas que fazem toda a diferença no equilíbrio diário. Será que a gente valoriza o invisível tanto quanto devia?

Quando o mundo testa e aprova

Isso tudo não ficou só no papel. Em Cuba, perto de Havana, empresários usam aquaponia há anos, produzindo peixe e alface sem fertilizantes químicos. O sistema se mostrou ideal para solos pobres e espaços reduzidos.

No Brasil, produtores adaptaram essa ideia para tanques em pequenas propriedades, vendendo o peixe e a verdura juntos. Duas colheitas, um sistema só. Quem vive de sol a sol sabe o valor disso.

O formato do tanque muda a conversa

E não pense que todo tanque é igual. O tipo de tanque muda o jogo. Na chamada aquaponia de canal, as raízes ficam mergulhadas em tubos com fluxo constante da água dos peixes. Esse modelo é muito usado para morango e ervas.

A surpresa está na verticalização. Em apenas 4 m², dá pra montar um sistema produtivo de tomate, integrando isso à rotina normal da fazenda. Pequeno no espaço, grande na ideia. Será que falta terra ou falta olhar diferente?

No fim das contas, a alimentação natural dos peixes em tanques agrícolas é menos sobre o que o peixe come e mais sobre o que o sistema inteiro conversa entre si. Menos desperdício, mais eficiência, mais renda e alimento limpo na mesa.

Se a terra fala, será que a água também não tá tentando ensinar alguma coisa pra gente?

Agronews é informação para quem produz.

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