Tecnologia social trata esgoto doméstico e reutiliza água para produção agrícola, beneficiando famílias e escolas em oito estados do Semiárido.
Saneamento e irrigação
Um sistema que transforma esgoto em água para irrigação está mudando a vida de famílias no Semiárido brasileiro. O Sistema SARA (Saneamento Ambiental e Reúso de Água) foi desenvolvido pela Secretaria Nacional de Segurança Hídrica do Ministério do Desenvolvimento Regional em parceria com o Instituto Nacional do Semiárido. A tecnologia social trata esgoto doméstico e reutiliza a água tratada para produção agrícola, beneficiando principalmente agricultores familiares e escolas rurais.
Solução para dois problemas
O SARA enfrenta dois desafios críticos da região: escassez hídrica e falta de saneamento básico rural. O sistema coleta e trata o esgoto doméstico até atingir padrões adequados para uso agrícola. A água tratada é então destinada à irrigação de hortas, pomares e áreas agrícolas. Essa abordagem descentralizada permite que cada comunidade tenha sua própria unidade de tratamento, adaptada à realidade local.
Benefícios para agricultores
Além de resolver o problema do esgoto a céu aberto, o sistema traz vantagens econômicas diretas para os produtores. A água de reúso reduz gastos com fertilizantes químicos, pois os nutrientes presentes no efluente tratado enriquecem o solo. Isso aumenta a produtividade agrícola e a renda das famílias atendidas. Estudos do Ministério do Desenvolvimento Regional indicam que o investimento tende a ser recuperado nos primeiros anos de operação, devido à economia com água e insumos agrícolas.
Implementação e custos
O custo do sistema é de aproximadamente R$ 13,4 mil por família, com vida útil estimada em 20 anos. Entre 2020 e 2024, foram implantadas 25 unidades do Sistema SARA em oito estados do Semiárido: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe. As ações beneficiaram diretamente 153 famílias agricultoras e 586 alunos de escolas rurais. Atualmente, outras 32 unidades estão em fase de implantação, com projetos em execução até 2027, totalizando R$ 3,5 milhões em investimentos do Ministério do Desenvolvimento Regional desde o início da iniciativa.



