Entre os temas discutidos no 3º Simpósio Repronutri – Reprodução, Produção e Nutrição de Bovinos: a pesquisa aplicada ao campo, as implicações práticas do bem-estar animal serão o tema da palestra ministrada por Mateus da Costa, professor e pesquisador da UNESP de Jaboticabal (SP)
Organizado pelo Grupo Repronutri, Embrapa e parceiros, o evento discute que aspectos combinados da saúde física, mental e emocional dos rebanhos influenciam a qualidade do produto final.
“A proposta é tratar o bem-estar de forma abrangente, com foco em cinco domínios”, afirma o pesquisador. Essa abordagem busca manter a qualidade de aspectos como nutrição, saúde do rebanho, ambiente, comportamento e estados mentais dos animais – ou seja, como eles se sentem em determinadas situações e sob diferentes estímulos. “Isso funciona de forma integrada, um aspecto não independe do outro. Não adianta melhorar o manejo no curral para ter um ambiente melhor se eu não cuidar da nutrição e saúde”.
O modelo dos cinco domínios (Mellor e Reid, 1994) ganhou mais adeptos nos últimos anos, afirma Costa. “A neurociência mostra que os processos neurais relacionados com os nossos estados de depressão, ansiedade e medo são os mesmos nos animais. A prova cabal disso é que a gente desenvolve medicamentos para uso humano fazendo testes em animais. As relações são diretas: se o animal não está bem por qualquer motivo, ele tem um impacto negativo no desempenho e saúde”. Como exemplo, ele menciona que um estado de stress pode diminuir a eficiência produtiva do animal por reduzir a ingestão de alimentos ou causar má absorção dos nutrientes.
Por que cuidar
Para o pesquisador, bem-estar significa a ausência de sofrimento. “A gente normalmente associa isso a ferimentos, mas não analisa de forma integrada. Não mostra, por exemplo, que um animal com uma deficiência nutricional desenvolve, ao mesmo tempo, um estado emocional negativo. Não há só uma deficiência fisiológica, mas também um impacto na sua psicologia. Isso pode influenciar o ambiente em que ele está, seu relacionamento com os humanos e as dificuldades de manejo. O comportamento pode ficar alterado com o aumento de agressividade ou nervosismo e, com isso, criam-se situações de risco”, diz.
