Nas últimas semanas, uma sobremesa simples e irresistível virou estrela nas redes sociais: o tal “Morango do Amor”. Com visual vibrante, gosto que desperta lembranças e um nome que mistura romantismo e gula, o doce explodiu em popularidade. Tomou conta das vitrines, dos stories e do apetite nacional. Mas há algo que quase ninguém comenta: essa febre não nasceu no feed – começou lá no campo, entre estufas, terra molhada e mãos calejadas de quem vive do cultivo de morangos.

Morango do Amor: A origem do doce que encantou o Brasil

A receita? Nada mirabolante. Morango fresco, brigadeiro branco, calda vermelha brilhante – lembra a maçã do amor, só que com uma nova camada de desejo. A combinação do azedinho da fruta com o doce cremoso conquistou paladares e, mais ainda, algoritmos. Só em julho, os pedidos cresceram absurdamente: mais de 2.300%. Passaram de 11 mil para mais de 257 mil unidades vendidas num único mês. Em pouco tempo, mais de 10 mil estabelecimentos já estavam surfando nessa onda açucarada.

Mas esse amor começa no campo! Essa febre urbana começou com o pé na terra.

Morango do Amor: O que não te contaram sobre essa sobremesa

Enquanto nas cidades o doce virava sensação, no campo, a procura pelo ingrediente principal disparava. Em Campo Grande (MS), por exemplo, uma bandeja de 750g de morangos chegou a custar R$ 76,99. Mas, curiosamente, quem mais trabalha nem sempre é quem mais lucra. O produtor, aquele que planta e colhe, recebe cerca de R$ 18 por uma caixa com quatro bandejas. O dinheiro grande, como quase sempre, fica com os intermediários – aqueles que compram barato e vendem com margem. Coisas de mercado.

O Brasil que planta com identidade

O morango tem raiz forte por aqui. Minas Gerais é o maior produtor nacional, com destaque para cidades do Sul do estado como Bom Repouso, Estiva e Pouso Alegre – que juntas, concentram mais de 41% da produção brasileira. São cerca de 3.600 hectares só em Minas, produzindo quase 185 mil toneladas ao ano. Boa parte disso? Vem da agricultura familiar.

Logo atrás, o Rio Grande do Sul mantém uma produção robusta na Serra Gaúcha. Números que não contam só sobre economia, mas falam de tradição, comunidade e resiliência.

Distribuição percentual da produção de morangos no Brasil:

  • Minas Gerais – 41,4%: Principal polo produtor, com destaque para o Sul do estado (Bom Repouso, Estiva, Pouso Alegre). Produção familiar e tecnificada.
  • Rio Grande do Sul – 25,6%: Forte presença na Serra Gaúcha, especialmente nas cidades de Farroupilha, Caxias do Sul e Vacaria.
  • São Paulo – 12,7%: Produção concentrada no interior, com destaque para Atibaia e Jundiaí, abastecendo o grande mercado consumidor da capital.
  • Paraná – 10,5%: Presente nas regiões mais frias do estado, com cultivos em sistemas protegidos.
  • Demais estados (SC, ES, RJ, DF e outros) – 9,8%: Produção pulverizada, muitas vezes voltada ao consumo local e ao turismo rural.

O que a vitrine não mostra

Morango do Amor: O que não te contaram sobre essa sobremesa

Apesar da importância crescente dada ao morango do amor, os pequenos produtores ainda enfrentam barreiras sérias. Muitas das variedades que dão mais produtividade, como a “Aromas“, são importadas. Técnicas modernas, como a fertirrigação (mistura de irrigação com fertilizante), são quase obrigatórias para manter a qualidade que o mercado pede.

A boa notícia? Conhecimento está sendo compartilhado. Programas como os da Emater-MG vêm capacitando produtores para melhorar rendimento e lucratividade. Mas ainda falta ponte entre o sucesso comercial e o reconhecimento no campo.

Algumas curiosidades para mastigar com calma

Tecnicamente, o morango não é fruta. O que a gente come é o receptáculo da flor. As sementinhas na casca? Esses sim são os verdadeiros frutos.

Morango do Amor: O que não te contaram sobre essa sobremesa

Em 2021, o Brasil figurava como o 8º maior produtor mundial de morangos (dados da FAO). Nosso país é o maior produtor de morangos da América do Sul, superando países como Japão, Itália e Coreia do Sul em termos de produção anual, de acordo com dados apurados pela Embrapa com colaboração de outras instituições brasileiras.

Mesmo com tanta produção, o consumo per capta ainda é baixo. O brasileiro consome em média apenas 150g de morango por ano – menos que uma bandejinha.