Sem dados oficiais de novas tarifas em 2026, o impacto aparece na margem, não no papel.
O produtor de milho entra em 2026 ouvindo muito barulho sobre frete caro, reajuste de tabela e aperto logístico. O ponto é que, até agora, não existem dados oficiais que confirmem novas tarifas de frete rodoviário em 2026. Cepea, Imea, Conab e demais fontes prioritárias não publicaram números específicos sobre aumento ou mudança estrutural no custo do frete.
Mesmo assim, o frete pesa. E pesa porque o mercado de milho está trabalhando com preço pressionado, oferta grande e margem curta. Na prática, qualquer variação logística vira desconto direto no bolso do produtor, principalmente fora do eixo exportador.
Onde o milho está sendo negociado e o que isso diz sobre frete
No mercado físico, os preços do milho no início de janeiro de 2026 mostram um viés lateral a levemente negativo, segundo dados do Cepea. Em Campinas (SP), a referência foi de R$ 69,13 por saca em 06/01/2026, passando para R$ 68,94 em 08/01 e R$ 68,84 em 12/01, com quedas diárias e mensais moderadas.
Na B3, os contratos refletem essa cautela. Janeiro/2026 gira em torno de R$ 68,80 por saca, março/2026 em R$ 72,20, maio/2026 em R$ 71,55 e julho/2026 em R$ 70,07. Ou seja, não há prêmio forte para carregar milho, o que limita a capacidade de absorver custos adicionais de frete.
No Mato Grosso, os preços de paridade de exportação divulgados pelo Imea mostram valores bem mais baixos, como R$ 44,74 em Campo Verde e R$ 37,76 em Campos de Júlio para julho/2026. Aqui, o frete não é detalhe: ele define se a conta fecha ou não.
Frete não oficial, impacto bem real no custo
Mesmo sem anúncio de novas tarifas oficiais, o produtor sente o frete mais pesado por outros caminhos. O principal é a relação entre oferta e logística. A safra 2025/26 caminha para área recorde de 22,7 milhões de hectares, com a segunda maior produção da história, segundo a Conab. O milho segunda safra responde por cerca de 80% da oferta nacional.
Quando muito milho chega ao mesmo tempo, a disputa por caminhão aumenta. Não precisa de nova tabela para o custo subir na prática. O embarcador paga mais para garantir escoamento, ou aceita desconto maior no preço do grão.
O produtor sente isso no bolso quando o comprador ajusta o preço CIF para baixo alegando custo logístico maior. Não aparece como “tarifa nova”, mas vira basis mais fraco.
Custos, margem e o limite de repasse
Com preços futuros abaixo dos picos da safra anterior e consumo doméstico forte, mas já precificado, a margem do milho em 2026 fica sensível. Etanol de milho e proteínas animais seguem demandando volume, porém não sustentam alta expressiva de preço no curto prazo.




