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Milho sente o peso do frete mesmo sem novas tarifas confirmadas

Redação
13/01/2026 às 18:16
Milho sente o peso do frete mesmo sem novas tarifas confirmadas

Sem dados oficiais de novas tarifas em 2026, o impacto aparece na margem, não no papel.

O produtor de milho entra em 2026 ouvindo muito barulho sobre frete caro, reajuste de tabela e aperto logístico. O ponto é que, até agora, não existem dados oficiais que confirmem novas tarifas de frete rodoviário em 2026. Cepea, Imea, Conab e demais fontes prioritárias não publicaram números específicos sobre aumento ou mudança estrutural no custo do frete.

Mesmo assim, o frete pesa. E pesa porque o mercado de milho está trabalhando com preço pressionado, oferta grande e margem curta. Na prática, qualquer variação logística vira desconto direto no bolso do produtor, principalmente fora do eixo exportador.

Onde o milho está sendo negociado e o que isso diz sobre frete

No mercado físico, os preços do milho no início de janeiro de 2026 mostram um viés lateral a levemente negativo, segundo dados do Cepea. Em Campinas (SP), a referência foi de R$ 69,13 por saca em 06/01/2026, passando para R$ 68,94 em 08/01 e R$ 68,84 em 12/01, com quedas diárias e mensais moderadas.

Na B3, os contratos refletem essa cautela. Janeiro/2026 gira em torno de R$ 68,80 por saca, março/2026 em R$ 72,20, maio/2026 em R$ 71,55 e julho/2026 em R$ 70,07. Ou seja, não há prêmio forte para carregar milho, o que limita a capacidade de absorver custos adicionais de frete.

No Mato Grosso, os preços de paridade de exportação divulgados pelo Imea mostram valores bem mais baixos, como R$ 44,74 em Campo Verde e R$ 37,76 em Campos de Júlio para julho/2026. Aqui, o frete não é detalhe: ele define se a conta fecha ou não.

Frete não oficial, impacto bem real no custo

Mesmo sem anúncio de novas tarifas oficiais, o produtor sente o frete mais pesado por outros caminhos. O principal é a relação entre oferta e logística. A safra 2025/26 caminha para área recorde de 22,7 milhões de hectares, com a segunda maior produção da história, segundo a Conab. O milho segunda safra responde por cerca de 80% da oferta nacional.

Quando muito milho chega ao mesmo tempo, a disputa por caminhão aumenta. Não precisa de nova tabela para o custo subir na prática. O embarcador paga mais para garantir escoamento, ou aceita desconto maior no preço do grão.

O produtor sente isso no bolso quando o comprador ajusta o preço CIF para baixo alegando custo logístico maior. Não aparece como “tarifa nova”, mas vira basis mais fraco.

Custos, margem e o limite de repasse

Com preços futuros abaixo dos picos da safra anterior e consumo doméstico forte, mas já precificado, a margem do milho em 2026 fica sensível. Etanol de milho e proteínas animais seguem demandando volume, porém não sustentam alta expressiva de preço no curto prazo.

O frete, nesse cenário, não consegue ser repassado para frente. A indústria compra no limite da paridade e a exportação opera com concorrência forte no mercado internacional. O resultado é simples: qualquer custo extra sai da margem do produtor.

  • Quem está longe do porto sente mais.
  • Quem vende no pico da colheita perde poder de barganha.
  • Quem não travou preço fica exposto ao desconto logístico.

Clima, oferta concentrada e pressão logística

Além do volume, o clima entra na conta. A irregularidade de chuvas e temperaturas elevadas no Centro-Oeste atrasam a colheita da soja e encurtam a janela de plantio do milho segunda safra. Isso aumenta o risco de uma colheita mais concentrada no tempo.

Colheita concentrada significa fila em armazém, disputa por caminhão e pressão sobre o frete spot. Mesmo sem números oficiais, o efeito prático é conhecido por quem já passou por safras cheias.

Câmbio e exportação ajudam, mas não resolvem tudo

No mercado externo, o cenário é um pouco mais favorável. A produção mundial em 2025/26 cresce, mas a relação estoque/consumo global fica mais ajustada, segundo o USDA. As exportações brasileiras seguem competitivas, apoiadas por uma curva mais firme em Chicago no primeiro semestre de 2026.

Isso ajuda a dar saída ao excedente doméstico, mas não elimina o gargalo logístico interno. O câmbio pode até melhorar a paridade de exportação, mas o frete interno continua sendo o filtro final do preço recebido na fazenda.

O que dá para fazer na prática na fazenda

Sem dados oficiais de novas tarifas, a estratégia precisa ser defensiva. O produtor não controla o frete, mas pode reduzir a exposição ao pior momento do mercado.

  1. Evitar concentração total de venda na colheita, quando o frete aperta e o desconto é maior.
  2. Usar a B3 para trava parcial, garantindo margem mínima antes de conhecer o custo final de logística.
  3. Avaliar barter com critério, comparando o frete embutido no pacote.
  4. Negociar base local com mais de um comprador, mesmo que a diferença pareça pequena.

O ponto é que, em 2026, o impacto do frete no milho não vem de uma canetada oficial, mas da combinação de safra grande, logística apertada e mercado sem prêmio. Quem entende isso antes consegue proteger margem.

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