Entressafra, estoques baixos e consumo aquecido mantêm o mercado firme no curto prazo.
O mercado de etanol entrou o início de ano com um recado claro para quem produz e comercializa: o preço segue firme, sustentado por oferta curta e uma demanda que não dá sinal de arrefecimento. Para o produtor e para a usina, o desafio imediato é ler até onde vai essa firmeza e como transformar esse momento em margem, sem perder competitividade lá na frente.
O que está puxando os preços do etanol agora?
Os dados do Cepea/Esalq mostram uma sequência consistente de altas, especialmente no hidratado no mercado paulista. Entre 29 de dezembro de 2025 e 2 de janeiro de 2026, o etanol hidratado foi negociado a R$ 2,9561 por litro, valor líquido de impostos, com alta de 0,9% frente à semana anterior. Na semana imediatamente seguinte, de 30 de dezembro a 3 de janeiro, o indicador apontou R$ 2,6712 por litro, avanço de 0,99%.
No anidro, o movimento é semelhante. O indicador Cepea/Esalq registrou R$ 3,3688 por litro no período de 29 de dezembro de 2025 a 2 de janeiro de 2026, com valorização semanal de 0,59%, valor mantido no indicador de 29 de janeiro de 2026, sem PIS/Cofins.
Na prática, o produtor sente isso no bolso porque a oferta está curta. Estamos em plena entressafra no Centro-Sul, com estoques reduzidos e compradores mais ativos para garantir produto.
Mercado físico mais disputado no Centro-Sul
Um bom termômetro da disputa no mercado físico é Paulínia, principal polo de comercialização do país. O etanol hidratado CIF, sem impostos, foi negociado a R$ 3,1220 por litro em meados de janeiro de 2026, com alta diária de 1,8% e avanço de 2,8% na semana.
Esse movimento não acontece por acaso. Segundo o Cepea, o hidratado em São Paulo já acumula 12 semanas consecutivas de alta, reflexo direto da combinação entre entressafra, estoques baixos e demanda aquecida para consumo e reposição.
Custos, margens e a conta da usina
Do lado da usina, o ponto é que preços mais altos ajudam a aliviar margens em um momento de custos ainda pressionados. Mesmo sem dados recentes oficiais de frete ou insumos, a lógica é clara: com menos cana disponível e necessidade de diluir custos fixos, cada centavo a mais no litro vendido faz diferença no caixa.
Para quem está mais exposto ao hidratado, o cenário é um pouco mais confortável no curto prazo. Já no anidro, a atenção fica redobrada com a dinâmica da gasolina e decisões de política de preços.
Clima, oferta e o peso da entressafra
Entre janeiro e março, a entressafra no Centro-Sul costuma ser o principal fator de sustentação dos preços, e nesta temporada não está sendo diferente. O Cepea destaca que a oferta apertada deve continuar dando suporte às cotações até pelo menos março de 2026.
O que muda a conversa é o olhar mais à frente. Para a safra 2026/27, há projeção de moagem em torno de 625 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul. Se esse volume se confirmar, a maior oferta tende a pressionar os preços mais adiante, principalmente se a demanda não crescer no mesmo ritmo.
Câmbio, exportação e demanda global
Mesmo sem números recentes oficiais de câmbio ou exportação no radar, a expectativa de alta demanda global aparece de forma indireta no mercado doméstico. Países que buscam reduzir emissões e ampliar o uso de biocombustíveis acabam influenciando o humor do mercado, especialmente na formação de estoques e na disposição de compra.
Não é um efeito imediato como no mercado de grãos em Chicago, mas funciona como pano de fundo, reforçando a percepção de que o etanol segue estratégico.
Gasolina: apoio e risco ao mesmo tempo
Um fator-chave neste início de ano foi o repasse do ICMS da gasolina, que subiu R$ 0,10 por litro desde 1º de janeiro de 2026, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro. Esse aumento melhora a competitividade do etanol hidratado, especialmente no Centro-Sul, e ajuda a sustentar a demanda.
Por outro lado, existe um risco claro. Os preços da gasolina da Petrobras estão cerca de 18,3% acima da paridade de importação. Se houver ajuste para baixo, o espaço do etanol pode diminuir, limitando novas altas no mercado.
Estratégias práticas para o produtor e a usina
Com esse cenário, algumas decisões práticas ganham peso:
- Gestão de vendas: aproveitar o mercado firme da entressafra para negociar volumes com melhor remuneração, sem comprometer totalmente a oferta futura.
- Leitura da gasolina: acompanhar de perto qualquer sinal de mudança nos preços da Petrobras, que pode virar o mercado rapidamente.
- Planejamento de safra: já considerar o impacto de uma moagem maior em 2026/27 na formação de preços e margens.
- Liquidez e caixa: usar o momento de preços sustentados para reforçar fluxo de caixa e reduzir exposição a oscilações mais à frente.
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O recado do mercado é simples: o curto prazo é firme, mas o médio prazo exige cautela. Quem ler bem esse momento consegue transformar preço em margem.
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