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Café arábica sente clima e testa suporte nas cotações

Redação
13/01/2026 às 19:49
Café arábica sente clima e testa suporte nas cotações

Déficit climático ainda pesa na oferta, mas mercado cobra cautela na venda.

O café arábica começou 2026 com preço alto, mas andando de lado para baixo. A queda recente nas cotações não significa mudança estrutural de mercado, e sim ajuste em um cenário ainda apertado. O desafio imediato para o produtor é decidir quando vender em um mercado volátil, com oferta curta, poucos compradores e muita sensibilidade a qualquer sinal de clima.

O que está acontecendo com os preços do café agora?

Os dados do Cepea mostram uma sequência de ajustes negativos no curto prazo. Em 7 de janeiro de 2026, o arábica tipo 6, posto em São Paulo, foi cotado a R$ 2.263,04 a saca de 60 kg, com alta diária. No dia 8, o preço ficou praticamente estável, a R$ 2.266,21.

A partir daí, o mercado perdeu fôlego. Em 9 de janeiro, a cotação caiu para R$ 2.225,39, com baixa diária de 1,80%. Já em 12 de janeiro, o valor recuou novamente para R$ 2.205,19, queda de 0,91% no dia. Mesmo assim, no acumulado do mês, o café ainda registra alta de 1,40%.

O ponto central é que a tendência recente é de queda, mas o suporte permanece firme. Segundo o Cepea, isso acontece porque a oferta segue restrita e os estoques continuam apertados. Não há excesso de café disponível para pressionar preços de forma mais agressiva.

Oferta curta segura o mercado, mesmo com ajuste técnico

Na prática, o produtor sente no bolso que o mercado não desaba porque não tem café sobrando. O déficit climático observado em anos anteriores comprometeu a produção e deixou marcas no parque cafeeiro. Esse efeito não some de uma safra para outra.

O Cepea destaca que déficits climáticos ocorridos há cerca de cinco anos seguem influenciando a volatilidade em 2026. Isso explica por que qualquer movimento de baixa encontra resistência. O mercado ajusta, mas não encontra espaço para quedas profundas.

Além disso, o início de 2026 ainda carrega o efeito de um mercado travado no fim de 2025, com poucos compradores ativos. Indústrias e exportadores operam com cautela, esperando sinais mais claros da próxima safra antes de se posicionar de forma mais agressiva.

Custo de produção alto muda a lógica de venda

Com os preços do café em patamares historicamente elevados em termos reais, a conta do produtor não é apenas olhar o preço da saca. O custo de produção segue alto, e isso muda completamente a estratégia.

O Cepea aponta que os recordes observados em 2025 ajudaram a sustentar níveis elevados de preço. Mesmo com a correção recente, o valor da saca ainda garante margem para muitos produtores. O risco está em vender tudo de uma vez e ficar descoberto se o mercado voltar a subir.

Na prática, o que faz sentido é avaliar:

  • custo médio real da fazenda;
  • necessidade de caixa no curto prazo;
  • volume disponível versus risco climático à frente.

Venda escalonada e uso de travas continuam sendo ferramentas importantes neste cenário.

Clima segue como principal gatilho de volatilidade

O clima continua sendo o fator mais sensível para o café. O déficit climático do passado recente reduziu o potencial produtivo e aumentou a instabilidade dos preços. Em 2026, isso ainda se reflete no mercado.

Para a safra 2026/27, cuja colheita começa após maio de 2026, o cenário climático é mais favorável até o momento. A expectativa, segundo o Cepea, é de recuperação gradual do parque cafeeiro, com foco no enchimento de grãos.

Mas o mercado ainda não precifica essa recuperação de forma plena. Falta visibilidade. Sem dados consolidados de produção e com o enchimento de grãos ainda em andamento, qualquer mudança no clima pode gerar reações rápidas nas cotações.

Câmbio ajuda, mas não resolve tudo

Quando o preço interno é convertido para dólar, o café brasileiro segue competitivo. Em 12 de janeiro de 2026, o valor médio foi de US$ 410,65 por saca, enquanto no dia 9 estava em US$ 414,64, segundo o Cepea.

O câmbio, próximo de R$ 5,37 por dólar no dia 12, ajuda a sustentar as exportações. Mas o produtor precisa entender que o câmbio não compensa sozinho problemas de oferta. Se a produção não responde, o mercado segue firme, independentemente da oscilação cambial.

A ausência de referências recentes de Chicago nas fontes oficiais priorizadas reforça que o foco do mercado está no físico brasileiro, não em movimentos especulativos externos.

Como o produtor pode se posicionar agora?

O recado do mercado é claro: cautela. O Cepea alerta para elevada volatilidade ao longo de 2026, justamente pela combinação de oferta restrita e clima ainda indefinido.

Algumas estratégias práticas fazem sentido neste momento:

  • evitar vender grandes volumes em momentos de ajuste técnico;
  • acompanhar de perto o enchimento de grãos da próxima safra;
  • usar vendas parciais para garantir caixa e manter exposição;
  • avaliar travas quando o preço cobre custo e gera margem confortável.

O que muda a conversa é esperar mais clareza sobre a safra brasileira e o comportamento da demanda. Até lá, o mercado deve continuar nervoso, com movimentos rápidos para cima e para baixo.

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