Déficit climático ainda pesa na oferta, mas mercado cobra cautela na venda.
O café arábica começou 2026 com preço alto, mas andando de lado para baixo. A queda recente nas cotações não significa mudança estrutural de mercado, e sim ajuste em um cenário ainda apertado. O desafio imediato para o produtor é decidir quando vender em um mercado volátil, com oferta curta, poucos compradores e muita sensibilidade a qualquer sinal de clima.
O que está acontecendo com os preços do café agora?
Os dados do Cepea mostram uma sequência de ajustes negativos no curto prazo. Em 7 de janeiro de 2026, o arábica tipo 6, posto em São Paulo, foi cotado a R$ 2.263,04 a saca de 60 kg, com alta diária. No dia 8, o preço ficou praticamente estável, a R$ 2.266,21.
A partir daí, o mercado perdeu fôlego. Em 9 de janeiro, a cotação caiu para R$ 2.225,39, com baixa diária de 1,80%. Já em 12 de janeiro, o valor recuou novamente para R$ 2.205,19, queda de 0,91% no dia. Mesmo assim, no acumulado do mês, o café ainda registra alta de 1,40%.
O ponto central é que a tendência recente é de queda, mas o suporte permanece firme. Segundo o Cepea, isso acontece porque a oferta segue restrita e os estoques continuam apertados. Não há excesso de café disponível para pressionar preços de forma mais agressiva.
Oferta curta segura o mercado, mesmo com ajuste técnico
Na prática, o produtor sente no bolso que o mercado não desaba porque não tem café sobrando. O déficit climático observado em anos anteriores comprometeu a produção e deixou marcas no parque cafeeiro. Esse efeito não some de uma safra para outra.
O Cepea destaca que déficits climáticos ocorridos há cerca de cinco anos seguem influenciando a volatilidade em 2026. Isso explica por que qualquer movimento de baixa encontra resistência. O mercado ajusta, mas não encontra espaço para quedas profundas.
Além disso, o início de 2026 ainda carrega o efeito de um mercado travado no fim de 2025, com poucos compradores ativos. Indústrias e exportadores operam com cautela, esperando sinais mais claros da próxima safra antes de se posicionar de forma mais agressiva.
Custo de produção alto muda a lógica de venda
Com os preços do café em patamares historicamente elevados em termos reais, a conta do produtor não é apenas olhar o preço da saca. O custo de produção segue alto, e isso muda completamente a estratégia.
O Cepea aponta que os recordes observados em 2025 ajudaram a sustentar níveis elevados de preço. Mesmo com a correção recente, o valor da saca ainda garante margem para muitos produtores. O risco está em vender tudo de uma vez e ficar descoberto se o mercado voltar a subir.
Na prática, o que faz sentido é avaliar:
- custo médio real da fazenda;
- necessidade de caixa no curto prazo;
- volume disponível versus risco climático à frente.
Venda escalonada e uso de travas continuam sendo ferramentas importantes neste cenário.




