Oferta curta sustenta preços internos, mas a cota chinesa exige estratégia fina de venda.
O mercado do boi gordo entra em 2026 com dois vetores claros puxando em direções diferentes. De um lado, a oferta curta de animais prontos segura o preço no mercado físico. Do outro, a crise chinesa, materializada na cota de importação para o ano calendário, limita o crescimento das exportações e trava decisões ao longo da cadeia. O desafio imediato do produtor é entender até onde dá para segurar boi, como negociar com frigorífico e qual o risco real de depender demais da China.
O que os preços estão dizendo neste começo de ano
Os números do mercado deixam claro que não existe pressão forte de baixa neste início de janeiro. O Indicador CEPEA/B3 do boi gordo à vista em São Paulo foi de R$ 319,40/@ em 09/01/2026, com estabilidade na primeira semana do mês. No mercado a prazo, o valor ficou em R$ 323,32/@ na mesma data.
Na B3, os contratos futuros mostram um mercado lateralizado, sem euforia, mas também sem pânico. Em 09/01/2026, o janeiro/26 estava em R$ 318,05/@, fevereiro/26 em R$ 318,45/@ e março/26 em R$ 319,35/@. Na prática, isso indica que o mercado já precifica uma oferta curta no curto prazo, mas não enxerga espaço para grandes altas enquanto a exportação estiver em compasso de espera.
O ponto é que o preço interno está fazendo seu papel de equilíbrio. Ele não dispara porque a indústria está cautelosa, mas também não cede porque falta boi pronto na praça.
Custos apertados e margem no limite da porteira para dentro
Mesmo com o boi sustentado, a conta do produtor segue justa. Os custos de produção continuam elevados e comprimem a margem, especialmente para quem depende mais de suplementação ou confinamento. A retenção de fêmeas já foi menor em ciclos anteriores, o que hoje se reflete em menos bezerro e menos boi terminado disponível.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando precisa decidir entre vender agora ou tentar alongar escala. Segurar boi tem custo, seja de pasto, seja de ração. Mas vender em um mercado travado pela exportação também limita o poder de barganha. É uma escolha de risco controlado, não de aposta.
Clima e oferta curta seguem como base do mercado
Do lado da oferta, o cenário segue apertado. Análises do CEPEA indicam que o clima adverso dificultou a recuperação das pastagens e atrasou a reposição do rebanho. Isso reduz a disponibilidade de animais prontos ao longo da safra 2025/26.
Além disso, os abates intensos realizados anteriormente enxugaram a base de bezerros e novilhos. O resultado é simples de entender dentro da porteira: menos boi chegando no ponto ideal de abate, frigoríficos com escalas curtas e pecuaristas mais firmes na pedida.
Essa combinação ajuda a sustentar o mercado físico mesmo em um ambiente externo mais complicado. Sem essa oferta restrita, o impacto da crise chinesa já teria aparecido com mais força nos preços.
Exportação e câmbio: China segue central, mas com freio
A grande mudança estrutural para 2026 está na exportação. A China impôs uma cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina brasileira para o ano calendário de 2026. Isso cria um teto claro para os volumes embarcados e aumenta a incerteza para quem depende desse canal.




