O Indicador Cepea/Esalq do milho fechou a terça-feira a R$ 64,99 por saca de 60 kg, rompendo o piso de R$ 65,00 em meio ao avanço da colheita da safrinha nos estados produtores e à pressão vinda do mercado externo.
O milho volta ao centro do debate do mercado financeiro do agro nesta quarta-feira com uma sinalização clara de pressão baixista. O Indicador Cepea/Esalq recuou 0,61% no fechamento de terça-feira, para R$ 64,99, depois de ter passado a semana anterior ensaiando sustentação no patamar de R$ 65. O movimento reflete o avanço da colheita da safrinha nas regiões produtoras e a acomodação das ofertas no mercado físico.
Safrinha avança e oferta aperta as cotações no físico
O avanço da colheita da segunda safra de milho em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul começa a se refletir nas cotações disponíveis. Em Sorriso, principal praça do médio-norte de MT, o preço ficou em R$ 42,50 por saca, estável, mas pressionado pelo aumento da oferta local. Em Campo Novo do Parecis, a saca saiu a R$ 44,05, e em Tangará da Serra, a R$ 44,70.
O contraste com as praças do Sul e do Sudeste revela a dimensão logística do mercado brasileiro de milho. Em Castro, no Paraná, a saca foi negociada a R$ 64,00, enquanto em Campinas o preço chegou a R$ 66,00. No Rio Grande do Sul, Não-Me-Toque registrou R$ 58,00, com alta de 1,75% na parcial, sinalizando demanda firme da indústria de rações e avicultura na região.
No oeste da Bahia, importante fronteira agrícola do Matopiba, o milho foi cotado a R$ 54,34. Já no porto de Paranaguá, referência para exportação, o disponível ficou em R$ 68,00, mostrando que a paridade de exportação ainda sustenta um piso para o produto que sai do país.
Avanço da colheita da safrinha pressiona cotações do milho disponível nas principais praças de Mato Grosso
IMEA mostra milho disponível pressionado em todas as regiões de MT
Levantamento do IMEA para o milho disponível em Mato Grosso confirma o cenário de oferta crescente. Na região de Lucas do Rio Verde, o preço ficou em R$ 41,30 por saca, o menor entre as praças monitoradas. Canarana registrou R$ 42,45 e Sapezal, R$ 44,25. No sul do estado, Rondonópolis teve a maior cotação entre as regiões do IMEA, a R$ 47,00, beneficiada pela proximidade do corredor de exportação.
Os dados do IMEA reforçam que a pressão baixista está concentrada nas regiões de maior produção, onde a colheita da safrinha avança mais rapidamente. O spread entre o milho disponível em MT e o negociado em Campinas supera R$ 20 por saca, refletindo os custos de frete e a margem de comercialização.
Chicago recua mais de 1% e B3 acompanha a pressão externa
Na Bolsa de Chicago, o milho fechou a terça-feira em queda generalizada. O contrato julho/2026 recuou 1,24%, para US$ 4,5750 por bushel. Setembro/2026 caiu 1,17%, para US$ 4,6425, e dezembro/2026 recuou 0,92%, para US$ 4,8200. O movimento foi influenciado pelo bom ritmo de plantio da safra americana e pela ausência de novos fatores climáticos relevantes no Meio-Oeste dos Estados Unidos.
Na B3, os futuros do milho acompanharam o movimento externo. O contrato julho/2026 fechou a R$ 66,15 por saca, queda de 0,65%. Setembro/2026 recuou 0,79%, para R$ 68,95, e janeiro/2027 caiu 0,54%, para R$ 74,24. Março/2027 ficou em R$ 75,41, com recuo mais moderado de 0,16%, sinalizando que o mercado precifica um aperto sazonal da oferta no médio prazo.
Dólar firme ameniza queda em reais e dá fôlego ao produtor
O dólar comercial fechou a terça-feira cotado a R$ 5,02 na PTAX do Banco Central, em leve alta de 0,18% no dia. O câmbio firme funciona como amortecedor parcial para o produtor brasileiro, especialmente para quem tem operações atreladas à exportação. Cada centavo de alta no dólar representa ganho direto na receita em reais de quem negocia milho no mercado externo.
Para os próximos dias, o mercado acompanha de perto o ritmo da colheita da safrinha no Centro-Oeste, as condições climáticas para o desenvolvimento das lavouras tardias e o comportamento da demanda interna, especialmente do setor de rações e da produção de etanol de milho. O clima segue como variável central a queda de temperatura prevista para o Sul pode reduzir o ritmo de desenvolvimento das lavouras, enquanto o tempo seco em MT favorece a colheita.
A decisão de venda do produtor continua sendo um dilema entre a necessidade de fluxo de caixa e a expectativa de preços melhores nos próximos meses. Com o Indicador Cepea/Esalq abaixo de R$ 65 e a safrinha ganhando escala, a tendência imediata é de manutenção da pressão baixista, salvo eventos climáticos imprevistos ou mudança no cenário externo.