Satélites do serviço europeu Copernicus detectaram neste mês de maio uma elevação acelerada do nível do mar no Pacífico Equatorial que segue o mesmo padrão observado em 1997, ano do Super El Niño que causou extremos climáticos em todo o planeta.
Dados de altimetria por satélite analisados pela MetSul Meteorologia apontam que o oceano Pacífico acumula um volume de água quente comparável ao que precedeu o evento de 1997-1998. Em várias áreas do Pacífico Equatorial Central, as anomalias positivas do nível do mar já superam as marcas registradas naquele ano. O fenômeno sinaliza que o El Niño que começa a se formar pode atingir intensidade muito forte.
A NOAA, agência de tempo e clima dos Estados Unidos, já havia emitido um alerta de El Niño Watch no dia 14 de maio. Segundo o boletim oficial do Climate Prediction Center, há 82% de chance de o fenômeno se estabelecer entre maio e julho de 2026 e 96% de persistir durante o inverno do Hemisfério Norte (verão brasileiro) de 2026-2027. O índice Niño-3.4, principal referência para o monitoramento do fenômeno, registrou +0,4°C na última medição semanal, enquanto as temperaturas subsuperficiais do oceano aumentaram pelo sexto mês consecutivo.
A novidade trazida pelos dados de satélite do Copernicus Marine Service é que a elevação do nível do mar na faixa equatorial não apenas confirma o aquecimento como sugere que ele pode ser mais intenso do que o projetado pelos modelos climáticos convencionais. Em Meteorologia e Oceanografia, águas mais elevadas indicam maior volume de água quente acumulada, o principal combustível para episódios de El Niño.
Satélites do Copernicus Marine Service detectaram elevação acelerada do nível do mar no Pacífico Equatorial, mesmo padrão observado antes do Super El Niño de 1997
Impactos potenciais no agro brasileiro
Cada episódio de El Niño tem características próprias, mas o histórico de eventos fortes oferece pistas importantes para o setor agropecuário. No Norte e no Nordeste, o fenômeno costuma reduzir as chuvas de forma acentuada, elevando o risco de seca e queimadas. O Nordeste é particularmente vulnerável, com impactos diretos sobre a agricultura familiar e o abastecimento de água.
No Sul do Brasil, o padrão histórico é oposto. O El Niño tende a aumentar o volume de chuvas e a frequência de eventos extremos como temporais e enchentes. Ciclones extratropicais se tornam mais comuns, sobretudo no inverno e na primavera do primeiro ano do fenômeno. As temperaturas, em geral, ficam acima da média em todas as regiões.
Para o Centro-Oeste, os efeitos são mais moderados, com tendência de chuvas próximas ou ligeiramente acima da média e calor intenso, especialmente no fim do inverno e na primavera. O Sudeste enfrenta aumento das temperaturas médias, sem um padrão claro de mudança no regime de chuvas.
O El Niño atual ainda está em estágios iniciais de desenvolvimento. A declaração oficial do evento pela NOAA é esperada para as próximas semanas, assim que as temperaturas do mar se mantiverem por várias semanas consecutivas no patamar compatível com o fenômeno. O próximo boletim completo do Climate Prediction Center está agendado para 11 de junho de 2026.