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Escalada geopolítica dita o rumo dos mercados agrícolas nesta terça(26)

Vicente Delgado
26/05/2026 às 12:37
Escalada geopolítica dita o rumo dos mercados agrícolas nesta terça(26)

O feriado prolongado do Memorial Day nos Estados Unidos ficou para trás, mas o retorno às operações nesta terça-feira(26) exigiu nervos de aço dos investidores e produtores. O dia foi marcado por uma forte reprecificação de riscos globais, impulsionada por um cenário geopolítico tenso que rapidamente contaminou as telas de negociação, do petróleo aos grãos, passando pela taxa de câmbio.

Confira abaixo uma análise sobre os principais vetores que estão movimentando o mercado agrícola hoje.

O tabuleiro geopolítico e a volatilidade da energia

O ambiente macroeconômico voltou a pesar de forma contundente sobre os mercados globais. Após recentes ataques militares dos EUA no sul do Irã, as esperanças de um avanço nas negociações de paz sofreram um duro golpe, reacendendo o sinal de alerta sobre a segurança da navegação no estratégico Estreito de Ormuz.

O reflexo dessa tensão foi imediato nas cotações de energia: o petróleo tipo Brent, que na véspera havia derretido 7% embalado pelo otimismo de um possível acordo, reverteu parte das perdas e registrou uma forte alta de cerca de 3% hoje. Essa montanha-russa nos preços da energia altera rapidamente o cálculo de custos logísticos e de produção para toda a cadeia do agronegócio.

O câmbio no olho do furacão

Com a aversão ao risco dominando as mesas de operação globais, o otimismo cambial que vimos ontem se dissipou. A alta do petróleo e a escalada no Oriente Médio devolveram a pressão sobre o dólar, que operou sob forte volatilidade frente ao real nesta terça-feira. Para o produtor brasileiro, esse prêmio de risco embutido na moeda norte-americana traz um componente extra de complexidade na hora de travar custos ou liquidar exportações.

Complexo Soja: Chicago no vermelho e a vantagem competitiva do Brasil

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o retorno aos negócios não foi gentil para a soja. A oleaginosa operou em terreno negativo, acompanhando as desvalorizações em todo o seu complexo, farelo e óleo também recuaram na sessão.

Neste momento, os traders operam divididos entre dois focos principais. De um lado, monitoram com lupa o clima no Corn Belt e o avanço do plantio da safra nova americana. Do outro, calculam a expectativa de novas compras chinesas envolvendo a safra velha dos EUA.

Porém, a grande notícia para o nosso mercado interno é a manutenção da nossa vantagem competitiva. A soja brasileira segue mais barata e atrativa que a norte-americana no mercado internacional. É essa precificação estratégica que continua sustentando um ritmo de embarques nacionais superior ao que registrávamos no mesmo período do ano passado.

Milho: As máquinas ganham ritmo em Mato Grosso

Trazendo o olhar para os fundamentos locais, as colheitadeiras começam a avançar nas lavouras de milho segunda safra em Mato Grosso. Dados consolidados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) mostram que a colheita atingiu 0,57% da área total até o dia 22 de maio.

Embora o avanço semanal de 0,45 ponto percentual (ante os 0,12% da semana anterior) coloque o ritmo atual acima da média histórica dos últimos cinco anos (0,31%), os trabalhos de campo ainda estão mais lentos se comparados ao excelente ritmo do mesmo período da safra passada, quando já alcançávamos a marca de 1,04%.

O que você precisa levar no radar hoje

Para resumir o cenário desta terça-feira e preparar suas próximas decisões estratégicas, destaco quatro pontos centrais:

  • Aversão ao risco: A tensão entre EUA e Irã ressuscitou o medo global, elevando o petróleo em 3% e trazendo volatilidade imediata ao dólar.
  • Pressão em Chicago: O complexo da soja (grão, farelo e óleo) iniciou a semana pós-feriado em queda, pressionado pelo avanço do plantio nos EUA.
  • Protagonismo nas exportações: O Brasil mantém a liderança competitiva, oferecendo uma soja mais barata que os EUA e garantindo um escoamento superior ao de 2025.
  • Safrinha no campo: A colheita do milho em MT começou e, apesar de estar atrás do ritmo do ano passado, supera a média histórica, o que demanda atenção redobrada à logística e armazenagem nas próximas semanas.

Seguimos acompanhando cada movimento para que você tome as melhores decisões no mercado físico.

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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