O mercado do algodão amanheceu dividido entre forças nesta quarta-feira, 27. Enquanto o indicador Cepea/Esalq renovou patamar acima de R$ 4,25 por libra-peso com alta de 1,72% na terça, os contratos futuros em Nova York amargam queda de 1,53% no vencimento julho e o índice Cotlook A desabou 3,50 pontos.
O Indicador do Algodão Cepea/Esalq fechou a terça-feira, 26 de maio, cotado a R$ 4,25 por libra-peso (424,88 centavos de R$/lb), com variação positiva de 1,72% sobre o pregão anterior. O movimento indica que a demanda doméstica pela pluma brasileira segue aquecida, sustentando preços no mercado interno mesmo diante de pressões vindas do exterior.
Cepea/Esalq renovou patamar acima de R$ 4,25 por libra-peso, enquanto IMEA mostra pluma disponível em MT a R$ 129,64 por arroba
Em Mato Grosso, principal estado produtor do país, os dados oficiais do IMEA disponíveis no painel do Agronews mostraram a pluma disponível cotada à média de R$ 129,64 por arroba, com recuo de 1,86% em relação ao levantamento anterior. Apesar da queda, o patamar acima de R$ 129 se mantém como piso firme para o produtor mato-grossense.
Mercado físico mantém diversidade de preços entre praças
Entre as principais praças monitoradas pelo IMEA, a maior cotação foi registrada em Alto Garças, a R$ 132,26 por arroba, seguida por Rondonópolis, a R$ 131,53. Já as menores referências ficaram com Sapezal, a R$ 128,95, e Sorriso, a R$ 129,14. A dispersão de quase R$ 3,30 entre o maior e o menor valor mostra que a liquidez segue pulverizada, com negócios ocorrendo de forma localizada e sem pressão uniforme de baixa.
No Oeste da Bahia, segunda maior região produtora, a pluma foi cotada a R$ 135,00 por arroba, estável em relação ao dia anterior, conforme levantamento da AIBA. O prêmio de mais de R$ 5 sobre a média mato-grossense reflete a maior proximidade com os portos do Nordeste e a qualidade da fibra produzida na região do Cerrado baiano.
Exterior recua com NYBOT e Cotlook em trajetória negativa
Na Bolsa de Nova York, o contrato julho do algodão fechou a terça a 77,37 centavos de dólar por libra-peso, com variação praticamente estável de menos 0,05 ponto, mas amanheceu esta quarta-feira cotado a 76,19 centavos, uma queda de 1,53% no início dos negócios. Os vencimentos mais distantes, outubro a 79,00 centavos e dezembro a 79,79 centavos, também não escaparam da pressão baixista, ainda que com recuos mais amenos.
O índice Cotlook A, referência internacional para a fibra, caiu 3,50 pontos e fechou a 88,00 centavos de dólar por libra-peso no último levantamento. A queda expressiva do indicador reforça o movimento de enfraquecimento da demanda global pela fibra de algodão, especialmente da parte de importadores asiáticos como China e Vietnã, que vêm reduzindo o ritmo de compras.
Dólar firme ameniza impacto externo para o produtor
O dólar comercial fechou a terça-feira cotado a R$ 5,03, com leve alta de 0,18%, o que ajuda a amenizar o impacto da queda em Nova York sobre os preços internos. Com a moeda americana firme, a paridade de exportação calculada pelo IMEA ficou em R$ 126,07 por arroba para a pluma mato-grossense, valor que serve como referência para negócios internacionais.
Para os próximos dias, o mercado deve seguir atento aos relatórios semanais de exportação do USDA, que serão divulgados na quinta-feira, e ao comportamento do câmbio. Com a safra brasileira de algodão em fase final de colheita em Mato Grosso e início dos trabalhos na Bahia, a entrada de produto no mercado físico pode aumentar a oferta e testar o piso de preços. Por outro lado, o ritmo recorde de exportações verificado nos primeiros meses de 2026 sinaliza que a demanda externa pela fibra brasileira continua firme.