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Milho: Clima indefinido colocam pressão na decisão de venda do produtor

Redação
11/01/2026 às 19:23
Milho: Clima indefinido colocam pressão na decisão de venda do produtor

Preço firme em São Paulo, reação no Mato Grosso e clima indefinido colocam pressão na decisão de venda do produtor.

O mercado de milho entra agora em janeiro com um recado claro para quem está acompanhando a safrinha: preço não está desabando, mas a margem segue apertada e a decisão de venda exige mais conta na ponta do lápis. Em São Paulo, o físico gira perto de R$ 69/sc. No Mato Grosso, depois de uma queda forte, houve leve recuperação no disponível. Tudo isso acontece num ambiente de câmbio ainda favorável à exportação e com incerteza climática para a safrinha 2026.

O desafio imediato do produtor é simples de entender: vender agora para fazer caixa ou segurar esperando melhora, sabendo que a paridade de exportação ainda coloca um teto nos preços, principalmente no Centro-Oeste.

Contexto e preços no mercado físico

Os dados mais recentes do Cepea mostram o milho paulista, base Campinas, praticamente andando de lado. O Indicador Milho CEPEA/ESALQ marcou R$ 68,94/sc em 08/01/2026, com queda diária de 0,09% e recuo de 0,81% no mês. No dia seguinte, a série publicada via Agro Estadão confirmou estabilidade em R$ 69,02/sc em 09/01/2026.

Na prática, isso significa que o mercado encontrou um piso técnico, mas ainda não ganhou força para buscar patamares mais confortáveis de margem. A indústria compra no ritmo da necessidade, sem correr risco de ficar descoberta.

No Mato Grosso, os números do IMEA mostram um mercado mais volátil. Em 09/01/2026, as principais praças registraram leve recuperação no disponível:

  • Campo Verde: R$ 50,20/sc.
  • Canarana: R$ 47,55/sc.
  • Lucas do Rio Verde: R$ 48,50/sc.
  • Primavera do Leste: R$ 50,80/sc.
  • Rondonópolis: R$ 51,90/sc.
  • Sapezal: R$ 47,40/sc.
  • Tangará da Serra: R$ 47,30/sc.

O ponto é que essa reação vem depois de uma queda forte nos dias anteriores. Ou seja, o mercado ainda está buscando equilíbrio, com negócios pontuais e pouca disposição do comprador em alongar preços.

Custos de produção e pressão de margem

Quando se olha para R$ 69/sc em Campinas, muita gente de fora acha que o preço está bom. Porteira para dentro, a conversa é outra. Os custos seguem elevados, tanto em insumos quanto em operações, e isso deixa a margem espremida.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando faz a conta completa, incluindo arrendamento, juros e logística. Vender no físico hoje resolve fluxo de caixa, mas nem sempre fecha margem confortável. Por isso, cresce a importância de avaliar travas parciais e vendas escalonadas.

No Mato Grosso, o desafio é ainda maior. Mesmo com a recuperação recente, o patamar de R$ 47 a R$ 52/sc exige disciplina na gestão de custos. Quem não está bem ajustado pode acabar vendendo abaixo do ponto de equilíbrio.

Clima e oferta da safrinha 2026

Do lado da oferta, o mercado opera com cautela. As fontes oficiais como CONAB, USDA, Embrapa e Aprosoja ainda não divulgaram novos boletins específicos para a safrinha 2026 nesta semana. O que existe são projeções e dados históricos da safra 2025/26.

O USDA, em revisão de novembro de 2025, projetou a produção mundial de milho 2025/26 em 1.286,23 milhões de toneladas, volume recorde e 4,5% acima da safra anterior. Esse número ajuda a explicar por que o mercado internacional não dá sinal claro de aperto.

O que muda a conversa daqui para frente é o clima. Qualquer atraso de plantio ou problema climático mais à frente pode alterar a expectativa de oferta. Até lá, o mercado trabalha defensivo.

Câmbio, exportação e paridade

O câmbio segue como um dos poucos fatores de sustentação. Ele mantém a exportação competitiva, mas não o suficiente para puxar o físico muito acima do atual.

Os dados de 09/01/2026 mostram o futuro na B3 para março de 2026 em R$ 72,89/sc, com leve alta no dia. Em Chicago, o contrato maio de 2026 aparece a US$ 451,00/bushel, servindo como referência de paridade internacional.

No Mato Grosso, a paridade de exportação calculada pelo IMEA para julho de 2026 deixa claro o limite das altas:

  • Canarana: R$ 40,64/sc.
  • Diamantino: R$ 39,58/sc.
  • Ipiranga do Norte: R$ 37,44/sc.
  • Lucas do Rio Verde: R$ 39,55/sc.

Quando a paridade está abaixo do físico, o mercado perde força para novas altas. Isso não derruba o preço de imediato, mas segura qualquer tentativa de disparada.

Estratégias práticas para o produtor

Com esse cenário, algumas estratégias fazem sentido:

  • Evitar vender tudo de uma vez, especialmente se o custo estiver alto.
  • Avaliar travas de preço no futuro para proteger parte da produção.
  • Ficar atento à relação de troca com insumos e ao barter.
  • Acompanhar de perto os próximos boletins de clima e safra.

O ponto central é não tomar decisão no impulso. O mercado não está oferecendo prêmio claro agora, mas também não sinaliza colapso imediato.

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A decisão bem informada hoje faz diferença grande no resultado final da safrinha.

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