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Dólar forte segura preço do algodão em MT mesmo com NY em baixa

Fardos redondos de algodao empilhados em campo aberto no Mato Grosso com trabalhador rural inspecionando a qualidade da fibra durante o periodo de colheita

O algodão em Mato Grosso desafia a lógica do mercado internacional. Enquanto a NYBOT ICE recua com força, a pluma disponível em MT subiu para R$ 131,54/@.

O segredo está no dólar a R$ 5,12. O câmbio cria um colchão cambial e protege o preço em reais da queda externa.

Com a paridade de exportação em R$ 126,25/@, o mercado interno paga R$ 5,29/@ a mais. Isso indica que vender no Brasil é mais rentável para o produtor mato-grossense.

O produtor de MT precisa decidir onde vender. E os números mostram um caminho claro.

NYBOT despenca 1,78% mas pluma de MT resiste

campo de algodão em Mato Grosso
Campo de algodão em Mato Grosso (imagem ilustrativa)

A Bolsa de Nova York (ICE Futures) registra queda generalizada nos contratos futuros do algodão. O contrato out/26 fechou a 75,46 centavos de dólar por libra, com baixa de 1,78%. O jul/26 recuou 1,52%, para 73,75 centavos. A pressão externa vem do câmbio e da percepção de oferta global mais confortável.

Em Mato Grosso, a pluma disponível subiu para R$ 131,54 por arroba, com alta de 0,39%, segundo o IMEA. O indicador do Cepea também avançou para R$ 4,24 por libra, com alta de 0,60% no fechamento de 5 de junho. A divergência tem uma explicação clara que está no câmbio.

ReferênciaPreçoVariação
NYBOT Out/2675,46 centavos/lb-1,78%
NYBOT Jul/2673,75 centavos/lb-1,52%
IMEA Pluma MTR$ 131,54/@+0,39%
Cepea IndicadorR$ 4,24/lb+0,60%

Na ponta do lápis, o algodão brasileiro vale mais do que o preço de Nova York convertido em reais. A pluma brasileira negocia a R$ 4,24/lb no Cepea. O ICE out/26 convertido pelo dólar PTAX de R$ 5,1244 resulta em R$ 3,87/lb. Isso representa um prêmio de R$ 0,37/lb, ou 9,6%, para o físico nacional.

Dólar a R$ 5,12 cria colchão cambial para o produtor

O dólar comercial PTAX venda fechou a R$ 5,1244 em 5 de junho. A moeda acumula alta de 1,64% em apenas três pregões consecutivos de valorização. Esse movimento cambial funciona como um colchão para o produtor mato-grossense.

Quando a moeda americana sobe, o preço em reais recebido pelo agricultor se sustenta mesmo com a bolsa de NY em baixa. O algodão é precificado em dólar no mercado internacional. Se a cotação em NY cai mas o dólar sobe na mesma proporção, o resultado final em reais acaba protegido.

Foi o que ocorreu nos últimos dias. A baixa do NYBOT foi compensada pela alta do câmbio.

Mercado interno paga R$ 5,29/@ a mais que a exportação

O dado mais relevante para o produtor rural de Mato Grosso neste momento é o prêmio do mercado interno sobre a exportação. A paridade de exportação calculada pelo IMEA está em R$ 126,25/@, com alta de 0,92% em 3 de junho. A pluma disponível em MT é negociada a R$ 131,54/@. A diferença é de R$ 5,29/@ a favor das vendas domésticas.

Isso significa que, neste momento, vender o algodão no mercado interno é mais vantajoso do que exportar. O prêmio reflete a demanda aquecida das indústrias têxteis nacionais e a dificuldade logística de escoar a safra para o porto.

IndicadorValor
Dólar PTAX vendaR$ 5,1244
Variação do dólar em 3 dias+1,64%
ICE Out/26 convertidoR$ 3,87/lb
Prêmio físico brasileiroR$ 0,37/lb (9,6%)

Os preços regionais reforçam essa fotografia. Alto Garças paga R$ 134,32/@, o maior preço do estado. Rondonópolis registra R$ 133,61/@. Itiquira aparece com R$ 133,11/@ e Primavera do Leste com R$ 133,02/@. Campo Verde está em R$ 132,91/@, Cuiabá em R$ 132,57/@, Diamantino em R$ 131,93/@ e Nova Mutum em R$ 131,71/@.

Na região norte, Lucas do Rio Verde paga R$ 131,30/@, Campo Novo do Parecis R$ 131,09/@ e Sorriso R$ 131,02/@. Sapezal tem a menor cotação, com R$ 130,77/@. O spread entre a maior e a menor praça é de R$ 3,55/@, refletindo sobretudo os custos logísticos de cada região.

O frete também merece atenção. A rota Sapezal-Santos registra R$ 606,43 por tonelada, com alta de 1,39% no último levantamento do IMEA. O custo logístico em elevação comprime ainda mais a margem de quem opta pela exportação.

Além disso, o tempo seco acelera a maturação do algodão em Mato Grosso. A colheita se aproxima. Com a entrada da nova safra, a tendência natural é de aumento da oferta disponível, o que pode pressionar os preços no spot.

Decisão prática. o mercado interno paga R$ 5,29/@ acima da paridade de exportação e o frete em alta reduz ainda mais a atratividade de enviar algodão ao porto.

A recomendação é priorizar as vendas domésticas e monitorar de perto o câmbio. Se o dólar continuar subindo, o colchão cambial se mantém. Se houver liquidez cambial, a equação pode mudar rapidamente.

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT

Jornalista e fundador do Agronews, referência em informações sobre o agronegócio brasileiro. Com mais de 15 anos de experiência no setor, acompanha de perto as principais commodities, políticas agrícolas e tendências do mercado rural.

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