No encerramento do Famato Embrapa Show, promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Embrapa e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT), em Cuiabá (MT), nesta sexta-feira (24), o debate foi sobre Atualidades no Manejo Integrado de Pragas, tecnologia que vem reduzindo em 50% a aplicação de inseticida, em propriedades de soja no Paraná
A Embrapa, em parceira com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), desenvolve, desde a safra 2013/2014, um trabalho em diversas áreas agrícolas do Paraná para estimular a adoção do boas práticas agrícolas, o que inclui a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Na safra 2019/20, enquanto a média de aplicação de inseticidas em lavouras de soja no Paraná foi de 3,9, as áreas que adotaram o MIP fizeram apenas 1,9 aplicações, em média. “Isso mostra que a adoção do MIP pode reduzir em 50% a aplicação de inseticidas”, ressalta o pesquisador Adeney de Freitas Bueno, que ministrou palestra sobre controle biológico de pragas. “O controle biológico é uma demanda crescente do mercado consumidor”, afirma.
De acordo com a CropLife Brasil, a indústria de produtos biológicos faturou, em 2021, R$1,8 bilhão, representando uma ampliação acima de 35% em relação ao ano de 2020. Até 2025, estima-se uma taxa de crescimento da ordem de 35%. Em 2022, foram contabilizados 502 produtos biológicos com registro ativo no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sendo 299 (51%) bioinseticidas, 98(17%) biofungicidas, 82 bionematicidas (14%), 42 feromônios (7%) e 25 reguladores de crescimento (5 %). A soja ocupa 46% do mercado.
Bueno afirma que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é fundamental para o sucesso do controle biológico de pragas. “O MIP é um conjunto de práticas que envolvem o monitoramento de pragas por meio de amostragem para aplicação de inseticidas, apenas no momento apropriado, além da pulverização de produtos mais seletivos ou menos impactantes ao ambiente e que devem ser aplicados quando as pragas apresentem prejuízos econômicos”, explica.
De acordo com Bueno, o MIP tem papel fundamental no controle biológico natural, que é quando o próprio equilíbrio do sistema consegue manter as populações de insetos-pragas controladas. Por outro lado, Bueno relatou ainda informações sobre o controle biológico aplicado que se divide em macro biológicos (uso de parasitoides e predadores no ambiente) e os microbiológicos (uso da tecnologia Bt, baculovírus e fungos entomopatgenicos) “Já existem produtos eficientes no mercado e muitas pesquisas em andamento”, revela.
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Tecnologia de aplicação
O pesquisador Samuel Roggia, Embrapa Soja, abordou a tecnologia de aplicação em sua palestra que mostrou como a pulverização de produtos fitossanitários é uma ferramenta importante para o manejo de insetos. Além disso, mostrou como a evolução tecnológica vem proporcionando a adoção de diferentes ferramentas para o processo de pulverização, visando maior eficácia e rapidez, com menor custo e mitigação de riscos de contaminação ambiental e humana.
Em estudos realizados a campo, Roggia comprovou, por exemplo, o bom desempenho de drones agrícolas, como veículos de pulverização no controle de duas importantes pragas da cultura da soja no Brasil: o percevejo-marrom e a lagarta-falsa-medideira Rachiplusia nu. Os equipamentos foram testados nas safras 2020/2021 e 2021/2022 em comparação a outros métodos, como tratores e pulverizadores costais, para aplicação de produtos químicos e biológicos.
No caso do percevejo, a pesquisa mostrou que o uso de drones é capaz de atingir a praga em partes das plantas de soja que, normalmente, são dificilmente alcançadas pelos métodos tradicionais de pulverização, como o interior do dossel (estrutura aérea da planta) “A combinação do espectro de gotas do pulverizador – ponta, pressão de trabalho e concentração de produtos na calda – e do efeito do movimento das hélices do drone (downwash) proporcionou maior penetração de inseticida no interior do dossel da soja, aumentando a eficiência de controle”, destaca Roggia.
Os ensaios indicaram que a pulverização com drone proporcionou melhor depósito do inseticida no estrato inferior das plantas de soja. Já nos estratos superior e médio da soja e depósito foi equivalente aos demais tratamentos avaliados.




