Durante dois dias, 14 finalistas da maratona da John Deere na Campus Party conheceram toda a cadeia tecnológica da empresa e uma fazenda
Com uma população mundial em crescimento, a ciência e a alta tecnologia são elementos imprescindíveis para que a produção de alimentos seja oferecida em larga escala. No trajeto do campo à mesa, os alimentos passam por uma cadeia tecnológica e de inovação que surpreende até mesmo aqueles que estão acostumados com o universo high-tech. No caso das máquinas e serviços agrícolas, inovação é palavra de ordem em todas as etapas, desde a concepção de novas máquinas e serviços até a atuação dos clientes efetivamente no campo, que possuem os equipamentos coletando dados e disponibilizando-os em nuvens.
E foi para conhecer a inovação agrícola completa, dos desenvolvimentos dos produtos e serviços até a atuação efetiva no campo, que os finalistas do primeiro Hackathon John Deere realizaram, na última semana (22 e 23/6), uma imersão na experiência tecnológica John Deere. Com uma agenda ampla e diversificada, os 14 jovens trocaram experiências com colaboradores de diferentes áreas da companhia e ainda foram ver de perto as máquinas atuando em uma fazenda.
O primeiro dia do encontro foi marcado por visitas e palestras com o time de tecnologia da John Deere, no recém-inaugurado Centro de Agricultura de Precisão e Inovação, em Campinas (SP). Já na sexta-feira, o grupo seguiu até Cesário Lange (SP) para ver uma operação agrícola ao vivo, na fazenda Nova Esperança.
“O Brasil já é uma força no agronegócio, mas ainda há espaço para fazer mais, principalmente via adoção de tecnologia. Ao colocarmos nosso potencial produtivo com equipamentos e serviços que otimizam todas as etapas agrícolas, nos fortalecemos como fornecedores globais de alimentos”, explica Alex Foessel, diretor do LATIC – Centro Latino-Americano de Tecnologia e Inovação da John Deere. Por isso, diz ele, “a visita dos campuseiros para conhecer as tecnologias que compõem os equipamentos e serviços, bem como os processos e os profissionais que fazem com que uma companhia de 180 anos seja considerada inovadora é algo renovador, tanto para nós quanto para eles”.
Os participantes faziam parte dos times JD Connect, Time Abdub e Parceria JD, que ficaram em 2°, 3° e 4° colocados no Hackathon, respectivamente. O desafio da John Deere na Campus Party propôs aos desenvolvedores a criação de um aplicativo que conectasse o homem do campo com a tecnologia da empresa.
Inovação
A visita teve início com palestras e bate-papos sobre tecnologia. Primeiro, o time de Sistemas de Informações da John Deere apresentou os sistemas de infraestrutura tanto na John Deere Brasil quanto nas demais regiões. O grupo explicou como faz para trabalhar com eficiência tendo como foco criar soluções integradas para o cliente final, seja resolvendo quaisquer ocorrências ou desenvolvendo novos produtos.
Já Santiago Larroux, diretor da Auteq, empresa brasileira de softwares de bordos, comprada há dois anos pela John Deere, falou sobre as oportunidades da agricultura de precisão.
“A agricultura tropical tem uma característica complexa, com o tamanho das fazendas e principalmente, a possibilidade de fazer duas a três safras em um mesmo ano. Isso significa que as ações das máquinas devem ser precisas, fáceis e de alto rendimento, realizando o trabalho no local certo, da maneira correta e no momento correto. Isso rende produtividade e gera lucro aos clientes”, explica.
De acordo com o diretor, o desafio é tornar as tecnologias cada vez mais acessíveis e, ao mesmo tempo, criar soluções para questões como conectividade na zona rural, transferência e análise de dados e até mesmo correções de sinal GPS.
O diretor realizou ainda um tour pelo mezanino, onde está localizado o Centro de Agricultura de Precisão e Inovação. Inaugurado em março deste ano e terceiro centro de inovação da John Deere no mundo (os outros estão nos EUA e Alemanha), o local desenvolve inovações e adaptações nos equipamentos (tanto equipamentos físicos quanto tecnologia embarcada), para serem compatíveis com as características do mercado latino-americano. Guiados por Larroux, os participantes conheceram o LATIC – Centro Latino-Americano de Tecnologia e Inovação, o ISG (Intelligent Solutions Group) e também as instalações da Auteq.
Troca de experiências
Pela tarde, a visita teve como mote a troca de experiências entre participantes e diversas equipes da companhia. Segundo explica Guilherme Sierra, gerente de Comunicação Corporativa para a América Latina da John Deere, o objetivo era criar um ambiente de diálogo entre os colaboradores de âmbitos diversos, como Treinamentos, Desenvolvimento de Softwares e Hardwares, Relacionamento com Parceiros (Concessionários e Distribuidores), Marketing e Recursos Humanos.
“A nossa intenção era que os membros da equipe compartilhassem suas carreiras, permitissem que os visitantes fizessem perguntas sobre trabalho, experiências e até mesmo tivessem orientações sobre como prosseguir”, conta.
Primeiro, o grupo conheceu as instalações do Centro de Treinamento e viu como é a integração entre hardwares, softwares e mecânica dos equipamentos. Logo após, a John Deere proporcionou uma conversa descontraída de job rotation com três possibilidades de carreiras distintas: desenvolvimento de hardware e firmware de sistemas embarcados; engenharia de sistemas; e pelo marketing.
Sileide Santana Campos, de Salvador (BA), foi uma das participantes. Ela atualmente cursa duas faculdades: engenharia de controle e automação e engenharia de computação. Antes da Campus Party, Sileide nunca havia tido contato com a John Deere.
“A única ligação com o campo que tinha era um projeto de irrigação pequeno que fiz. Aqui achei muito maravilhoso, principalmente na área de sensores, controladores, como é feita toda a lógica, ter o foco no cliente. Tem muitas novidades de inovação e automação aqui que a gente nem imagina, ainda mais no campo, que tem muita tecnologia. Fiquei mais feliz ainda porque eu trabalho com Delphi e aqui tem essa linguagem de programação”, contou.
Edmundo Beinecke, Engenheiro de Sistemas da companhia, participou da conversa e contou como é o dia a dia de um profissional de tecnologia na John Deere. Em resumo, é preciso ouvir as demandas do cliente e avaliar as possibilidades técnicas e econômicas de desenvolver ou evoluir uma tecnologia, considerando o modelo de negócios e a viabilidade. “Então, não é somente olhar as demandas, mas também trazer soluções. Estamos trabalhando com tecnologias que ainda não existem. Somos nós que estamos desenvolvendo”, disse Beinecke.
Já Juliano Severo, gerente de Marketing de Produto de Agricultura de Precisão na companhia, explicou aos participantes como a área de Marketing auxilia no desenvolvimento de um produto ou serviço. “Nós atuamos desde o estudo da demanda e a descrição do que se quer desenvolver até o acompanhamento do desenvolvimento, fazendo com que os projetos se tornem viáveis como um todo, da parte interna até a ponta final”, afirmou Severo.
O primeiro dia de evento terminou com conversas sobre como os Concessionários e Distribuidores ouvem as demandas de tecnologia dos clientes e também sobre os requisitos e benefícios que os Recursos Humanos da exigem para quem deseja atuar com a John Deere, principalmente se adaptando às características exigidas pelas novas gerações, como possibilidade de crescimento na carreira e realizar experiências em diferentes áreas.
A tecnologia na prática
No segundo dia de visita, os campuseiros seguiram até a fazenda Nova Esperança, em Cesário Lange, no interior paulista. Na propriedade, a família Ribeiro planta soja, milho e feijão em cerca de 1300 hectares. Apaixonados pela tecnologia, Sérgio Ribeiro e o filho Felipe mostraram aos participantes as diversas etapas agrícolas: a pesagem, controle de produção, planejamento logístico e de insumos, controle, tratamento e armazenamento das sementes, uso de combustíveis, recursos humanos, secagem, carregamento e descarregamento e ainda as operações de apoio, como transbordo e oficinas de manutenção.
