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Exclusivo: Piloto de drone do Pará revela em detalhes tudo sobre o voo arriscado [VÍDEO]

Vicente Delgado
04/02/2026 às 01:20
Exclusivo: Piloto de drone do Pará revela em detalhes tudo sobre o voo arriscado [VÍDEO]

Operador do Pará fala pela primeira vez sobre o caso do voo improvisado, e revela preocupação com a possibilidade de perder sua licença como piloto de drone, além de enfrentar multas pesadas. O limite entre a curiosidade e a infração regulatória coloca em xeque o futuro profissional do rapaz.

Lidar com a tecnologia no dia a dia da lavoura exige sangue frio, mas o que aconteceu recentemente em São Félix do Xingu, no Pará, cruzou uma linha que nem a engenharia chinesa previu. Um jovem rapaz, no meio do serviço, operando um equipamento que vale o preço de uma caminhonete de luxo, decidir que o tanque de dispersão de sólidos, feito para sementes e adubo, é, na verdade, uma cabine de pilotagem. Foi o que fez Hudson Vinicius, um operador experiente que decidiu testar os limites de um drone agrícola de grande porte da DJI, o modelo Agras T100, levantando voo com o próprio corpo a bordo.

Exclusivo: Piloto de drone do Pará revela em detalhes tudo sobre o voo arriscado [VÍDEO]

O vídeo, que já soma milhões de visualizações e compartilhamentos, não é apenas um registro de adrenalina. Para quem vive o agronegócio “porteira para dentro“, a cena causa um misto de espanto e preocupação com o que vem depois. Hudson, que pesa 58 kg, revela que aproveitou a capacidade de carga da máquina (projetada para carregar até 100 kg) para realizar um voo tripulado improvisado, controlando a aeronave de dentro dela. “Eu sou pequeno. Tenho apenas 1,72m e peso 58 kg. Esse drone, ele é feito para operar com 100 kg, mas se for o caso assim precisar de suspender, você pode pendurar até 130 kg que ele suspende brincando.“, explica Hudson com exclusividade para o Agronews.

O risco calculado que virou pesadelo regulatório

Hudson não é um novato. Com mais de 2.200 hectares pulverizados só nesta safra, ele entende de manejo e de campo. Em nossa conversa, ele revelou que a ideia surgiu daquela curiosidade natural que todo homem tem: testar até onde a máquina aguenta. “A adrenalina tá no sangue do homem“, afirmou o piloto.

No entanto, o que parece um “causo” de fazenda para contar na cooperativa, na verdade, é uma infração gravíssima. Ao voar dentro do dispersor de maneira inocente, Hudson não se atentou que o equipamento é homologado estritamente para o trato de lavouras. O problema não é apenas o peso, mas o centro de gravidade, a estabilidade aerodinâmica e, claro, a ausência total de sistemas de sobrevivência para um ser humano ali dentro. De acordo com fontes ligadas a ANAC, a agência já está de olho no caso, pois o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) nº 94 é cristalino ao proibir o transporte de pessoas em aeronaves não tripuladas.

Aperte o play no vídeo abaixo e assista a entrevista exclusiva com Hudson Vinícius – o piloto de drone do Pará.

A reação implacável das entidades do setor

Se na internet o clima era de meme, no Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) o tom foi de tolerância zero. Gabriel Colle, diretor executivo da entidade, não poupou palavras ao classificar a operação como “temerária“. A preocupação é que o setor de drones agrícolas, que vem lutando para se profissionalizar e ganhar a confiança do mercado, seja manchado por atos de imprudência individual.

Sindag

O processo que agora corre nas mãos das autoridades pode ser amargo. Estamos falando de:

  • Multas pesadas: Que podem chegar a valores que comprometem a rentabilidade de uma vida profissional.
  • Suspensão da certificação: O que impediria Hudson de operar legalmente e prestar novos serviços.
  • Apreensão do drone: Um prejuízo direto no patrimônio e na capacidade de trabalho.

Além disso, o Ministério da Agricultura (Mapa) também entra na jogada através da Portaria nº 298/2021. Como o drone estava configurado para dispersão de sólidos, qualquer uso fora do padrão técnico é considerado operação insegura. E há ainda o aspecto da da NR-31 (trabalho rural) do Ministério do Trabalho. Neste caso, com a fiscalização buscando verificar se houve exposição de alguém a agentes químicos. Se o controle de risco à segurança do operador e outras pessoas em volta foi adequado e se houve situação de grave e iminente perigo.

A gente tá com o coração na mão“, confessou Hudson, percebendo que a fama instantânea trouxe junto uma pressão jurídica que ele não esperava. Ele acreditava que, por não haver uma lei que dissesse explicitamente “proibido voar dentro do drone“, estaria livre para fazer o voo tripulado. Mas ao que tudo indica, um ledo engano. No Direito Aeronáutico, o que não é expressamente permitido para segurança de voo, é proibido por padrão.

O impacto no bolso e na imagem do piloto de drone do Pará

Casos assim são um alerta. O uso de drones é um caminho sem volta para reduzir custos e aumentar a precisão do manejo, e consequentemente a produtividade. Mas a tentativa de usá-los para outros fins, ainda carece de muito desenvolvimento e validação.

Hudson garante que não fará de novo voos como esse, se de fato a lei o probir. E que a “curiosidade foi saciada”, mas o desejo por novas aventuras ainda permanece.

No fim das contas, a tecnologia está aí para servir ao homem. A segurança jurídica e física é o que garante que a porteira continue aberta para a inovação, sem que o governo precise intervir de forma ainda mais rígida na nossa liberdade de produzir e operar.

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aviação drone Sindag t100

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