Operador do Pará fala pela primeira vez sobre o caso do voo improvisado, e revela preocupação com a possibilidade de perder sua licença como piloto de drone, além de enfrentar multas pesadas. O limite entre a curiosidade e a infração regulatória coloca em xeque o futuro profissional do rapaz.
Lidar com a tecnologia no dia a dia da lavoura exige sangue frio, mas o que aconteceu recentemente em São Félix do Xingu, no Pará, cruzou uma linha que nem a engenharia chinesa previu. Um jovem rapaz, no meio do serviço, operando um equipamento que vale o preço de uma caminhonete de luxo, decidir que o tanque de dispersão de sólidos, feito para sementes e adubo, é, na verdade, uma cabine de pilotagem. Foi o que fez Hudson Vinicius, um operador experiente que decidiu testar os limites de um drone agrícola de grande porte da DJI, o modelo Agras T100, levantando voo com o próprio corpo a bordo.
![Exclusivo: Piloto de drone do Pará revela em detalhes tudo sobre o voo arriscado [VÍDEO]](https://api.agronews.tv.br/wp-content/uploads/2026/02/drone22-591x1280.jpg)
O vídeo, que já soma milhões de visualizações e compartilhamentos, não é apenas um registro de adrenalina. Para quem vive o agronegócio “porteira para dentro“, a cena causa um misto de espanto e preocupação com o que vem depois. Hudson, que pesa 58 kg, revela que aproveitou a capacidade de carga da máquina (projetada para carregar até 100 kg) para realizar um voo tripulado improvisado, controlando a aeronave de dentro dela. “Eu sou pequeno. Tenho apenas 1,72m e peso 58 kg. Esse drone, ele é feito para operar com 100 kg, mas se for o caso assim precisar de suspender, você pode pendurar até 130 kg que ele suspende brincando.“, explica Hudson com exclusividade para o Agronews.
O risco calculado que virou pesadelo regulatório
Hudson não é um novato. Com mais de 2.200 hectares pulverizados só nesta safra, ele entende de manejo e de campo. Em nossa conversa, ele revelou que a ideia surgiu daquela curiosidade natural que todo homem tem: testar até onde a máquina aguenta. “A adrenalina tá no sangue do homem“, afirmou o piloto.
No entanto, o que parece um “causo” de fazenda para contar na cooperativa, na verdade, é uma infração gravíssima. Ao voar dentro do dispersor de maneira inocente, Hudson não se atentou que o equipamento é homologado estritamente para o trato de lavouras. O problema não é apenas o peso, mas o centro de gravidade, a estabilidade aerodinâmica e, claro, a ausência total de sistemas de sobrevivência para um ser humano ali dentro. De acordo com fontes ligadas a ANAC, a agência já está de olho no caso, pois o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) nº 94 é cristalino ao proibir o transporte de pessoas em aeronaves não tripuladas.
Aperte o play no vídeo abaixo e assista a entrevista exclusiva com Hudson Vinícius – o piloto de drone do Pará.
A reação implacável das entidades do setor
Se na internet o clima era de meme, no Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) o tom foi de tolerância zero. Gabriel Colle, diretor executivo da entidade, não poupou palavras ao classificar a operação como “temerária“. A preocupação é que o setor de drones agrícolas, que vem lutando para se profissionalizar e ganhar a confiança do mercado, seja manchado por atos de imprudência individual.

O processo que agora corre nas mãos das autoridades pode ser amargo. Estamos falando de:

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