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Pesquisadores descobrem herbicida natural que pode superar glifosato

Redação
03/02/2026 às 17:50
Pesquisadores descobrem herbicida natural que pode superar glifosato

Substância com potencial herbicida foi isolada por pesquisadores da UFMG e Embrapa, em fungo encontrado em estado do sudeste

Descoberta em fungo do sudeste

A pesquisa começou em 2017, quando a bióloga Raíssa Florindo coletou uma amostra de planta do gênero Piper no Parque Estadual do Rio Doce. Nas folhas, encontrou um fungo endofítico do gênero Fusarium. Esses fungos são conhecidos por causar doenças em culturas, mas também por produzir substâncias com valor biotecnológico.

Em laboratório, o fungo foi isolado e estudado. A pesquisadora Débora Barreto, que seguiu o trabalho em seu doutorado, percebeu que o organismo tinha potencial herbicida. “Vimos que o fungo tinha um potencial herbicida, porque ele inibia a germinação de sementes”, conta. A partir daí, o foco foi descobrir qual composto era responsável por essa atividade.

Substâncias com ação comprovada

Foram isolados três metabólitos: anidrofusarubina, javanicina e um composto ainda não nomeado, chamado composto 2. Em testes com concentrações de 1mg/mL, todos mostraram atividade fitotóxica, prejudicando a germinação de sementes de plantas indesejadas. Os ensaios foram feitos com alface e grama-de-bent, modelos padrão em testes de herbicidas.

Em testes antifúngicos, o composto 2 também se destacou. Contra o patógeno que causa antracnose do morango, promoveu zonas de inibição maiores do que as de fungicidas de referência como carvacrol e timol. A lentilha-d’água, usada pela indústria de pesticidas para medir toxicidade, confirmou o potencial das substâncias.

Comparação com defensivos atuais

Os testes comparativos mostraram que o efeito das substâncias pode ser mais eficiente que o de herbicidas como glifosato e clomazona, com concentrações menores necessárias para a ação. O glifosato é hoje o herbicida mais usado no mundo, valorizado por eficácia e baixo custo. Mas seu uso é alvo de controvérsias por riscos à saúde humana e ao meio ambiente.

Diversos países da União Europeia já proíbem ou restringem fortemente o uso da substância. A busca por alternativas naturais ganha força justamente nesse contexto. A descoberta amplia a gama de moléculas naturais que podem ser exploradas para o desenvolvimento de defensivos agrícolas alternativos aos pesticidas sintéticos.

Caminho para uso comercial

Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores alertam que ainda são necessários mais estudos para avaliar toxicidade e viabilidade de uso na agricultura.

“Os resultados, embora animadores, ainda são considerados preliminares para se chegar a um produto que possa ser utilizado comercialmente”.

Débora Barreto – Pesquisadora da Embrapa

Uma das possibilidades é usar o próprio fungo endofítico como biofábrica. “Podemos aprimorar e cultivar a espécie em diferentes condições para produzir apenas aquela substância, ou em maior quantidade”, diz a pesquisadora. O estudo foi publicado na Academia Brasileira de Ciências e contou com participação de pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Impacto na agricultura sustentável

Se confirmada a eficácia e segurança, a substância pode representar um avanço significativo para a agricultura sustentável. O uso de metabólitos bioativos de fungos endofíticos abre caminho para defensivos mais específicos, com menor impacto ambiental e menor risco à saúde.

A pesquisa também reforça o potencial da biodiversidade brasileira na geração de soluções para o agronegócio. Fungos do gênero Fusarium já haviam mostrado ação antimicrobiana em cafeeiros e em plantas medicinais como Dioscorea zingiberensis. Agora, com a descoberta de herbicidas naturais, o campo se amplia ainda mais. Clique aqui e acompanhe o agro.

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dica de especialista embrapa

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