Substância com potencial herbicida foi isolada por pesquisadores da UFMG e Embrapa, em fungo encontrado em estado do sudeste
Descoberta em fungo do sudeste
A pesquisa começou em 2017, quando a bióloga Raíssa Florindo coletou uma amostra de planta do gênero Piper no Parque Estadual do Rio Doce. Nas folhas, encontrou um fungo endofítico do gênero Fusarium. Esses fungos são conhecidos por causar doenças em culturas, mas também por produzir substâncias com valor biotecnológico.
Em laboratório, o fungo foi isolado e estudado. A pesquisadora Débora Barreto, que seguiu o trabalho em seu doutorado, percebeu que o organismo tinha potencial herbicida. “Vimos que o fungo tinha um potencial herbicida, porque ele inibia a germinação de sementes”, conta. A partir daí, o foco foi descobrir qual composto era responsável por essa atividade.
Substâncias com ação comprovada
Foram isolados três metabólitos: anidrofusarubina, javanicina e um composto ainda não nomeado, chamado composto 2. Em testes com concentrações de 1mg/mL, todos mostraram atividade fitotóxica, prejudicando a germinação de sementes de plantas indesejadas. Os ensaios foram feitos com alface e grama-de-bent, modelos padrão em testes de herbicidas.
Em testes antifúngicos, o composto 2 também se destacou. Contra o patógeno que causa antracnose do morango, promoveu zonas de inibição maiores do que as de fungicidas de referência como carvacrol e timol. A lentilha-d’água, usada pela indústria de pesticidas para medir toxicidade, confirmou o potencial das substâncias.
Comparação com defensivos atuais
Os testes comparativos mostraram que o efeito das substâncias pode ser mais eficiente que o de herbicidas como glifosato e clomazona, com concentrações menores necessárias para a ação. O glifosato é hoje o herbicida mais usado no mundo, valorizado por eficácia e baixo custo. Mas seu uso é alvo de controvérsias por riscos à saúde humana e ao meio ambiente.
Diversos países da União Europeia já proíbem ou restringem fortemente o uso da substância. A busca por alternativas naturais ganha força justamente nesse contexto. A descoberta amplia a gama de moléculas naturais que podem ser exploradas para o desenvolvimento de defensivos agrícolas alternativos aos pesticidas sintéticos.




