Com pluma firme no início de 2026, quem tem escala menor pode ganhar margem se acertar o momento da venda.
O algodão começou 2026 com preço firme no mercado interno. Não é disparada, mas é um patamar que chama atenção, principalmente para o pequeno produtor que vem de anos de custo alto e margem curta. O movimento principal é claro: a pluma segura acima de R$ 350/@ cria janela de comercialização. O desafio imediato é não se empolgar demais e perder o timing num mercado que pode sentir pressão lá na frente com oferta global maior.
Onde o preço está hoje e o que isso representa na prática
O Indicador CEPEA/ESALQ para pluma, considerando regiões de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais, girou em torno de R$ 351/@ entre os dias 8 e 12 de janeiro de 2026, com pequenas oscilações negativas no curto prazo. No Mato Grosso, dados do IMEA mostram preços regionais entre R$ 108/@ e R$ 110/@ nas principais praças no dia 13/01/2026, mantendo viés de leve alta.
Na prática, isso significa que o mercado está disposto a pagar bem pela pluma disponível. Para o pequeno produtor, que muitas vezes carrega parte da produção esperando melhor momento, esse nível de preço já remunera melhor do que a média observada em vários períodos anteriores, especialmente quando combinado com venda direta e logística bem ajustada.
Custo alto continua sendo o freio da margem
O ponto é que preço bom não vira lucro automático. Os custos da safra 2024/25 no Mato Grosso seguem elevados, conforme levantamentos do IMEA, e isso aperta a margem, principalmente para quem tem menor escala de compra de insumos e menos poder de negociação em frete e beneficiamento.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando compara o preço da pluma com:
- insumos adquiridos em dólar mais caro;
- serviços de beneficiamento e armazenagem;
- frete interno até algodoeiras ou pontos de venda.
Por isso, mesmo com a pluma valorizada, cada centavo negociado na venda faz diferença. Travar preço de parte do volume ou aproveitar negócios no mercado físico local pode ser mais eficiente do que esperar uma alta maior sem proteção.
Oferta global maior pode mudar o jogo adiante
O mercado internacional já sinaliza cautela. A produção mundial de algodão para a safra 2025/26 foi revisada para cerca de 25,78 milhões de toneladas de pluma, número que indica oferta mais folgada no cenário global. Isso tende a pressionar cotações futuras, especialmente na Bolsa de Nova York.
Hoje, os contratos em NY para março e maio de 2026 trabalham na faixa de 64 a 66 centavos de dólar por libra-peso, com estabilidade e leve viés de baixa em alguns momentos. O Brasil segue como protagonista nas exportações, mas não está imune a esse movimento global.
Para o pequeno produtor, a leitura é simples: o mercado atual está pagando bem pelo produto disponível, mas o risco de preços mais pressionados à frente existe e não deve ser ignorado.




