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Preço do algodão em alta abre espaço para o pequeno produtor

Redação
13/01/2026 às 20:20
Preço do algodão em alta abre espaço para o pequeno produtor

Com pluma firme no início de 2026, quem tem escala menor pode ganhar margem se acertar o momento da venda.

O algodão começou 2026 com preço firme no mercado interno. Não é disparada, mas é um patamar que chama atenção, principalmente para o pequeno produtor que vem de anos de custo alto e margem curta. O movimento principal é claro: a pluma segura acima de R$ 350/@ cria janela de comercialização. O desafio imediato é não se empolgar demais e perder o timing num mercado que pode sentir pressão lá na frente com oferta global maior.

Onde o preço está hoje e o que isso representa na prática

O Indicador CEPEA/ESALQ para pluma, considerando regiões de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais, girou em torno de R$ 351/@ entre os dias 8 e 12 de janeiro de 2026, com pequenas oscilações negativas no curto prazo. No Mato Grosso, dados do IMEA mostram preços regionais entre R$ 108/@ e R$ 110/@ nas principais praças no dia 13/01/2026, mantendo viés de leve alta.

Na prática, isso significa que o mercado está disposto a pagar bem pela pluma disponível. Para o pequeno produtor, que muitas vezes carrega parte da produção esperando melhor momento, esse nível de preço já remunera melhor do que a média observada em vários períodos anteriores, especialmente quando combinado com venda direta e logística bem ajustada.

Custo alto continua sendo o freio da margem

O ponto é que preço bom não vira lucro automático. Os custos da safra 2024/25 no Mato Grosso seguem elevados, conforme levantamentos do IMEA, e isso aperta a margem, principalmente para quem tem menor escala de compra de insumos e menos poder de negociação em frete e beneficiamento.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando compara o preço da pluma com:

  • insumos adquiridos em dólar mais caro;
  • serviços de beneficiamento e armazenagem;
  • frete interno até algodoeiras ou pontos de venda.

Por isso, mesmo com a pluma valorizada, cada centavo negociado na venda faz diferença. Travar preço de parte do volume ou aproveitar negócios no mercado físico local pode ser mais eficiente do que esperar uma alta maior sem proteção.

Oferta global maior pode mudar o jogo adiante

O mercado internacional já sinaliza cautela. A produção mundial de algodão para a safra 2025/26 foi revisada para cerca de 25,78 milhões de toneladas de pluma, número que indica oferta mais folgada no cenário global. Isso tende a pressionar cotações futuras, especialmente na Bolsa de Nova York.

Hoje, os contratos em NY para março e maio de 2026 trabalham na faixa de 64 a 66 centavos de dólar por libra-peso, com estabilidade e leve viés de baixa em alguns momentos. O Brasil segue como protagonista nas exportações, mas não está imune a esse movimento global.

Para o pequeno produtor, a leitura é simples: o mercado atual está pagando bem pelo produto disponível, mas o risco de preços mais pressionados à frente existe e não deve ser ignorado.

Câmbio ajuda, mas não faz milagre

O dólar comercial oscilou entre R$ 5,37 e R$ 5,42 no início de janeiro de 2026. Esse nível de câmbio segue dando sustentação aos preços internos, principalmente porque o algodão brasileiro é fortemente ligado à exportação.

O que muda a conversa é entender que o câmbio ajuda a segurar o preço, mas não compensa sozinho uma eventual queda mais forte em Nova York ou um excesso de oferta global. Para quem vende no mercado interno, o reflexo do dólar vem mais indireto, via demanda da indústria e paridade de exportação.

E o clima, atrapalha ou ajuda?

Até meados de janeiro de 2026, não há dados oficiais recentes de CEPEA ou IMEA apontando problemas climáticos relevantes para o algodão. Isso mantém o mercado mais focado em oferta, demanda e custos, sem prêmio climático no preço.

Quando o clima não entra no radar como risco, o mercado costuma ser mais técnico e mais sensível a números de produção e consumo. Para o produtor, isso significa menos espaço para sustos positivos de preço e mais necessidade de planejamento comercial.

Estratégias práticas para o pequeno produtor aproveitar a alta

Com esse cenário na mesa, algumas decisões práticas fazem diferença:

  1. Venda escalonada: aproveitar o patamar atual para vender parte do estoque e garantir caixa.
  2. Atenção ao mercado físico local: muitas vezes a melhor oportunidade está na negociação direta, reduzindo custos de frete.
  3. Evitar apostar tudo na alta: com oferta global maior, segurar 100% do volume pode ser arriscado.
  4. Planejamento da próxima safra: usar o preço atual como referência, mas recalcular custo com cuidado antes de ampliar área.

Comercialização discreta após o feriado indica que ainda há compradores buscando produto. Quem tiver qualidade e logística ajustada consegue negociar melhor.

Para acompanhar análises completas de algodão, acesse sempre nossa página exclusiva em Agronews – Algodão em tempo real.

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