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Etanol ganha espaço como investimento com demanda global aquecida

Redação
13/01/2026 às 08:34
Etanol ganha espaço como investimento com demanda global aquecida

Oferta curta no Centro-Sul e consumo firme mantêm preços sustentados e abrem janela para decisões estratégicas.

O mercado de etanol entra em 2026 com um recado claro para quem olha investimento no agro: o produto está valorizado, com fundamentos firmes, e a oferta segue ajustada. O desafio para o produtor e para o investidor é entender até onde essa sustentação vai e como capturar margem num ambiente de entressafra mais longa e demanda que não arrefeceu.

Onde o preço está sustentado hoje

Os dados do Cepea/Esalq mostram que o etanol hidratado fechou o período de 29/12/2025 a 02/01/2026 a R$ 3,3688 por litro, líquido de ICMS e PIS/Cofins, com alta semanal de 0,6129%. Na semana anterior, de 22 a 26/12/2025, o preço médio já havia sido de R$ 3,3489 por litro, também em alta.

Esse movimento não é pontual. O mercado acumulou 12 semanas consecutivas de avanço até o fim de 2025, sustentado por demanda aquecida e oferta limitada. Na prática, isso sinaliza um mercado ajustado, sem excesso de produto pressionando preços.

Quando se olha a parcial da safra 2025/26, entre abril e novembro de 2025, o etanol hidratado acumula valorização real de 5,07% e o anidro de 4,53% frente ao mesmo período da safra anterior, já descontada a inflação pelo IGP-M. Para quem investe, esse dado mostra consistência, não pico especulativo.

Custo, margem e o que pesa na conta

O ponto central para avaliar oportunidade de investimento não é só o preço, mas a relação com o custo de produção. A safra 2025/26 no Centro-Sul foi marcada por adversidades climáticas, com queda de produtividade da cana, piora no ATR e menor volume processado, segundo relatórios da Unica.

Além disso, 120 usinas encerraram a moagem até a primeira quinzena de novembro de 2025, contra 70 no mesmo período da safra 2024/25. Isso alongou a entressafra entre janeiro e março de 2026. Na prática, menos cana processada significa menor diluição de custo fixo e menor oferta de etanol disponível.

Para quem está da porteira para dentro, o impacto é direto: a margem depende cada vez mais de eficiência industrial, gestão de estoque e momento de venda. Para o investidor, o recado é que o mercado está pagando mais pelo produto justamente porque ele está mais escasso.

Clima, oferta curta e entressafra mais longa

As chuvas no fim de 2025 também limitaram a oferta imediata de etanol, contribuindo para a elevação dos preços no mercado físico. Com mais usinas fora de operação mais cedo, a entressafra ficou mais esticada, reduzindo a disponibilidade no início de 2026.

O que muda a conversa é que esse cenário cria uma percepção de risco de oferta para o mercado, o que tende a sustentar preços enquanto não há retomada plena da moagem. Para investimentos ligados a armazenagem, logística ou financiamento de estoque, esse é um ponto-chave.

Demanda interna firme e o papel da exportação

No consumo doméstico, o etanol segue com demanda aquecida. O anidro foi impulsionado pelas vendas de gasolina C, e os contratos representaram 90,45% do volume comercializado entre abril e novembro de 2025, superando o mercado spot. Isso indica previsibilidade de escoamento e menor volatilidade para quem está posicionado na cadeia.

Já no mercado externo, as exportações de etanol foram mais fracas. Entre abril e novembro de 2025, o Brasil exportou 1,07 bilhão de litros, queda de 11,8% em relação ao mesmo período de 2024. A receita somou US$ 567 milhões, retração de 18%.

Mesmo com demanda internacional elevada por biocombustíveis, o Brasil priorizou o mercado interno diante da oferta restrita. Para o investidor, isso mostra que a oportunidade ligada à alta demanda global existe, mas depende de aumento de produção para ser plenamente capturada.

O que esperar da safra 2026/27

As perspectivas para a safra 2026/27 apontam maior foco na produção de etanol, segundo análises do Cepea, especialmente se os preços do açúcar seguirem atrativos e houver equilíbrio na decisão de mix. Com uma oferta mais robusta, o Brasil pode voltar a atender melhor o mercado internacional.

Na prática, o investimento mais estratégico hoje está em se posicionar para esse próximo ciclo, seja via expansão de capacidade, eficiência industrial ou instrumentos de mercado que permitam travar preços e margens futuras.

Estratégias práticas para produtor e investidor

Alguns caminhos práticos ganham relevância neste cenário:

  • Gestão de estoque: em mercado ajustado, segurar produto na entressafra pode capturar prêmios.
  • Contratos e hedge: acompanhar oportunidades na B3 para reduzir risco de preço.
  • Eficiência industrial: cada ganho em ATR e rendimento pesa mais quando a oferta é curta.
  • Planejamento para 2026/27: investir agora pensando em maior produção futura e atendimento do mercado externo.

O ponto é que o etanol segue como ativo estratégico, tanto energético quanto financeiro, num ambiente de transição energética e demanda crescente por biocombustíveis.

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