Oferta curta no Centro-Sul e consumo firme mantêm preços sustentados e abrem janela para decisões estratégicas.
O mercado de etanol entra em 2026 com um recado claro para quem olha investimento no agro: o produto está valorizado, com fundamentos firmes, e a oferta segue ajustada. O desafio para o produtor e para o investidor é entender até onde essa sustentação vai e como capturar margem num ambiente de entressafra mais longa e demanda que não arrefeceu.
Onde o preço está sustentado hoje
Os dados do Cepea/Esalq mostram que o etanol hidratado fechou o período de 29/12/2025 a 02/01/2026 a R$ 3,3688 por litro, líquido de ICMS e PIS/Cofins, com alta semanal de 0,6129%. Na semana anterior, de 22 a 26/12/2025, o preço médio já havia sido de R$ 3,3489 por litro, também em alta.
Esse movimento não é pontual. O mercado acumulou 12 semanas consecutivas de avanço até o fim de 2025, sustentado por demanda aquecida e oferta limitada. Na prática, isso sinaliza um mercado ajustado, sem excesso de produto pressionando preços.
Quando se olha a parcial da safra 2025/26, entre abril e novembro de 2025, o etanol hidratado acumula valorização real de 5,07% e o anidro de 4,53% frente ao mesmo período da safra anterior, já descontada a inflação pelo IGP-M. Para quem investe, esse dado mostra consistência, não pico especulativo.
Custo, margem e o que pesa na conta
O ponto central para avaliar oportunidade de investimento não é só o preço, mas a relação com o custo de produção. A safra 2025/26 no Centro-Sul foi marcada por adversidades climáticas, com queda de produtividade da cana, piora no ATR e menor volume processado, segundo relatórios da Unica.
Além disso, 120 usinas encerraram a moagem até a primeira quinzena de novembro de 2025, contra 70 no mesmo período da safra 2024/25. Isso alongou a entressafra entre janeiro e março de 2026. Na prática, menos cana processada significa menor diluição de custo fixo e menor oferta de etanol disponível.
Para quem está da porteira para dentro, o impacto é direto: a margem depende cada vez mais de eficiência industrial, gestão de estoque e momento de venda. Para o investidor, o recado é que o mercado está pagando mais pelo produto justamente porque ele está mais escasso.
Clima, oferta curta e entressafra mais longa
As chuvas no fim de 2025 também limitaram a oferta imediata de etanol, contribuindo para a elevação dos preços no mercado físico. Com mais usinas fora de operação mais cedo, a entressafra ficou mais esticada, reduzindo a disponibilidade no início de 2026.
O que muda a conversa é que esse cenário cria uma percepção de risco de oferta para o mercado, o que tende a sustentar preços enquanto não há retomada plena da moagem. Para investimentos ligados a armazenagem, logística ou financiamento de estoque, esse é um ponto-chave.




