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Etanol e petróleo mostram como a volatilidade pesa no preço

Redação
12/01/2026 às 16:48
Etanol e petróleo mostram como a volatilidade pesa no preço

A ligação entre combustíveis segue mexendo na margem do produtor e exige leitura fina do mercado.

Quem acompanha o mercado de etanol sabe que ele não anda sozinho. A cotação do petróleo lá fora, mesmo sem aparecer todo dia na conversa da porteira para dentro, acaba entrando na conta do produtor via competitividade com a gasolina. Esse movimento ficou claro ao longo de 2024 e segue presente agora, com preços firmes na entressafra e um sinal de alerta ligado para a próxima safra.

O ponto é que o etanol não reage apenas à cana disponível ou ao consumo doméstico. Ele responde ao pacote completo de energia: petróleo, gasolina, câmbio e política de combustíveis. Entender esse encaixe ajuda o produtor e a usina a não tomarem decisão no susto.

O que está acontecendo com os preços do etanol

Os dados mais recentes do Cepea mostram um mercado firme na virada do ano. Entre o fim de dezembro e o início de janeiro, o etanol hidratado foi negociado, em média, a R$ 2,9561 por litro, líquido de impostos. Esse movimento marcou a 12ª semana consecutiva de alta. No mesmo período, o etanol anidro fechou em R$ 3,3688 por litro, acumulando a segunda semana seguida de valorização.

Na prática, o produtor sente isso no bolso porque a entressafra limita a oferta. Estoques mais enxutos no Centro-Sul e uma demanda mais aquecida, especialmente pelo hidratado, sustentam as cotações. Em São Paulo, as vendas de hidratado cresceram de forma expressiva, reforçando essa firmeza até pelo menos março.

Onde o petróleo entra nessa conta

Mesmo sem números fechados recentes de paridade, a lógica é direta. Quando o petróleo internacional sobe, a gasolina tende a ficar mais cara ou, no mínimo, mais pressionada. Isso melhora a competitividade do etanol na bomba, principalmente do hidratado, puxando consumo e dando suporte aos preços no mercado físico.

Em 2024, esse canal ficou evidente. Oscilações do petróleo trouxeram volatilidade para os combustíveis como um todo. Não é que o etanol copie o petróleo, mas ele reage ao espaço que a gasolina deixa. Já o anidro sente esse efeito de forma indireta, porque depende da mistura obrigatória na gasolina C e do ritmo de vendas do combustível fóssil.

Custos, margens e a decisão de venda

Com preços firmes na entressafra, a margem melhora para quem tem produto disponível. Mas o produtor não pode olhar só o preço na tela. Custo de produção, necessidade de caixa e capacidade de armazenagem pesam muito.

O que muda a conversa é lembrar que esse suporte atual vem mais da restrição de oferta do que de um cenário estruturalmente apertado. Ou seja, é um mercado que paga bem agora, mas pode virar mais à frente.

Safra nova no radar e risco de pressão

O Cepea projeta que a safra 2026/27 no Centro-Sul pode atingir 625 milhões de toneladas de cana, com início de moagem a partir de abril. Esse volume maior, somado à expansão do etanol de milho, acende o alerta para um possível excesso de oferta mais adiante.

Além disso, o mercado internacional de açúcar trabalha com a expectativa de superávit global. Se o açúcar perder atratividade, mais cana pode ser direcionada para etanol, aumentando ainda mais a oferta. É aí que o petróleo volta a ser decisivo: se ele não sustentar a competitividade do etanol frente à gasolina, a pressão nos preços aparece rápido.

Câmbio e exportação entram no jogo

Mesmo sem dados recentes de câmbio detalhados, o mecanismo é conhecido. Um real mais fraco melhora a atratividade das exportações e ajuda a indústria a escoar parte da produção. Já um câmbio mais forte limita esse canal e deixa o mercado interno mais carregado.

Para o produtor, isso significa acompanhar não só o preço do etanol, mas também o ambiente macro. Petróleo, câmbio e política de combustíveis formam um tripé que define a liquidez do setor.

Estratégias práticas para quem produz

Diante desse cenário, algumas linhas de ação fazem sentido:

  • Aproveitar a entressafra para negociar volumes disponíveis enquanto o mercado segue firme.
  • Evitar travar tudo pensando apenas no preço atual, já que a safra nova pode mudar o jogo.
  • Monitorar o petróleo como indicador indireto de competitividade do etanol frente à gasolina.
  • Ficar atento ao açúcar, porque a decisão industrial impacta diretamente a oferta de etanol.

Estoques baixos ajudam a limitar quedas no curto prazo, mas não seguram um mercado pressionado por oferta maior lá na frente. Planejamento e leitura de mercado seguem sendo tão importantes quanto produzir bem.

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Agronews é informação para quem produz.

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