Arroba do boi gordo inicia a semana em alta devido ao bom ritmo de exportações e escalas de abate ajustadas. Confira as cotações atualizadas em São Paulo, Goiás, Minas Gerais e mais
A semana começa com sinal verde para quem está com boi pronto no pasto ou no cocho. O preço do boi gordo voltou a subir nas principais praças do país, refletindo um ajuste fino entre oferta curta e uma demanda externa que segue firme. Não é disparada, mas é um movimento consistente, daqueles que ajudam a melhorar a conta no fim do mês.
O produtor sente no dia a dia que a indústria está mais ativa na compra, especialmente onde a escala está curta. Frigorífico com necessidade imediata de boi acaba pagando um pouco mais para não parar a linha. Em algumas regiões, os negócios já saem acima da média de referência, o que reforça a leitura de mercado sustentado no curto prazo.
Bolso do produtor
Em São Paulo, a arroba média do boi gordo chegou a R$ 323,17, acima do valor observado no fim da semana passada. É uma alta moderada, mas relevante num cenário de custos ainda pesados, principalmente para quem confinou. Goiás também mostrou avanço, com a arroba em R$ 308,39. Minas Gerais subiu com mais força, alcançando R$ 310,29.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul trabalha na casa de R$ 308,30, enquanto Mato Grosso registra média de R$ 300,27. Mesmo sendo o menor valor entre as praças acompanhadas, o estado também teve correção positiva em relação aos dias anteriores.
Para o pecuarista, o ponto-chave é entender que essa melhora não vem por sobra de consumo interno. Ela está muito mais ligada à necessidade da indústria e ao bom desempenho das vendas externas. Por isso, cada decisão de venda precisa considerar o perfil do frigorífico da região e a real urgência de escala.
Escalas mais curtas
As escalas de abate seguem ajustadas, especialmente para frigoríficos de menor porte. Essas plantas têm menos gordura financeira para trabalhar com programação longa e acabam sendo mais agressivas na compra. Isso ajuda a sustentar os preços, mesmo num período em que o consumo doméstico não reage.
Para o produtor, esse cenário abre espaço para negociação, mas exige atenção. Quem tem boi bem-acabado, padrão exportação, encontra mais facilidade para fechar negócio. Já o animal fora do padrão sofre mais pressão e pode não capturar toda a valorização do mercado.
Outro ponto importante é o ritmo de oferta. Não há excesso de boi terminado neste momento, o que contribui para manter o equilíbrio. A entrada de animais de confinamento acontece de forma gradual, sem inundar o mercado. Clique aqui e acompanhe o agro.
Consumo interno fraco
Se o campo dá sinais positivos, a ponta do consumo interno anda mais travada. No atacado, os preços da carne seguem estáveis, mas o sentimento é de cautela. A população está com o orçamento apertado, priorizando proteínas mais baratas no carrinho do supermercado.
Frango e ovos ganham espaço, enquanto a carne bovina perde volume. Isso é típico do começo do ano, quando pesam despesas como impostos, material escolar e outras contas fixas. Esse comportamento limita repasses de alta para o varejo e impede movimentos mais fortes no boi.
Por isso, o suporte atual do mercado não vem da mesa do brasileiro médio, e sim do mercado externo e da dinâmica das escalas. É um ponto que o produtor precisa ter claro para não criar expectativa além do que o mercado pode entregar.
Exportações sustentam preços
As exportações seguem como o grande pilar da sustentação do boi gordo. Em janeiro, considerando 16 dias úteis, as vendas externas de carne bovina renderam US$ 1,024 bilhão. A média diária ficou em US$ 64,057 milhões, um número robusto para o período.
Esse desempenho mantém a indústria focada no mercado internacional, garantindo escoamento da produção e ajudando a segurar os preços da arroba. Mesmo com o dólar um pouco mais fraco, o volume embarcado compensa.
O câmbio fechou o dia com leve queda, a R$ 5,2798 para venda. Não é o cenário ideal para exportar, mas também não chega a comprometer as margens de quem opera com eficiência.
O que observar agora
Para os próximos dias, o produtor precisa acompanhar de perto três pontos: evolução das escalas, ritmo das exportações e comportamento do atacado. Se as escalas continuarem curtas e os embarques firmes, há espaço para manutenção ou até novos ajustes positivos.
Por outro lado, qualquer retração mais forte do consumo ou alongamento rápido das programações pode esfriar o mercado. Não é momento de euforia, mas também não é hora de vender com pressa sem fazer conta.
Conversa franca com o comprador, atenção ao padrão do boi e olho nos números seguem sendo as melhores ferramentas. O mercado está pagando melhor, mas só leva o prêmio quem entrega o que a indústria precisa.
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