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Ele foi ser o BRABÃO DO SERTÃO e olha o que aconteceu, a natureza não aceita desaforo

O vídeo que está bombando na internet mostra exatamente o que NÃO fazer quando encontrar uma colmeia no mato.

Atualizado em
Como apuramos e corrigimos
BRABÃO DO SERTÃO - DESAFIO DA ABELHA

No vasto dicionário da vida no campo, existe uma linha muito tênue entre a coragem e a completa falta de juízo. E no vídeo que trazemos hoje, essa linha não foi apenas cruzada; ela foi atropelada, mastigada e coberta de mel.

Mas o nosso protagonista de hoje decidiu ignorar a biologia. Com a confiança de quem acha que é imortal, o jovem gravou um vídeo desafiando o enxame, chamando as abelhas para a briga e criticando os “calça frouxa” que têm medo de inseto.

Digamos que a resposta das abelhas foi imediata e contundente. O que começa com um discurso de “macho alfa” termina em uma coreografia de desespero, gritos agudos e uma corrida pela caatinga que deixaria qualquer atleta olímpico com inveja.

É uma aula prática (e dolorosa) de humildade: nunca mexa com quem está quieto, especialmente se “quem está quieto” voa e tem milhares de irmãs para ajudar na briga.

Se você quer dar boas risadas (com respeito, claro) e ver o exato momento em que o arrependimento bateu na porta desse jovem, assista ao vídeo completo abaixo e deixe seu comentário.

Vídeo do Brabão do Sertão

Aperte o play no vídeo abaixo e veja o desfecho hilário dessa batalha épica.

O vencedor desse desafio foi… as abelhas Arapuás

As abelhas arapuás (ou irapuás) são velhas conhecidas de quem vive na lida. Famosas por não terem ferrão, elas costumam ser subestimadas pelos desavisados. Mas quem é do ramo sabe: o que falta de veneno, elas compensam na impertinência. Elas mordiscam, entram no nariz e, o pior de tudo, grudam no cabelo como se fossem chiclete industrial.

A ausência de ferrão funcional não significa que a arapuá seja indefesa.

Quando se sente ameaçada, especialmente nas proximidades da colônia, pode utilizar suas mandíbulas para morder e tentar afastar o invasor. Também apresenta um comportamento bastante peculiar: algumas operárias se enroscam nos cabelos, dificultando a aproximação de pessoas e animais.

Não é por acaso que ganhou apelidos como abelha-cachorro e enrola-cabelo.

Suas mandíbulas também servem para cortar tecidos vegetais. A espécie consegue remover partes de pétalas, folhas e flores para obter materiais ou acessar recursos alimentares. Em determinadas situações, disputa flores com outras abelhas e até com visitantes como borboletas e beija-flores.

Essas características foram descritas pelo Horto Botânico do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que documenta o comportamento de defesa, alimentação e coleta de materiais da espécie.

Ninhos que parecem cupinzeiros e abrigam milhares de abelhas

Uma das características mais impressionantes da arapuá está na arquitetura de sua moradia.

Diferentemente de muitas abelhas sem ferrão que aproveitam cavidades existentes, a Trigona spinipes constrói grandes ninhos externos, geralmente apoiados em galhos e bifurcações de árvores.

As estruturas têm formato arredondado ou ovalado, lembrando cupinzeiros suspensos.

A reputação da arapuá como praga agrícola acaba levando à destruição de colônias, mas pesquisadores alertam que esse comportamento pode eliminar também um polinizador nativo.

Em 2023, pesquisadores vinculados à Universidade Federal do Piauí e à Embrapa Meio-Norte apresentaram um trabalho sobre a possibilidade de criação da Trigona spinipes em colmeias. O objetivo era investigar alternativas de manejo que permitissem conhecer melhor a espécie e favorecer sua convivência com atividades agrícolas.

O estudo parte de um problema concreto: não basta classificar a arapuá como benéfica ou prejudicial. Seu impacto depende da planta visitada, dos recursos disponíveis e do comportamento das operárias.

A Embrapa Hortaliças também documentou a utilização dessa espécie como polinizadora em programas de melhoramento genético de cebola e cenoura, demonstrando que uma abelha considerada problemática em determinados pomares pode ter utilidade em outros sistemas de produção.

Por isso, a presença de uma colônia deve ser avaliada antes de qualquer intervenção. Em áreas cultivadas, identificar corretamente a espécie, confirmar a origem dos danos e buscar orientação técnica permite escolher medidas de manejo compatíveis com a conservação dos polinizadores.

A questão que permanece para agricultores e pesquisadores é como aproveitar os serviços de polinização da arapuá sem deixar que seus hábitos alimentares comprometam o rendimento das lavouras e pomares.

Confira nosso caderno especial de Curiosidades para ver outras situações inacreditáveis.

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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