Soja (MT)R$ 138,75+0.03%
Milho (MT)R$ 47,16-0.59%
Algodão (MT)R$ 130,55-1.33%
Boi Gordo (MT)R$ 338,04+0.57%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
Soja (MT)R$ 138,75+0.03%
Milho (MT)R$ 47,16-0.59%
Algodão (MT)R$ 130,55-1.33%
Boi Gordo (MT)R$ 338,04+0.57%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%
Soja (MT)R$ 138,75+0.03%
Milho (MT)R$ 47,16-0.59%
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Boi Gordo (MT)R$ 338,04+0.57%
Leite (MT)R$ 2,39-0.30%

Soja também dá mel: apicultores colhem 36 toneladas com flores da lavoura

Soja também dá mel apicultores colhem 36 toneladas com flores da lavoura

Experiência no Pampa Gaúcho mostra como integrar produção de grãos e apicultura; em Mato Grosso, o potencial depende do manejo das lavouras, da saúde das colônias e da coordenação entre produtores.

Antes da colheita dos grãos, as flores da soja oferecem outro recurso: néctar para as abelhas. No Pampa Gaúcho, essa conexão sustentou a produção de aproximadamente 36 toneladas de mel por 23 apicultores na safra 2025/26. O resultado, divulgado pela BASF essa semana, representa crescimento de 44% em relação à temporada anterior.

A experiência integra o Projeto Coexistência entre Agricultura e Apicultura, que aproxima sojicultores e produtores de mel. Durante a floração, as lavouras funcionam como fonte complementar de alimento para as colmeias. A continuidade está prevista para a safra 2026/27.

“Esse projeto mostra que produtividade agrícola e conservação ambiental podem caminhar juntas. Quando agricultores e apicultores trabalham de forma integrada, com boas práticas e diálogo permanente, todos ganham e a experiência da safra 2025/26 só reforça isso. O plantio das mudas representa a continuidade desse compromisso e transforma os resultados gerados pela cadeia em benefícios ao meio ambiente“, avalia Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF Soluções para Agricultura Brasil.

Em Mato Grosso, a extensa área dedicada à soja oferece uma base para investigar essa integração. O aproveitamento, porém, depende de organizar apiários, conhecer as floradas e compatibilizar as operações agrícolas com a atividade das abelhas. A dimensão da sojicultura estadual, documentada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), torna essa possibilidade relevante para produtores e assistência técnica.

A flor alimenta as abelhas, e a visita pode beneficiar a soja

A expressão “mel de soja” se refere ao aproveitamento do néctar das flores da cultura. Na base da flor existe um nectário, estrutura que produz a substância açucarada procurada pelos insetos. O livro Soja e Abelhas, da Embrapa, descreve muito bem esse mecanismo e explica que a soja realiza autopolinização, mas também pode se beneficiar da visita de abelhas.

A relação aparece na cartilha Boas Práticas para Integração entre Apicultura e Sojicultura, publicada pelo Senar em 2025. O documento reúne orientações sobre proteção dos polinizadores, tecnologia de aplicação, manejo das colmeias e comunicação entre produtores.

Soja também dá mel apicultores colhem 36 toneladas com flores da lavoura

Essa publicação apresenta resultados de pesquisas da Embrapa com incrementos de produtividade da soja de até 13%, chegando a 18% em alguns anos. São resultados associados às condições estudadas e à presença de uma população adequada de abelhas, sem constituir uma expectativa automática para qualquer propriedade.

Para os apicultores, o interesse está na oferta de alimento durante a floração. A cartilha registra relatos de colheitas nesse período superiores à média anual brasileira por colmeia mencionada na publicação. Também observa que a soja não é considerada uma planta melífera clássica, embora seja visitada pelas abelhas, especialmente para coleta de néctar.

O benefício exige que os demais componentes do sistema funcionem. Solo, controle de pragas e condução da cultura continuam determinantes; a polinização suplementar se integra a esse conjunto.

O cuidado começa antes de ligar o pulverizador

Uma abelha pode entrar em contato com um pesticida sem ser atingida diretamente pela pulverização. Resíduos em superfícies vegetais, néctar, pólen e fontes de água também são vias de exposição descritas pela cartilha.

O material distingue três formas de absorção: oral, respiratória e dérmica. A ingestão de alimento contaminado pode afetar as abelhas que buscam recursos no campo e outros indivíduos da colônia. O contato com produtos ou superfícies tratadas permite a absorção pelo corpo; a via respiratória depende, entre outros fatores, da capacidade de volatilização do pesticida.

Soja também dá mel apicultores colhem 36 toneladas com flores da lavoura

Por isso, a publicação coloca o Manejo Integrado de Pragas no centro da convivência entre soja e apicultura. A decisão de controlar uma praga deve considerar o monitoramento da população e dos danos, com técnicas como o pano de batida, além do reconhecimento de predadores e outros inimigos naturais.

Há um detalhe que amplia o cuidado: mesmo quando a soja não está florescendo, plantas nas bordas ou no interior da lavoura podem estar atraindo abelhas. A avaliação antes de uma aplicação precisa considerar essas floradas.

O horário também importa. A visitação às flores da soja é mais intensa entre 8h e 14h, com pico entre 10h e 12h. O documento aponta o final da tarde ou a noite como alternativas para reduzir a exposição direta quando uma aplicação é necessária. A escolha exige observar a atividade das abelhas no local, as condições atmosféricas e as restrições da bula.

Uma gota pequena pode alcançar outra área

A deriva ocorre quando parte da pulverização se desloca para fora do alvo. Na integração com a apicultura, esse movimento pode levar produtos até colmeias, vegetação visitada por abelhas ou fontes de água.

Quanto menor a gota, mais tempo ela tende a permanecer em suspensão. Estudos que apontam deriva muito baixa para diâmetros superiores a 200 micrômetros e risco mais elevado para gotas inferiores a 150 micrômetros sob determinadas condições de vento. Um micrômetro equivale a um milésimo de milímetro.

Soja também dá mel apicultores colhem 36 toneladas com flores da lavoura

A escolha envolve uma relação entre cobertura do alvo e controle da deriva. Gotas mais finas favorecem cobertura e penetração, mas ficam mais sujeitas à evaporação e ao transporte pelo ar. Gotas maiores ajudam a conter esse deslocamento, embora possam reduzir cobertura e penetração.

Ponta de pulverização, pressão, altura da barra, velocidade da máquina, temperatura, umidade e vento precisam ser considerados juntos. O tamanho da gota, isoladamente, não assegura uma operação adequada.

A colônia precisa chegar forte à florada

A oferta de néctar encontra limites dentro da própria colmeia. É considerada forte uma colônia com população superior a 50 mil indivíduos e destaca a importância de manter crias e abelhas adultas saudáveis.

O apicultor precisa acompanhar alimentação, condição dos favos, presença de pragas e desempenho da rainha. Para apiários instalados na borda de lavouras, o documento recomenda visitas semanais, sempre que possível.

Algumas curiosidades ajudam a entender esse trabalho.

Os favos de cria escurecem com o uso, e suas células podem ficar menores. Segundo a publicação, abelhas desenvolvidas nessas células emergem com menor tamanho. A substituição de favos também contribui para reduzir o acúmulo de compostos e microrganismos na cera.

Outro recurso é o “pão de abelha”: pólen armazenado nos favos e combinado com mel ou secreções glandulares, formando um alimento importante para a colônia.

Até a entrada da colmeia, chamada alvado, exige atenção à paisagem. A orientação apresentada pelo Senar é posicioná-la para reduzir a incidência de correntes de vento, em vez de adotar obrigatoriamente a direção leste.

Mato Grosso tem potencial, mas a parceria ultrapassa a propriedade

Para desenvolver a integração em Mato Grosso, o planejamento precisa alcançar as áreas vizinhas. Como vimos, abelhas em busca de alimento podem percorrer entre 2,5 e 3 quilômetros a partir da colmeia e recomenda incluir no sistema de comunicação os produtores situados em um raio de 3 quilômetros do apiário.

Esse raio orienta o diálogo entre produtores. As faixas de segurança para pulverização dependem das condições da operação e das recomendações específicas dos produtos.

Recomenda-se avisar os apicultores com pelo menos 48 horas de antecedência sobre aplicações de pesticidas próximas aos apiários. Mapear as colmeias e compartilhar informações sobre plantio, início da floração e manejo permite antecipar decisões.

Soja também dá mel apicultores colhem 36 toneladas com flores da lavoura

O potencial mato-grossense envolve, portanto, a combinação entre lavouras, estrutura apícola e disponibilidade de alimento ao longo do ano. Um calendário floral permite identificar quando diferentes plantas oferecem recursos e em quais períodos pode haver escassez.

A vegetação próxima às áreas produtivas participa desse planejamento. Árvores, arbustos e outras plantas que florescem em épocas diferentes ajudam a sustentar as abelhas além da florada da soja. No projeto gaúcho, essa preocupação levou ao plantio de cerca de 5 mil mudas nativas em São Gabriel, em agosto, com o objetivo de ampliar a oferta de recursos florais durante a entressafra.

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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