Soja (MT)R$ 123,13+0.43%
Milho (MT)R$ 42,94+1.15%
Algodão (MT)R$ 131,53+0.08%
Boi Gordo (MT)R$ 318,88+0.27%
Leite (MT)R$ 2,27+5.06%
Soja (MT)R$ 123,13+0.43%
Milho (MT)R$ 42,94+1.15%
Algodão (MT)R$ 131,53+0.08%
Boi Gordo (MT)R$ 318,88+0.27%
Leite (MT)R$ 2,27+5.06%
Soja (MT)R$ 123,13+0.43%
Milho (MT)R$ 42,94+1.15%
Algodão (MT)R$ 131,53+0.08%
Boi Gordo (MT)R$ 318,88+0.27%
Leite (MT)R$ 2,27+5.06%

A terceira queda consecutiva em Chicago e o ruído diplomático no Dólar: O clima pressiona os grãos

grãos caem em chicago

Chegamos à quarta-feira registrando a consolidação de um ciclo de baixa nas telas agrícolas de Chicago. Pelo terceiro dia consecutivo, as commodities graneleiras operam em queda, empurradas pelo otimismo em relação à safra norte-americana e pela descompressão dos prêmios de guerra no exterior. Por outro lado, o mercado interno brasileiro ganha uma camada extra de volatilidade vinda do front político-financeiro, com o câmbio reagindo a atritos diplomáticos entre Brasília e Washington.

Abaixo, trazemos o detalhamento dos fundamentos que movimentam os negócios nesta manhã.

O front macro: Diplomacia no Golfo e tensão política Brasil-EUA

No cenário internacional de energia, o petróleo tipo Brent ensaia uma modesta recuperação nesta manhã, operando com alta de pouco mais de 1%, cotado a US$ 80,26, após despencar 6% no pregão de ontem. O pano de fundo continua sendo o avanço das articulações diplomáticas lideradas por Estados Unidos e Catar para conter o conflito com o Irã. A perspectiva de uma solução negociada reduz os riscos de estrangulamento no Estreito de Ormuz, garantindo a fluidez no escoamento de insumos e matérias-primas e mantendo o petróleo abaixo da casa dos US$ 85.

No mercado financeiro doméstico, o dólar registrou forte disparada no pregão de ontem e amanhece hoje em leve ajuste negativo, cotado a R$ 5,12. O movimento reflete o aumento do prêmio de risco país após o governo brasileiro negar visto a duas autoridades norte-americanas, sob a justificativa de evitar ingerência no pleito eleitoral de outubro, gerando temor de eventuais sanções econômicas dos EUA. Soma-se a isso a precificação de novos cortes na taxa básica Selic, o que reduz o diferencial de juros e pressiona a moeda nacional.

Complexo Soja: Três dias de recuo na CBOT com perspectiva de safra cheia

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o complexo soja acumula o terceiro dia seguido de perdas. O mercado futuro cede diante das previsões de chuvas volumosas e temperaturas favoráveis no Meio-Oeste americano, sinalizando a consolidação de uma safra cheia nos Estados Unidos.

A desvalorização é visível nos vencimentos:

  • Soja Agosto/26: Iniciou a semana cotada a 1169 cents/bushel e opera neste momento a 1149 cents/bushel, acumulando uma perda expressiva de 20 pontos.
  • Soja Março/27: Que havia aberto a semana acima do patamar psicológico dos 1200 cents/bushel, cedeu terreno e trabalha cotada a 1190 cents/bushel.

A confirmação de novas vendas de soja norte-americana para a China até chegou a gerar repiques pontuais de alta durante a sessão, mas o volume comprado pelos chineses não foi suficiente para anular o peso da oferta garantida pelo clima perfeito no Hemisfério Norte.

Milho e Trigo: Cereal cede acompanhando energia e clima

O milho alinha-se à soja e também registra o seu terceiro dia consecutivo de baixa na CBOT. O cereal sofre forte pressão dupla: de um lado, a melhoria contínua das condições das lavouras no Corn Belt; de outro, o recuo acumulado do petróleo nas últimas sessões, que reduz a margem dos biocombustíveis e desestimula a demanda industrial. O trigo segue a mesma trajetória defensiva.

O que levar no radar hoje:

Para nortear as suas decisões de fixação e compra de insumos nesta quarta-feira:

  • CBOT em Queda Livre: Soja acumula três dias de recuo; contrato Ago/26 perde 20 pontos na semana (1149) e Mar/27 cai para 1190 cents/bushel.
  • Clima Implacável nos EUA: Previsão de chuvas constantes mantém a expectativa de safra recorde e anula o impacto positivo das compras chinesas.
  • Petróleo Estabilizado: Brent recupera 1% para US$ 80,26 após tombo de 6%, com negociações entre EUA, Catar e Irã aliviando o frete marítimo global.
  • Dólar Atento ao Risco Político: Moeda americana opera a R$ 5,12, sustentada pelo ruído diplomático entre Brasil e EUA e pelas projeções de corte na Selic.
  • Estratégia de Balcão: A alta recente do dólar a R$ 5,12 compensou parte das perdas de Chicago no preço em reais da saca. Com o petróleo cotado na casa dos US$ 80 e as rotas de Ormuz desobstruídas, o momento é oportuno para avançar no travamento de fertilizantes via barter, aproveitando a trégua nos custos de importação.

Seguimos acompanhando o fechamento das posições e os desdobramentos do câmbio ao longo do dia para garantir a melhor informação estratégica.

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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Chicago grãos milho soja

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