Insumos seguem caros, câmbio manda no jogo e a decisão errada de compra pode comprometer a safra.
O custo dos fertilizantes e defensivos agrícolas entra em 2026 como um dos pontos mais sensíveis da conta do produtor. O movimento principal é claro: insumos seguem em patamar elevado, muito mais por fatores externos do que por qualquer ajuste interno. O desafio imediato, da porteira para dentro, é decidir quando comprar, quanto travar e até onde ir no pacote tecnológico sem estourar a margem antes mesmo da colheita.
Contexto de preços e o que realmente está caro
Os dados oficiais mais recentes ainda são, na prática, um retrato do fim de 2025. Eles mostram tendência, não um quadro fechado de 2026. No caso dos fertilizantes, o Brasil importou o produto a um preço médio FOB de US$ 340,3 por tonelada no acumulado de janeiro a agosto de 2025, cerca de 10% acima do mesmo período do ano anterior. Em agosto de 2025, esse valor chegou a US$ 358,4 por tonelada, alta de 12,7% frente a agosto de 2024.
O ponto é que, mesmo com alguma acomodação mensal, os relatórios técnicos de bancos e consultorias indicam que 2026 começa com preços internacionais ainda elevados, especialmente para fosfatados. Não há, até agora, divulgação oficial detalhada por produto para 2026 em fontes como Cepea ou IMEA, o que reforça a necessidade de o produtor trabalhar com tendência e não com esperança de queda abrupta.
Custos de produção e a margem cada vez mais apertada
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando faz a conta completa do custo de produção. Fertilizantes e defensivos representam uma fatia pesada do desembolso inicial, antes mesmo de o clima mostrar se vai ajudar ou atrapalhar. Com insumos ainda caros, a margem fica mais sensível a qualquer erro de planejamento, seja na compra atrasada, seja na aplicação mal ajustada.
Outro ponto importante é que, com a projeção de produção brasileira de grãos em expansão para a safra 2025/26, sustentada por área forte de soja e milho, a demanda por insumos segue firme. Ou seja, não há sinal de alívio via consumo menor. Quem trabalha em sistema de alta tecnologia tende a manter pacote completo, especialmente em regiões onde as chuvas se regularizaram na transição de safra.
Clima favorece produção mas não reduz custo de insumos
A melhora das condições climáticas em partes do Centro-Oeste e do Matopiba favorece o potencial produtivo, mas isso não significa redução automática no custo dos insumos. Pelo contrário. Com expectativa de boa safra, o produtor costuma investir para buscar produtividade máxima, o que mantém a procura por fertilizantes e defensivos em nível elevado.
O risco aqui é apostar que um clima melhor permitiria cortes fortes na adubação ou no manejo fitossanitário. Em sistemas intensivos, esse tipo de economia costuma sair caro lá na frente, seja em produtividade menor, seja em maior pressão de pragas e doenças.
Câmbio é o principal vilão e também a principal oportunidade
Quando o assunto é fertilizante e defensivo, o dólar manda mais do que qualquer outro fator. O Brasil importa entre 85% e 90% dos fertilizantes que consome. Isso significa que um dólar na faixa de R$ 5 a R$ 6 encarece imediatamente o insumo, enquanto qualquer recuo da moeda americana abre janela de compra.
O que muda a conversa é entender que, muitas vezes, não é o preço internacional que melhora a relação de troca, mas sim o câmbio. Para a safra 2025/26, análises técnicas reforçam que a decisão de travar insumos deve ser muito mais atrelada ao dólar do que a expectativas de queda global de preços.




