Colheita de soja nos EUA bate 88%, plantio no Brasil atinge 53% e Dólar a R$ 5,44 reabre o balcão
A primeira terça-feira de novembro abre com a Bolsa de Chicago (CBOT) operando em campo misto, enquanto os operadores assimilam a nova rodada de dados do boletim semanal de acompanhamento de safras do USDA. A soja tenta se firmar no terreno positivo após as fortes perdas recentes, mas enfrenta a pressão estatística de uma colheita norte-americana em ritmo acelerado, que atingiu 88% da área e superou com folga a média histórica. O milho, por sua vez, devolve a tentativa de recuperação da véspera e volta a operar em leve baixa.
No Brasil, o retorno do feriado de Finados coloca os holofotes sobre a reabertura do mercado de câmbio: após encerrar a última sexta-feira cotado a expressivos R$ 5,44, o dólar permanece em patamar elevado, funcionando como a principal boia de salvação para a receita do produtor nacional e ampliando a competitividade do grão brasileiro nos portos. No campo, a semeadura da safra 2026/27 rompe a metade da área projetada, atingindo 53% no território nacional. Já na energia, o petróleo Brent reage e sobe 1,61%, cotado a US$ 106,46 sob a influência contínua da tensão geopolítica entre Washington e Teerã.
Abaixo, detalho os fundamentos que comandam os negócios nesta manhã direto da nossa redação em Cuiabá.
Complexo Soja: Colheita atinge 88% nos EUA e limita fôlego de recuperação em Chicago
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da oleaginosa operam em terreno misto nesta terça-feira (03). O mercado tenta emplacar um respiro técnico após a forte desvalorização do último pregão, mas as cotações esbarram em um tripé de fundamentos que freia qualquer avanço consistente:
Ritmo Acelerado no Campo Norte-Americano: A atualização oficial do USDA revelou que a colheita de soja nos Estados Unidos alcançou 88% da área, superando tanto os registros anteriores (acima de 79%) quanto a média histórica dos últimos cinco anos, que é de 84%. O avanço fluido das máquinas inunda os canais logísticos de grão novo, pesando sobre a formação de preços.
Plantio em Expansão no Brasil: O avanço da semeadura sul-americana consolida a perspectiva de safra cheia no horizonte global, tirando o prêmio de risco das telas futuras.
Demanda Chinesa Contida: Embora o volume de compras de soja norte-americana pela China esteja consideravelmente mais aquecido do que o observado em 2025, os números acumulados continuam distantes da meta acordada entre os dois países, impedindo o surgimento de um rali consistente.
Milho e Trigo: Colheita nos EUA a 74% e baixa demanda pressionam o cereal
O milho não conseguiu sustentar o ensaio de recuperação do último pregão, quando recuou dos ganhos intradiários e encerrou com alta modesta. Nesta manhã, por volta das 7h20 (horário de MT), o cereal volta a operar em campo levemente negativo na CBOT.
O balanço estatístico divulgado pelo governo norte-americano aponta:
Colheita de Milho nos EUA: O trabalho de campo alcançou 74% da área colhida, situando-se próximo, porém ainda ligeiramente atrás da média de cinco anos, que é de 77%.
Pressão de Consumo: Além da pressão de oferta física trazida pelo avanço das colheitadeiras, o cereal sofre com a baixa demanda interna nos EUA, o que desestimula as tradings e reforça o viés de baixa. Para o trigo, o pregão abre sem novidades relevantes de fundamento, acompanhando o compasso do complexo de grãos.
América do Sul: Plantio brasileiro alcança 53% e produtor segura o físico
No cenário agronômico brasileiro, a safra 2026/27 segue demonstrando excelente ritmo de implantação. A semeadura no país alcançou 53% da área total estimada, mantendo um cronograma saudável e amparado por condições meteorológicas favoráveis na ampla maioria das regiões produtoras.
No ambiente de comercialização, o comportamento do produtor é de compasso de espera:
Mercado Travado: Com a taxa de câmbio estacionada na casa de R$ 5,44 e os contratos na bolsa operando sem prêmios atrativos, o agricultor prefere manter o foco operacional na condução das lavouras e segurar os lotes disponíveis.
Busca por Paridade: As fixações físicas permanecem restritas à necessidade de caixa imediato, aguardando janelas que remunerem melhor a saca em reais.
Mercado Financeiro: Dólar a R$ 5,44 reabre após feriado de Finados
No mercado cambial doméstico, a moeda norte-americana encerrou a última sexta-feira com forte valorização, fechando a R$ 5,44, e permaneceu estável com o fechamento dos mercados durante o feriado de Finados, reabrindo nesta manhã em busca de direcionamento.
Esse patamar elevado do câmbio atua como o principal esteio de sustentação para os preços internos das commodities agrícolas, com impacto direto na formação do milho e ampliando significativamente a competitividade da soja brasileira frente ao produto norte-americano nos portos internacionais. A paridade favorável beneficia a ponta exportadora nacional, embora a volatilidade pós-eleitoral exija cautela nos fechamentos futuros.
Cenário Geopolítico e Energia: Brent sobe 1,61% a US$ 106,46 com foco em EUA e Irã
No mercado internacional de energia, o petróleo tipo Brent tenta recuperar parte do recuo pronunciado registrado na véspera. O barril opera com alta de 1,61%, cotado a US$ 106,46 por volta das primeiras horas da manhã.
A atenção dos operadores globais continua centralizada nos desdobramentos militares e diplomáticos do atrito entre os governos dos Estados Unidos e do Irã. A ausência de um acordo ou cessar-fogo mantém o prêmio de risco geopolítico ativo na matriz energética, sustentando os preços dos combustíveis e mantendo a inflação de fretes marítimos e rodoviários no radar de custos operacionais do agronegócio.
Chicago Misto: Soja busca estabilidade técnica no campo positivo e milho volta a operar em baixa na CBOT.
Colheita Acelerada nos EUA: USDA reporta soja americana em 88% (acima dos 84% da média de 5 anos) e milho em 74% (vs. média de 77%).
Demanda da China: Compras chinesas nos EUA superam os índices de 2025, mas permanecem abaixo da meta acordada bilateralmente.
Plantio a 53% no Brasil: Semeadura da safra 2026/27 rompe a metade da área prevista sob clima favorável; produtor foca no campo e retém o grão.
Dólar a R$ 5,44: Moeda reabre após o feriado de Finados ancorada em patamar alto, garantindo competitividade e paridade atrativa para as exportações brasileiras.
Brent em Recuperação: Petróleo sobe 1,61% e trabalha a US$ 106,46, sustentado pela falta de solução no conflito entre EUA e Irã.
A recomendação para esta terça-feira pós-feriado é manter a compostura na comercialização: a colheita dos EUA a 88% impõe um teto para repiques em Chicago, mas o dólar a R$ 5,44 protege o balcão em Mato Grosso. Aproveite o excelente andamento do plantio, que já cobre mais da metade do país, para monitorar a reabertura do câmbio e travar lotes estratégicos assim que a liquidez se restabelecer. Um ótimo dia de negócios a todos!
Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes
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Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência
Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.