Oferta nos EUA pressiona Chicago, Brent salta a US$ 113 com risco de ataques
A última sexta-feira de outubro amanhece com o mercado de grãos em ritmo de acomodação na Bolsa de Chicago (CBOT), oscilando de lado com viés baixista diante do fluxo contínuo de oferta da colheita norte-americana. Embora os compradores chineses mantenham compras ativas, o volume apenas absorve parte do produto recém-colhido, sem gerar força técnica para empurrar as cotações para cima. No radar sul-americano, a Argentina inicia a semeadura sob umidade favorável, adicionando mais oferta potencial ao quadro global.
No Brasil, o produtor concentra energias na reta final do plantio e congela as negociações físicas, mesmo com o dólar voltando a subir forte e encerrando a sessão anterior a R$ 5,38. No milho, um distanciamento relevante de preços entre compradores e vendedores paralisa o balcão no oeste de Mato Grosso. Já no cenário macroeconômico, a energia renova o estresse global: o petróleo Brent dispara para a faixa de US$ 113,57, encostando nas máximas de seis meses devido à perspectiva iminente de novos ataques dos Estados Unidos ao Irã.
Abaixo, detalho os fundamentos que direcionam os negócios nesta manhã direto da nossa redação em Cuiabá.
Complexo Soja: Chicago de lado e pressão de oferta com colheita nos EUA
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da oleaginosa operam praticamente estáveis nesta manhã, mantendo uma leve inclinação negativa. Os operadores aguardam novos boletins oficiais de acompanhamento de campo, enquanto as colheitadeiras norte-americanas avançam aceleradas e sem interrupções sob condições meteorológicas secas no Meio-Oeste.
O equilíbrio precário das telas reflete um cabo de guerra:
Demanda Chinesa: As importadoras asiáticas mantêm compras em ritmo acelerado, garantindo vazão para expressivos lotes de exportação dos EUA.
Volume Ofertado: Apesar do fluxo comprador, a quantidade maciça de produto físico inundando os armazéns neutraliza qualquer ímpeto altista, impedindo ralis na bolsa.
Paralelamente, o mercado passa a monitorar a Argentina: segundo levantamento da World Weather Inc., o plantio da safra argentina avança com índices satisfatórios de umidade no solo, desenhando uma safra sul-americana potencialmente cheia para rivalizar com a produção brasileira nos portos globais.
Milho e Trigo: Spread de quase R$ 5,00 trava negociações no oeste de MT
O milho segue sem fôlego tanto no mercado internacional quanto nas praças de comercialização do Centro-Oeste brasileiro, acumulando perdas graduais.
No interior de Mato Grosso, a liquidez do cereal sofre uma paralisia provocada pelo descasamento entre a ponta vendedora e a compradora:
Divergência de Balcão: No oeste mato-grossense, os produtores mantêm pedidas acima de R$ 45,00 por saca, enquanto as indústrias e intermediários operam indicando compras entre R$ 40,00 e R$ 42,00.
Mercado Travado: Essa defasagem de quase R$ 5,00 afasta os participantes das mesas, deixando o mercado disponível em compasso de espera. Para o trigo, o pregão abre sem fatos novos de fundamento, acompanhando o complexo cerealífero e os desdobramentos da energia.
América do Sul: Produtor brasileiro foca na lavoura e retém a soja
No Brasil, o ritmo acelerado das máquinas na semeadura da safra 2026/27 faz o agricultor virar as costas temporariamente para o balcão comercial. Com as equipes de campo mobilizadas na implantação da cultura e aproveitando as janelas favoráveis de tempo, a comercialização da safra futura e do grão disponível fica em segundo plano.
Mesmo com a valorização do dólar devolvendo atratividade à paridade teórica de exportação, a ausência de prêmios atraentes nos portos e a indefinição de Chicago levam o produtor a reter o produto físico, resultando em liquidez reduzida e negócios puramente pontuais.
Mercado Financeiro: Dólar sobe forte para R$ 5,38 com cautela política
No ambiente cambial doméstico, a moeda norte-americana retomou trajetória de forte alta no pregão de ontem, fechando a R$ 5,38.
A movimentação acompanhou o fortalecimento generalizado do dólar frente às divisas de países emergentes no cenário internacional, somado às constantes preocupações dos agentes econômicos e investidores institucionais com as diretrizes fiscais e os rumos de mais um mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O câmbio ancorado nos R$ 5,38 sustenta a competitividade da soja brasileira nos portos, mas sua transmissão em liquidez imediata segue represada pela postura compenetrada do produtor no campo.
Cenário Geopolítico e Energia: Brent salta a US$ 113,57 com risco de escalada militar
No mercado de energia, o petróleo volta a registrar forte valorização nesta sexta-feira. O barril do tipo Brent avança em direção às máximas de seis meses e trabalha negociado a US$ 113,57 por volta das 7h30 (horário de MT).
O gatilho altista reside na deterioração das expectativas diplomáticas: a iminência de novos ataques militares das Forças Armadas dos Estados Unidos contra alvos no Irã afastou o otimismo de trégua e renovou os temores de interrupções imediatas no fornecimento e escoamento do produto nas rotas estratégicas do Oriente Médio. O patamar elevado do combustível preserva a rigidez dos custos operacionais no agronegócio, impactando diretamente o óleo diesel e as tabelas de fretes.
CBOT de Lado: Soja trabalha com leve viés negativo em Chicago; colheita avança nos EUA com clima favorável e oferta abundante.
Demanda Insuficiente: Compras ativas da China absorvem produto americano, mas não conseguem gerar fôlego de alta nas telas.
Argentina no Radar: Semeadura argentina avança sob boa umidade de solo (World Weather Inc.), adicionando oferta global à equação.
Milho Travado no Oeste de MT: Spread de quase R$ 5,00 entre pedidas (acima de R$ 45,00) e ofertas de compra (R$ 40,00 a R$ 42,00) paralisa os negócios.
Foco na Roça: Plantio brasileiro segue acelerado; produtor prioriza os trabalhos de campo e retira o foco das vendas físicas.
Dólar a R$ 5,38: Câmbio sobe forte e mantém a paridade de exportação elevada sob o peso das incertezas fiscais pós-eleição.
Brent a US$ 113,57: Petróleo encosta nas máximas de seis meses com risco de novos ataques militares norte-americanos contra o Irã.
O encerramento do mês de outubro impõe uma estratégia de paciência e disciplina. Com o plantio praticamente consolidado nas principais regiões de Mato Grosso e o dólar em patamar elevado a R$ 5,38, o produtor deve manter a cabeça fria diante das quedas pontuais de Chicago e do travamento do mercado de milho no balcão. Monitore a escalada do petróleo a US$ 113 para planejar as contratações logísticas de longo prazo. Um excelente final de semana e negócios assertivos a todos!
Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes
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Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência
Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.