Especialista explica que a cigarrinha injeta toxinas e provoca a morte da pastagem e o controle biológico é uma alternativa rentável e sustentável para o controle da praga
Com a chegada da primavera e das chuvas, começa um novo ciclo no campo com a renovação dos pastos e, consequentemente, o aparecimento de importantes pragas, como as cigarrinhas das pastagens. O Dr. Luan Alberto Odorizzi explica que a época das águas traz a esperança de prosperidade para a fazenda, mas também proporciona o clima adequado para o aparecimento de uma das principais pragas em pastagem.
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O professor conta que são várias as espécies que o pecuarista precisa controlar, dentre as mais importantes, destacam-se Zulia entreriana, Deois flavopicta, Deois schach e Mahanarva fimbriolata. Estes insetos são pertencentes à ordem Hemiptera (a mesma que cigarras e percevejo), são sugadores e, ao se alimentarem das plantas, injetam toxinas e provocam a morte da pastagem.
“Durante o período de seca, o pecuarista não consegue encontrar os adultos desta praga, pois como as condições de clima não são favoráveis (temperatura e umidade) esses insetos colocam seus ovos dentro do solo e estes mantêm-se em diapausa (sem atividades metabólicas). Com o retorno das chuvas, os ovos ativam novamente o metabolismo e dão origem às ninfas (fase jovem da cigarrinha)”, esclarece o professor Luan.
As ninfas podem ser encontradas na base das plantas, próximas às raízes, local onde estas se alimentam. Possuem coloração branco leitosa e não possuem asas e nem aparelho reprodutor desenvolvido. Nesta fase, ao se alimentar, as ninfas competem com as plantas sugando os nutrientes absorvidos pelas raízes.
Como forma de proteção, é possível encontrar as ninfas encobertas por uma espuma produzida pela glândula de Batelli, localizadas no final do abdome. Essa espuma confere proteção contra predadores e raios solares. Porém, é na fase adulta que os maiores prejuízos são verificados.
Os adultos possuem coloração variável de acordo com a espécie e podem variar de 6 a 10 milímetros. O adulto durante a alimentação injeta substâncias que irão coagular no interior dos tecidos da folha, o que poderá provocar a desorganização do transporte e a translocação da seiva, predominantemente no sentido apical, determinando a morte dos tecidos. Em geral, as folhas atacadas pelas cigarrinhas morrem a partir das pontas, apresentando, posteriormente, um aspecto retorcido. Exceto no que se refere às plantas muito jovens, as cigarrinhas não matam as touceiras, que rebrotam e se recuperam com o tempo. Este sintoma é conhecido como queima das pastagens. O ciclo de vida das cigarrinhas varia com a espécie e condições ambientais, girando em torno de 53 dias, com 3 a 4 gerações ao ano.




