Um dos maiores dilemas do desenvolvimento econômico é equacionar a expansão da produção agrícola para atender à crescente demanda mundial por alimentos sem prejudicar o meio ambiente.

No caso, a demanda por alimentos na China, o desenvolvimento tecnológico de sementes, bem como os avanços na logística favoreceram o boom de commodities agrícolas no Brasil.

É justamente o setor agropecuário que sublinha aproximadamente 50% das exportações brasileiras. O país é o celeiro e também o pulmão do mundo. Portanto, a proteção do meio ambiente deve ser levada em consideração ao aumentar a expansão agrícola no campo. Entre as culturas de maior expansão no Brasil se destaca a produção de soja, que hoje representa quase a metade das commodities exportadas.

Recentemente, tem havido um questionamento dos ambientalistas sobre o uso da terra para a produção de soja no país e a especulação imobiliária no Cerrado. Por sua rica biodiversidade, o Cerrado é fundamental para o ecossistema brasileiro. Porém, é justamente na região que se concentra a maior produção de soja, dado o baixo custo da terra e as características propícias de plantio.

Portanto, a preocupação é com as práticas de desmatamento excessivo e com a potencial especulação imobiliária resultante da demanda de terras para produção agrícola, que por sua vez, poderia gerar incentivo para o desmatamento do Cerrado.

Entretanto, os últimos dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), organizações de monitoramento de práticas de agricultura, apontam notícias promissoras.

Assim, nos últimos cinco anos houve uma desaceleração na expansão das terras agrícolas. Em particular, para a produção de soja, ao comparar o uso da terra em relação à produção, se registrou um incremento no rendimento médio de 3,4% nos últimos doze meses. Ou seja, o país produz mais grão com menor uso intensivo da terra.

Também, ao avaliar o desmatamento na região, ilustra-se uma desaceleração de 11% entre 2017 e 2018, o menor percentual registrado na série histórica. Além disso, na última década, houve um aumento nas áreas de reflorestamento.

Portanto, casos de desmatamento poderiam ser mais bem explicados por fatores como extração clandestina de áreas de preservação ou aumento de áreas de pastagens. Especificamente, em Tocantins, 12% do desmatamento ocorreram em áreas de conservação, sublinhando o Estado com o maior percentual de desmatamento no Cerrado.

Historicamente, a produção de soja ocorre nas áreas do Cerrado do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Mais recentemente, houve uma expansão para regiões do Piauí, Tocantins e Bahia. Sem dúvida, o baixo preço das terras facilitou a expansão.