O conhecimento das várias alternativas que podem ser utilizadas na dieta de bovinos é imprescindível para buscar redução nos custos da alimentação.

A polpa cítrica é um alimento bastante utilizado na alimentação animal, podendo ser utilizada em substituição do milho. Somente a partir da década de 90, que houve um aumento do uso nas dietas de bovinos no Brasil.

A polpa cítrica possui cerca de 90% do valor energético do milho (NDT), e assim como o milho tem um baixo teor de proteína (PB). O teor de amido é bastante baixo na polpa, sendo o seu principal carboidrato a pectina. A pectina é um carboidrato estrutural rapidamente fermentável e de alta taxa de degradação no rúmen. A fibra da polpa cítrica é bem mais alta do que a do milho, mas é uma fibra de alta digestibilidade, pois tem baixos teores de lignina. Dessa forma quase toda a fibra da polpa é digerida no rúmen

E então como decidir se devo fazer ou não a substituição do milho por polpa cítrica?

Em quatro níveis de substituição do milho pela polpa cítrica, não houve diferença na produção de leite, produção de leite corrigida para gordura, percentual de gordura e percentual de proteína com níveis de até 100% de substituição do milho pela polpa cítrica.

Portanto, pode-se substituir até 100% do milho por polpa cítrica para vacas com produção de até 20 kg de leite por dia.

Conhecendo os resultados esperados, é possível analisar os preços da polpa cítrica e do milho, bem como o preço recebido pelo leite e, a partir dessas informações decidir pelo uso desses insumos. Durante o ano, existem variações de vantagem competitiva de um alimento em relação ao outro. Além disso, existe a possibilidade de fechamento de contratos de polpa cítrica. Tudo isso deve ser levado em consideração na hora de tomar a decisão.

POLPA CÍTRICA PELETIZADA NA ALIMENTAÇÃO DE REBANHOS LEITEIROS

Origem:

A polpa cítrica peletizada é um sub-produto da agroindústria citrícola obtido após a extração do suco de laranja. É composto basicamente por cascas, sementes e o bagaço. O produto passa por um processo de secagem e peletização visando facilitar tanto o transporte e a armazenagem como o fornecimento aos animais, minimizando as perdas.

Valor Alimentício:

A polpa cítrica pode ser considerada um alimento concentrado energético, com teor de energia bastante semelhante ao milho. Porém, possui um teor mais alto de fibra em comparação ao milho, característica que a torna um alimento bastante distinto e particularmente interessante em dietas de vacas em lactação. Esta fração fibrosa é de alta digestibilidade, sendo composta principalmente por celulose. Além desta característica, a polpa cítrica contém alto teor (25-35 %) de pectina, um carboidrato estrutural cuja degradação é bastante elevada no rúmen. Deste modo, apesar de possuir teor energético semelhante aos grãos de cereais, a quase ausência de amido confere à polpa cítrica um padrão de fermentação ruminal mais estável, com menor queda do pH, diminuindo os riscos provenientes do fornecimento excessivo de grãos (acidose, problemas de casco, deslocamento de abomaso, etc.), que comprometem o desempenho animal nos aspectos reprodutivo e produtivo.

Justificativa Técnica para o Uso:

Provavelmente, o principal fator nutricional que limita o desempenho tanto de animais de corte como de leite é a dificuldade de se produzir regularmente volumoso de boa qualidade nas propriedades, traduzindo-se em reduzido teor energético e alto teor de fibra de baixa degradabilidade. Sabe-se que quanto pior a qualidade do volumoso produzido, maior é a suplementação de alimentos concentrados necessária. Além de onerar o custo da dieta, criam-se condições de fermentação inadequadas no rúmen, havendo queda excessiva no pH e prejudicando a própria digestão da fibra. Quanto maior a exigência nutricional do animal (maior produção de leite, por exemplo), mais grave torna-se este problema.

De acordo com este raciocínio, é natural que procuremos introduzir na dieta de vacas em lactação alimentos que forneçam fibra de boa qualidade. Dentro desta função, a polpa cítrica aparece como uma opção de alto interesse: possui alto teor energético, é bastante palatável e auxilia no fornecimento de fibra digestível em dietas com alto teor de grãos. Logo, a polpa cítrica peletizada apresenta condições para substituir o milho e outros cereais energéticos com vantagens.

Formas de Utilização:

A polpa cítrica é um produto de grande aceitação pelos animais, não apresentando dificuldade de adaptação nem odor no leite, sendo um produto que não exige restrições especiais quanto ao fornecimento. Para vacas em lactação, a recomendação é fornecer até 15 a 20 % da matéria seca total da dieta na forma de polpa cítrica, dependendo do nível de produção, ou até 4,0 kg/vaca/dia. A polpa cítrica pode também ser oferecida para novilhas (até 30 % da matéria seca total da dieta) e vacas secas. Contudo, não se deve utilizar uma recomendação geral; cada fazenda apresenta uma condição particular e é fundamental a participação de um profissional da área que tenha condições de balancear a dieta corretamente e maximizar o desempenho com a introdução da polpa cítrica. A seguir, fornecemos alguns exemplos de como maximizar a dieta utilizando a polpa cítrica como fonte de energia.

Dada a forma com que é comercializada, a polpa cítrica não necessita de qualquer processamento ou instalação especial para armazenamento, podendo ser fornecida diretamente no cocho complementando o volumoso. Este procedimento diminui a quantidade de concentrado a ser batido ou comprado pela fazenda, uma vez que grande parte da energia está sendo diretamente fornecida aos animais, restando apenas adicionar as fontes protéicas e mineral-vitamínicas para constituir uma dieta balanceada. Isto significa dizer que a capacidade da sua fábrica de ração será substancialmente elevada.

Ensilagem de capim elefante:

É inegável o potencial de produção do capim elefante em condições tropicais. Porém, justamente no momento em que apresenta maior qualidade com boa produtividade, ao redor de 50 a 60 dias entre cortes, esta forrageira apresenta menos de 20 % de matéria seca, gerando uma silagem com características fermentativas indesejáveis, com alto teor de ácido butírico e degradação de proteína, gerando pior desempenho. Neste intuito, a adição de 5 a 15 % de polpa cítrica na silagem de capim elefante (ex: 50 kg de polpa para cada 950 kg de capim, até 150 kg de polpa para 850 kg de capim) aumenta a matéria seca, fornece nutrientes aos microorganismos da silagem e, finalmente, promove a conservação do material com qualidade elevada. Na realidade, trata-se de uma técnica que efetivamente viabiliza a exploração do capim elefante na forma de silagem. Entre em contato conosco para maiores detalhes sobre este aspecto.

EXEMPLOS DE USO DA POLPA CÍTRICA PELETIZADA

O que é uma simulação de custo mínimo:

Para que o fazendeiro possa perceber melhor o potencial de uso do produto, procuramos elaborar 3 situações distintas, nas quais a polpa cítrica aparece como ingrediente da dieta. No intuito de obtermos situações economicamente interessantes, utilizamos os preços vigentes dos alimentos concentrados e consideramos preços médios de silagem de milho. Desta maneira, ao colocarmos as exigências do animal para qual a ração será formulada, o programa de computador escolhe a combinação mais barata de alimentos que supra as necessidades nutricionais estabelecidas. Este tipo de exercício nos permite minimizar o custo; é o que chamamos de ração de custo mínimo. Podemos, também, colocar algumas limitações para que o resultado final não seja absurdo. Por exemplo: limitamos a polpa cítrica a 3,5 kg de MS/vaca/dia, o caroço de algodão a 2,5 kg de MS/vaca/dia, o resíduo de cervejaria a 4 kg MS/vaca/dia, etc.