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Veto da UE à carne brasileira põe US$ 2 bilhões em risco

Gado nelore em pastagem no Mato Grosso durante o final da tarde, cenário da pecuária de corte brasileira afetada pelo veto europeu

Decisão da União Europeia de vetar carnes brasileiras a partir de setembro de 2026 ameaça até US$ 2 bilhões em exportações de proteína animal e acende alerta no setor produtivo.

US$ 2 bilhões ameaçados pelo veto europeu

A decisão da União Europeia de vetar as importações de carnes brasileiras a partir de 3 de setembro de 2026 pode custar ao país entre US$ 1,8 e US$ 2 bilhões por ano em exportações de proteína animal. Esse montante representa de 15% a 20% de todo o faturamento externo do setor e equivale a R$ 9 a R$ 10 bilhões no câmbio atual, um valor expressivo que acende alerta no setor produtivo nacional e mobiliza o governo em busca de uma solução diplomática para evitar o impacto sobre a balança comercial do país.

A Comissão Europeia formalizou a medida no Jornal Oficial da UE em 5 de junho. A nova regulamentação estabelece exigências sanitárias baseadas em parecer da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar sobre o uso de antimicrobianos na pecuária brasileira como condição para acesso ao mercado do bloco europeu.

Entre os produtos atingidos estão carne bovina in natura, carne suína, carne de aves, mel e pescado. Todos passam a exigir novos padrões de controle sanitário para ingressar no mercado europeu, afetando diretamente a pauta exportadora do agronegócio nacional, um dos pilares da economia brasileira.

Recorde do boi gordo contrasta com veto

O cenário de incerteza contrasta com o momento histórico da pecuária brasileira. O Indicador do Boi Gordo ESALQ B3 atingiu R$ 365 por arroba em abril o maior valor nominal da série histórica iniciada em 1997, segundo o Cepea da Esalq USP. As exportações de carne bovina somaram 701,6 mil toneladas no primeiro trimestre, volume 19,7% superior ao mesmo período de 2025. A alta reflete a demanda global aquecida por proteína animal e a consolidação do Brasil como maior exportador mundial de carne bovina.

O preço médio da tonelada exportada em março chegou a US$ 5.814,80, com aumento de 18,7% na comparação anual. O ritmo recorde de embarques e os preços elevados sustentaram a arroba em patamar histórico, impulsionados pela demanda global aquecida e pela oferta ajustada de gado para abate no mercado interno.

A dúvida do mercado é se os preços cairão com o redirecionamento da produção antes destinada à Europa.

Distribuição do impacto e corrida diplomática

A carne bovina deve ser a mais impactada, com US$ 800 milhões a US$ 1 bilhão em risco. A carne de aves vem em segundo lugar, com US$ 500 milhões a US$ 700 milhões ameaçados. Carne suína e outros produtos de origem animal completam o quadro de perdas estimadas para o setor de proteína animal, que responde por parcela relevante da balança comercial brasileira e do PIB do agronegócio nacional.

Minas Gerais tem US$ 82,2 milhões em exportações ameaçadas. Mato Grosso, maior produtor nacional de carne bovina, e Goiás também estão na rota do veto europeu e sentirão os efeitos diretos da decisão.

O Brasil tem até 3 de setembro para reverter a decisão e deve enviar à UE um dossiê sobre controle de antimicrobianos na pecuária em até 15 dias. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o veto será equacionado. A ABPA trabalha para reverter a medida, destacando a conformidade do setor com as exigências internacionais e o compromisso com a produção sustentável.

O Reino Unido sinalizou que pode adotar medidas semelhantes. A cota para os Estados Unidos já foi esgotada em 2026. A China já utilizou metade de sua cota anual. Oriente Médio e Sudeste Asiático surgem como alternativas para absorver o volume exportado, embora não supram toda a demanda perdida.

O cenário exige ação rápida do governo e do setor produtivo.

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Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT

Jornalista e fundador do Agronews, referência em informações sobre o agronegócio brasileiro. Com mais de 15 anos de experiência no setor, acompanha de perto as principais commodities, políticas agrícolas e tendências do mercado rural.

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